Manifestantes exigem diálogo a Zelensky face à remodelação do governo

🗓️ 2026-08-17 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Um dia antes do parlamento ucraniano voltar ao trabalho e apenas um mês após a demissão de Fedorov e a substituição de Oleksandr Sirsky como comandante-chefe do Exército pelo general Mykhailo Drapaty, o processo de renovação ainda não está concluído.

Yevgeny Khmara exerce as funções de ministro da Defesa interino e Andry Sybiga continua no cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros interino, mas nenhum deles foi ainda formalmente confirmado pelo parlamento.

Espera-se que o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, mantenha Khmara, o antigo chefe do centro de operações especiais Alfa do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), como responsável pela Defesa a título permanente.

No entanto, ainda não existe um roteiro claro para a sua nomeação, admitiu o deputado Yaroslav Zhelezniak, citado pela agência espanhola EFE. Segundo o parlamentar, existem dúvidas de que a sua nomeação, uma vez apresentada formalmente por Zelensky, possa obter votos suficientes, mesmo que seja levantada a exigência formal de que o cargo só possa ser ocupado por um civil.

A ausência prolongada de um ministro da Defesa de pleno direito em tempos de guerra alimenta protestos diários numa dúzia de cidades, entre as quais Kyiv, a capital do país, e Lviv (oeste).

No domingo à noite, centenas de manifestantes entregaram a um representante presidencial em Kyiv uma petição que apelava ao diálogo.

Em Lviv, os manifestantes salientaram que a Ucrânia tem feito progressos notáveis contra a Rússia nos últimos meses e não pode dar-se ao luxo de perder este ímpeto.

"Cada dia de atraso custa vidas aos nossos soldados", afirmou um coordenador da manifestação, na qual predominavam os jovens.

Os cartazes exibidos nas ações de protestos continuam a apelar ao regresso de Fedorov, a quem os seus apoiantes atribuem a inovação tecnológica nas forças armadas.

Fedorov tem, até agora, evitado criticar diretamente o Presidente e não participou nos protestos.

No entanto, recusou outros cargos que Zelensky lhe ofereceu e insistiu publicamente que apenas quem ocupa o cargo de ministro da Defesa pode definir a estratégia de guerra.

Olena Mikula, uma 'designer' gráfica cujos familiares e amigos estão no exército, participou num dos protestos realizados nos últimos dias.

"No início, fiquei zangada com a demissão do melhor ministro da Defesa até à data, mas, ultimamente, o que me indigna é a falta de comunicação", disse Mikula à agência de notícias espanhola EFE.

Acrescentou que os manifestantes estão agora a centrar-se numa gama mais ampla de problemas, uma vez que é improvável que Zelensky reponha Fedorov no cargo.

As nomeações de Rustem Umerov como chefe do Serviço de Informações Externas e de Vitali Kim como ministro dos Veteranos, ambos sem experiência nessas áreas, também suscitaram críticas.

Muitos manifestantes têm exigido também uma ação mais determinada contra a corrupção estrutural.

Apesar dos protestos nas ruas ucranianas, o apoio público a Zelensky mantém-se relativamente elevado, na fasquia dos 55%, de acordo com uma sondagem realizada este mês pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kyiv.

No entanto, a percentagem de ucranianos que preferiria realizar eleições mesmo antes do fim da guerra aumentou para 38%, face aos 25% registados em março.

"O Presidente tem o direito de fazer as nomeações que considerar oportunas, mas os protestos ajudam a impor limites a Zelensky para que desça um pouco do seu pedestal", assinalou Mikula.

Entretanto, o general Mykhailo Drapaty avançou com medidas para sinalizar uma mudança nas forças militares ucranianas.

O controverso Regimento de Assalto Skelia, alvo de críticas devido a alegações de violência contra alguns recrutas, foi colocado sob o controlo operacional do Batalhão Azov.

O chefe do Exército também respondeu às objeções sobre as práticas de recrutamento com a suspensão do chefe do centro regional de recrutamento mais criticado, segundo o Provedor de Justiça da Ucrânia, Dmytro Lubinets.

De acordo com informações da imprensa ucraniana, Drapaty tenciona substituir os oficiais leais ao seu antecessor, Sirsky, por outros mais críticos em relação ao comando anterior.

A nomeação de Drapaty foi, em geral, bem recebida pela opinião pública ucraniana, mas ainda existem receios de que as suas tentativas de reforma possam estagnar sem um apoio político firme e sem uma estratégia clara por parte de um Governo no qual estaria, idealmente, Mykhailo Fedorov.

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