Marinha americana estuda alterações milionárias a novos porta-aviões para satisfazer preferências estéticas de Donald Trump
Em causa está a viabilidade técnica de deslocar a estrutura vertical que funciona como centro de comando do navio, também conhecida como "ilha", mais para a frente, próxima do centro da embarcação, à semelhança dos porta-aviões utilizados na Segunda Guerra Mundial
A marinha dos Estados Unidos da América está a estudar uma profunda alteração no desenho dos seus novos porta-aviões da classe Ford, com o objetivo de alinhar as embarcações com a visão estética do presidente Donald Trump, de acordo com responsáveis da marinha e antigo funcionários do executivo, citados pelo jornal The Washington Post.
Em causa está a viabilidade técnica de deslocar a estrutura vertical que funciona como centro de comando do navio, também conhecida como "ilha", mais para a frente, próxima do centro da embarcação, à semelhança dos porta-aviões utilizados na Segunda Guerra Mundial.
A atual configuração dos porta-aviões nucleares coloca a "ilha" na secção traseira, uma decisão de design tomada para maximizar a segurança operacional e a eficiência no lançamento dos caças.
Esta não é a primeira vez que o design destes porta-aviões seriam alterados a pedido do presidente Trump. Durante o seu primeiro mandato, a administração já tinha solicitado uma avaliação preliminar sobre a a deslocação da torre de comando. Na altura, as conclusões técnicas apontaram para um agravamento orçamental de milhares de milhões de dólares e para atrasos estruturais no cronograma de construção naval.
"Chegou-se à conclusão de que o custo e o tempo necessários para o fazer seriam extraordinários", afirmou um antigo responsável governamental sob anonimato.
Só que os especialistas alertam que o impacto da decisão vai muito além das considerações estéticas ou orçamentais. Segundo Bryan Clark, antigo oficial de marinha e investigador no Hudson Institute, alterar a disposição da torre afeta diretamente a flutuabilidade, a distribuição de peso e o equilíbrio hidrodinâmico do navio. "Pode-se mudar, mas é altamente disruptivo", sublinhou o especialista.
Só que já existe um precedente de interferência do presidente nas capacidades deste navio. Trump assinou um memorando de segurança nacional a instruir a Marinha a abandonar o sistema de catapultas eletromagnéticas (EMALS) nos futuros porta-aviões, exigindo o regresso às tradicionais catapultas movidas a vapor.
O plano de longo prazo da marinha norte-americana prevê a construção de até 10 unidades da classe Ford ao longo das próximas quatro décadas, com um custo unitário estimado em cerca de 22 mil milhões de dólares (aproximadamente 20,2 mil milhões de euros), segundo dados do Gabinete de Orçamento do Congresso (CBO).