Médica denunciada por morte de criança por escorpião em Piracicaba | G1
Patrícia concluiu o curso de medicina pela Universidade Brasil em 2023, mesmo ano em que atendeu Jamily, segundo o registro no Conselho Regional Medicina Estado São Paulo (Cremesp). A médica tem registro ativo no Cremesp.
Segundo o depoimento dela à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Piracicaba, em 2024, tratava-se do terceiro plantão dela na unidade de atendimento.
Um dos apontamentos feito pelo MP na denúncia da médica foi a falta de preparo técnico. A denúncia, formalizada em julho de 2026 e já aceita pela Justiça, acusa a profissional de homicídio culposo (quando não há intenção de matar) fundamentado na negligência e na falta de preparo técnico (imperícia e inobservância de regra técnica da profissão).
Além do homicídio, Patrícia Cristina Guidio responderá pelo crime de falsidade ideológica.
Segundo a denúncia, que usou como base uma investigação da Polícia Civil e laudos do IML de Piracicaba, a médica inseriu informação falsa no prontuário da vítima, registrando que havia prescrito o soro antiescorpiônico para a criança. Já a família de Jamily sempre denunciou a demora para a administração do antídoto.
A advogada, Caroline Fonseca Raimundo, que representa a médica, informou que não tem interesse em comentar detalhes do caso enquanto não há julgamento. Além disso, afirmou que o processo corre em segredo de Justiça e que a "exposição nominal, associada a acusações ainda não julgadas, pode produzir danos profissionais e reputacionais graves e de difícil reparação" à cliente dela.
Jamily Vitória Duarte, de 5 anos, morreu após ser picada por escorpião em Piracicaba (SP) — Foto: Arquivo pessoal
"Foi um momento de terror que passei com ela. Minha filha estava morta viva. Em nenhum momento, ela [médica] se preocupou em querer fazer algo. Com as palavras dela, ela falou para mim que não ia poder socorrer porque ali não tinha o soro, e tinha o soro", afirma a mãe de Jamily.
Patricia das Graças Adriana Duarte, mãe de Jamily, criança morta por picada de escorpião em Piracicaba — Foto: Edijan Del Santo/EPTV
Tentativa de evitar processo criminal
O MP informou que não pediu a responsabilização criminal por parte da Organização Social de Saúde (OSS) Hospital Mahatma Gandhi, que administrava a unidade de saúde à época.
O Ministério Público ainda negou à médica um Acordo de Não Persecução Penal, mecanismo que poderia evitar a abertura de um processo criminal.
A decisão foi mantida pela Procuradoria-Geral de Justiça em 20 de agosto de 2026. Com isso, o caso seguirá na 3ª Vara Criminal de Piracicaba, ainda sem data para audiência de instrução e julgamento.
Ministério Público do Estado de São Paulo em Piracicaba — Foto: Yasmin Moscoski/g1
O caso
Jamily Vitória Duarte foi picada por um escorpião na noite de 11 de agosto de 2023 e faleceu na manhã do dia seguinte, após ser levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vila Cristina. A família da vítima alega que houve demora para que a criança recebesse o soro antiescorpiônico no local.
Em 2024, o caso foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Piracicaba, que recomendou à Polícia Civil a realização de exames grafotécnicos para apurar uma possível falsificação de assinatura no livro de retirada de medicamentos da unidade, além da análise de imagens para verificar relatos sobre a disponibilidade do soro no momento do atendimento.
Atualmente, a UPA Vila Cristina retornou para a administração direta da prefeitura municipal.

Criança morre após ser picada por escorpião em Piracicaba
Erro em perícia
Além do processo criminal, os familiares da vítima movem uma ação na esfera cível que busca a responsabilidade civil do caso e uma indenização.
Neste processo cível, o andamento foi marcado por um erro administrativo do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc).
O órgão admitiu uma inconsistência em seu sistema de automação de agendamentos, informou que abriu investigação interna para corrigir a falha e que o laudo documental está em fase de elaboração.
Jamily Vitória Duarte, de 5 anos, morreu após ser picada por escorpião em Piracicaba (SP) — Foto: Arquivo pessoal