Meloni exige que morte de marroquino seja apurada "com máximo rigor"
"O que aconteceu em Bolonha é inaceitável. Em relação à morte de Abderrahim Fakir, é essencial que qualquer eventual responsabilidade seja apurada com o máximo rigor. Devemos chegar ao fundo da verdade, sem preconceitos e sem fazer concessões a ninguém", afirmou a líder italiana numa mensagem publicada nas redes sociais.
O incidente aconteceu quando a polícia de Bolonha foi chamada para responder a uma denúncia de um homem que estaria a causar danos num veículo.
Os agentes utilizaram gás de pimenta e imobilizaram Fakir de bruços no chão antes de o algemarem. Durante a imobilização, o marroquino gritou repetidamente por socorro e queixou-se de dificuldades em respirar.
O óbito foi constatado no local por paramédicos.
Fakir vivia legalmente em Itália desde a infância, trabalhava no setor de limpezas e mudanças e tinha historial de asma e problemas cardíacos.
Imagens gravadas por residentes tornaram-se virais na Internet e o caso desencadeou manifestações violentas em Bolonha com confrontos entre ativistas e a polícia de choque, que recorreu a gás lacrimogéneo e canhões de água.
Na mensagem hoje divulgada, Meloni manifestou o seu apoio à polícia italiana perante a contestação nas ruas naquela cidade do norte de Itália, sublinhando que "nada justifica a violência" contra as forças de segurança e condenando os protestos violentos e a perturbação subsequentes.
As pessoas "que optaram por usar este incidente como pretexto para virar a cidade de 'pernas para o ar', atacar polícias e semear a violência, pondo também em risco a segurança de cidadãos completamente alheios aos distúrbios, não procuravam a verdade: procuravam o confronto", criticou.
Segundo a primeira-ministra, "fomentar um clima de ódio e deslegitimar todo um ramo do Estado é um ato de grave irresponsabilidade".
Além disso, sublinhou, "fazer de milhares de mulheres e homens fardados um alvo significa atacar aqueles que todos os dias servem Itália com profissionalismo, sacrifício e coragem".
Na segunda-feira, o sindicato policial italiano anunciou que os protestos em Bolonha tinham resultado em 80 agentes feridos devido ao "arremesso de objetos, uso de engenhos explosivos e agressões contra polícias".
Isto são "ilícitos extremamente graves que nada têm a ver com o exercício legítimo do direito de manifestação ou de exigir que a verdade seja esclarecida", declarou o sindicato policial, que apresentou as condolências à família de Abderrahim Fakir, mas realçou que "é inaceitável que uma questão tão delicada tenha sido inflamada de forma irresponsável".
O sindicato criticou ainda "os habituais agitadores" que se aproveitam da situação para "alimentar tensões e atacar membros da força policial".
Atualmente, dois polícias e quatro paramédicos estão a ser investigados pela morte de Fakir.
O presidente da Câmara de Bolonha, Matteo Lepore (Partido Democrático, centro-esquerda), e o presidente da região da Emília-Romanha, Michele De Pascale (também do Partido Democrático), estão a investigar o caso.
O Partido Comunista Italiano (PCI) exigiu uma investigação completa do incidente, enquanto partidos de direita que integram a atual coligação governamental, como a Liga (extrema-direita) e Irmãos de Itália (direita nacionalista), marcaram uma posição de defesa das forças de segurança.

Morte de Fakir leva centenas de manifestantes às ruas de Bolonha
Centenas de pessoas manifestaram-se em Bolonha contra a polícia italiana após a morte de Abderrahim Fakir, um homem de origem marroquina que morreu durante uma detenção. Os protestos culminaram em confrontos, levando as autoridades a recorrer a gás lacrimogéneo e canhões de água.
Márcia Guímaro Rodrigues | 07:54 - 21/07/2026