Meloni exige que morte de marroquino seja apurada "com máximo rigor"

🗓️ 2026-07-21 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

"O que aconteceu em Bolonha é inaceitável. Em relação à morte de Abderrahim Fakir, é essencial que qualquer eventual responsabilidade seja apurada com o máximo rigor. Devemos chegar ao fundo da verdade, sem preconceitos e sem fazer concessões a ninguém", afirmou a líder italiana numa mensagem publicada nas redes sociais.

O incidente aconteceu quando a polícia de Bolonha foi chamada para responder a uma denúncia de um homem que estaria a causar danos num veículo.

Os agentes utilizaram gás de pimenta e imobilizaram Fakir de bruços no chão antes de o algemarem. Durante a imobilização, o marroquino gritou repetidamente por socorro e queixou-se de dificuldades em respirar.

O óbito foi constatado no local por paramédicos.

Fakir vivia legalmente em Itália desde a infância, trabalhava no setor de limpezas e mudanças e tinha historial de asma e problemas cardíacos.

Imagens gravadas por residentes tornaram-se virais na Internet e o caso desencadeou manifestações violentas em Bolonha com confrontos entre ativistas e a polícia de choque, que recorreu a gás lacrimogéneo e canhões de água.

Na mensagem hoje divulgada, Meloni manifestou o seu apoio à polícia italiana perante a contestação nas ruas naquela cidade do norte de Itália, sublinhando que "nada justifica a violência" contra as forças de segurança e condenando os protestos violentos e a perturbação subsequentes.

As pessoas "que optaram por usar este incidente como pretexto para virar a cidade de 'pernas para o ar', atacar polícias e semear a violência, pondo também em risco a segurança de cidadãos completamente alheios aos distúrbios, não procuravam a verdade: procuravam o confronto", criticou.

Segundo a primeira-ministra, "fomentar um clima de ódio e deslegitimar todo um ramo do Estado é um ato de grave irresponsabilidade".

Além disso, sublinhou, "fazer de milhares de mulheres e homens fardados um alvo significa atacar aqueles que todos os dias servem Itália com profissionalismo, sacrifício e coragem".

Na segunda-feira, o sindicato policial italiano anunciou que os protestos em Bolonha tinham resultado em 80 agentes feridos devido ao "arremesso de objetos, uso de engenhos explosivos e agressões contra polícias".

Isto são "ilícitos extremamente graves que nada têm a ver com o exercício legítimo do direito de manifestação ou de exigir que a verdade seja esclarecida", declarou o sindicato policial, que apresentou as condolências à família de Abderrahim Fakir, mas realçou que "é inaceitável que uma questão tão delicada tenha sido inflamada de forma irresponsável".

O sindicato criticou ainda "os habituais agitadores" que se aproveitam da situação para "alimentar tensões e atacar membros da força policial".

Atualmente, dois polícias e quatro paramédicos estão a ser investigados pela morte de Fakir.

O presidente da Câmara de Bolonha, Matteo Lepore (Partido Democrático, centro-esquerda), e o presidente da região da Emília-Romanha, Michele De Pascale (também do Partido Democrático), estão a investigar o caso.

O Partido Comunista Italiano (PCI) exigiu uma investigação completa do incidente, enquanto partidos de direita que integram a atual coligação governamental, como a Liga (extrema-direita) e Irmãos de Itália (direita nacionalista), marcaram uma posição de defesa das forças de segurança.

Morte de Fakir leva centenas de manifestantes às ruas de Bolonha

Morte de Fakir leva centenas de manifestantes às ruas de Bolonha

Centenas de pessoas manifestaram-se em Bolonha contra a polícia italiana após a morte de Abderrahim Fakir, um homem de origem marroquina que morreu durante uma detenção. Os protestos culminaram em confrontos, levando as autoridades a recorrer a gás lacrimogéneo e canhões de água.

Márcia Guímaro Rodrigues | 07:54 - 21/07/2026