Mendonça Filho se torna político com mais derrotas majoritárias em PE | G1
Ex-ministro da educação no governo de Michel Temer (MDB), entre 2016 e 2018, o político igualou o senador reeleito Humberto Costa (PT), que também tem seis derrotas na carreira, mas venceu pela terceira vez consecutiva uma cadeira no Senado.
▶️ Eleições majoritárias são aquelas vencidas apenas pelos candidatos que recebem o maior número de votos. É o caso dos pleitos para o Poder Executivo (prefeito, governador e presidente da República) e para o Senado (o primeiro ou os dois primeiros colocados). As eleições para os demais cargos do Legislativo (vereador e deputados estaduais e federais) seguem o sistema de votação proporcional, em que os vencedores precisam atingir o quociente eleitoral do seu partido ou federação.

Agora no g1
O g1 reuniu os candidatos de partidos com representação no Congresso Nacional que mais participaram das eleições majoritárias no estado desde 1982, ano em que os pernambucanos voltaram a votar de forma direta para o comando do estado.
Foram incluídas também as disputas pela prefeitura do Recife, capital do estado. Confira abaixo:
Quantidade de derrotas em eleições majoritárias em PE desde 1982
| Candidato | Derrotas | Vitórias |
| Mendonça Filho | 6 (governo de Pernambuco em 2006, Senado em 2018 e 2026 e prefeitura do Recife em 2008, 2012 e 2020) | Nenhuma |
| Humberto Costa | 6 (governo de Pernambuco em 2002 e 2006, Senado em 1998 e prefeitura do Recife em 1988,1992 e 2012) | 3 (Senado em 2010, 2018 e 2026) |
| Edilson Silva | 4 (governo de Pernambuco em 2006 e 2010 e prefeitura do Recife em 2008 e 2016) | Nenhuma |
| Carlos Wilson | 3 (governo de Pernambuco em 1998, Senado em 2002 e prefeitura do Recife em 2000) | 1 (Senado em 1994) |
| Cid Sampaio | 3 (governo de Pernambuco em 1994 e Senado em 1982 e 1986) | Nenhuma |
| João Paulo Lima | 3 (Senado em 2014 e prefeitura do Recife em 1996 e 2016) | 2 (prefeitura do Recife em 2000 e 2004) |
| Daniel Coelho | 3 (prefeitura do Recife em 2012, 2016 e 2024) | Nenhuma |
Mendonça Filho foi eleito vice-governador em 1998 e em 2002, mas o titular da chapa era Jarbas Vasconcelos, que renunciou ao cargo para concorrer e conquistar uma cadeira ao Senado em 2006. Após assumir como governador, Mendonça tentou a reeleição e foi superado no 2º turno por Eduardo Campos (PSB).
Após deixar o cargo, Mendonça tentou ser prefeito do Recife em três ocasiões: em 2008, ficou em segundo lugar e, em 2012, ocupou a quarta posição. Disputou novamente a prefeitura da capital em 2020, mas ficou em 3º lugar. Para o Senado, foram duas derrotas, em 2018 e 2026, ficando na terceira colocação em ambas.
Para o cientista político Felipe Ferreira Lima, Mendonça Filho tem dificuldades de ultrapassar um "teto" de votos que seja suficiente para a vitória, além de problemas de estratégia.
"Todo político tem o seu teto de crescimento e ele precisa ter consciência desse teto. E quando ele chega nesse teto, precisa pensar em dois fatores importantes. O primeiro é como ele pode crescer a partir dali sem comprometer o que já conquistou, o que vai trazer de adicional no discurso dele para crescer mais que o teto. E o segundo ponto é o cenário, o tabuleiro eleitoral. Ele precisa escolher uma disputa eleitoral em que ele se encaixe com chances mínimas de vitória, olhando para seus adversários. Eu acho que Mendonça na sua trajetória de tentativas majoritárias peca em, ao chegar nesse teto, avaliar esses dois fatores", afirmou.
Para o pesquisador, o político acabou "passando do ponto" ao se associar com o bolsonarismo e se afastou demais do eleitorado de centro.
"Ele precisava não ser tão radical com o bolsonarismo, porque, ao meu ver, o bolsonarismo já vinha por 'osmose' para ele, pela falta de opção de outros candidatos, e ele precisava ser comedido para ir atrás dos votos de centro, centro-direita e até centro-esquerda. Ele fez uma campanha extrema para o bolsonarismo, que era o que ele já tinha. Então, o teto era aquele e ele precisava crescer", afirmou.
Em vídeo divulgado após a derrota no domingo (4), Mendonça Filho agradeceu aos eleitores e se colocou à disposição para coordenar a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para presidente da República no 2º turno.
Outras candidaturas
Com cinco mandatos consecutivos para a Câmara dos Deputados, entre 2006 e 2022, Eduardo da Fonte (PP) participou de sua primeira eleição majoritária e foi derrotado na disputa pelo Senado, ocupando a quarta posição. Seu companheiro de chapa, o deputado federal por dois mandatos Túlio Gadêlha (PSD), também perdeu, ficando na sexta posição.
Após uma disputa acirrada pela segunda vaga na chapa de candidatos ao Senado da governadora Raquel Lyra, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) não conseguiu se eleger deputado federal e ficou na suplência.
Já na corrida pelas vagas da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o deputado estadual Pastor Cleinton Collins (PP) perdeu pela primeira vez a disputa por um lugar na Casa após vencer de maneira consecutiva entre 2002 e 2022. Ele foi o deputado estadual mais votado de Pernambuco em 2006, 2010 e 2014 e, neste ano, ficou na suplência.