Menina que ingerir soda cĂĄustica sai do isolamento de hospital do Acre | G1

đŸ—“ïž 2026-07-20 📁 world-news 📝 ⏱ đŸ‘ïž : -

👉 Contexto: A menina foi internada no dia 3 de julho apĂłs a suspeita de ingerir soda cĂĄustica em uma casa no bairro ApolĂŽnio Sales. A PolĂ­cia Civil investiga a denĂșncia de que a madrasta teria obrigado a criança a ingerir a substĂąncia. A madrasta estĂĄ presa preventivamente. O caso estĂĄ sob segredo de Justiça.

À Rede AmazĂŽnica Acre, a mĂŁe da criança confirmou que a filha segue na enfermaria se recuperando, consegue comer e ingerir lĂ­quidos sem problemas. Segundo ela, a expectativa Ă© de que a menina receba alta mĂ©dica esta semana.

"Ela estå bem, graças a Deus, estå comendo e bebendo bem jå. Não sente mais nada. Vai fazer uma endoscopia e pegar alta", resumiu a mãe.

Criança jĂĄ consegue se alimentar sozinha e aguarda alta mĂ©dica — Foto: Arquivo

Além da madrasta, o pai da menina também teve a prisão preventiva decretada pelos supostos crimes de tentativa de homicídio qualificado e maus-tratos. Ele segue foragido.

O órgão solicitou perícia no produto químico que pode ter sido ingerido pela criança e nas lesÔes sofridas, além de acompanhar as medidas protetivas adotadas pelo Conselho Tutelar. O procedimento apura a possível pråtica de crimes como tentativa de homicídio, tortura e maus-tratos.

O ĂłrgĂŁo aponta que os crimes teriam sido cometidos por meio cruel e no contexto de violĂȘncia domĂ©stica e familiar contra a criança, alĂ©m de maus-tratos majorado pela idade da vĂ­tima.

A Justiça considerou, entre os fundamentos da decisão, a vulnerabilidade da menina, a necessidade de garantir a instrução criminal e o risco de reiteração das condutas. No caso do pai, a decisão também levou em conta indícios de fuga.

MĂŁe de menina internada apĂłs suspeita de ingerir soda cĂĄustica diz que sofreu violĂȘncia e ficou mais de oito anos sem ver a filha — Foto: Rede AmazĂŽnica

Madrasta se entregou

A defesa da madrasta confirmou ao g1 que entrou em contato com o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para apresentĂĄ-la Ă  polĂ­cia na Ășltima terça (14).

O advogado dela, Valber Fontinele, afirmou que a cliente nega o crime. Segundo a defesa, a mulher estĂĄ grĂĄvida de quatro meses e tem um filho que amamenta.

"Conforme os documentos juntados, ela tambĂ©m geriu soda cĂĄustica. Eu quero ver agora a proteção tambĂ©m da mulher, porque a lei defende a criança e defende a mulher em situação de vulnerabilidade. NĂŁo no tocante Ă  questĂŁo criminal, mas sim pela qualidade de mulher vulnerĂĄvel, grĂĄvida que amamenta e tambĂ©m Ă© vĂ­tima de violĂȘncia", disse.

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ViolĂȘncia domĂ©stica

A mulher, que nĂŁo foi identificada na reportagem, contou que teve contato pessoal com a menina somente atĂ© os 3 anos de idade. Ela mora na zona rural de Boca do Acre (AM) e chegou Ă  capital no Ășltimo dia 7 para prestar depoimento e acompanhar a recuperação da filha.

Segundo ela, quando chegou ao hospital, a equipe médica confirmou que a menina ingeriu soda cåustica e orientou que evitasse perguntas sobre o caso para não causar sofrimento à criança durante a recuperação.

"Quando eu entrei, a médica falou que tinha uma surpresa para ela. Quando ela olhou para mim, me reconheceu. Ela começou a chorar e eu também. Eu só falei que estava do lado dela, que ela tinha uma mãe e que não ia abandonar ela", disse.

Menina recebeu sandálias, cobertores, pijamas, lenço umedecidos e alguns brinquedos — Foto: Redes sociais/ Instagram

Conselho Tutelar assiste criança

A menina estå internada e recebe atendimento especializado. Segundo o Conselho Tutelar, toda a rede de proteção foi acionada desde que o caso chegou ao conhecimento das autoridades.

O conselheiro tutelar Celson Inåcio afirmou que todos os direitos da criança estão sendo assegurados e fez um alerta para que pessoas não utilizem a imagem da menina nem façam campanhas de arrecadação em nome dela pelas redes sociais.

“A criança estĂĄ com todos os direitos garantidos e toda e qualquer situação que ela precisar serĂĄ assegurada pela rede de proteção. NinguĂ©m tem prerrogativa legal para divulgar imagem ou pedir Pix para essa criança'', orientou.

Segundo ele, qualquer necessidade da vĂ­tima serĂĄ atendida pelos ĂłrgĂŁos competentes, em conjunto com a assistĂȘncia social do municĂ­pio, conforme prevĂȘ a legislação.

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