Milhares de pessoas manifestam-se em Espanha pela habitação
A mobilização começou após o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, na semana passada. Os manifestantes acamparam durante vários dias em Madrid em protesto, mas esta sexta-feira, o parlamento espanhol chumbou dois decretos propostos pelo governo de Pedro Sánchez, o que motivou manifestações nas ruas na última noite e já este sábado.
Após a votação, os manifestantes regressaram à Porta do Sol, entre gritos de "vergonha" e "greve geral", e prometeram manter a mobilização nas ruas.
Este sábado, em Madrid, os protestos decorrem em quatro eixo da capital espanhola, rumo à Praça Cibeles. No início da manifestação, uma faixa com a inscrição "Rumo à greve geral",
A Confederação de Sindicatos das Inquilinas, que reúne associações de defesa do direito à habitação, convocou manifestações em mais de 50 cidades espanholas para este sábado.
Em declarações aos jornalistas, a porta-voz do Sindicato de Inquilinas, Valeria Racu, destacou que a mobilização se deve a Maricarmen, à sua valentia e exemplo, que fizeram "soltar o rastilho", numa referência à idosa madrilena que foi desalojada no dia 23 de setembro e que graças à pressão social poderá voltar a casa.
"Ontem constatámos que temos um Congresso sequestrado pelo rentismo. Um congresso totalmente desfasado da realidade das ruas, totalmente afastado dessa maioria social, deste consenso que existe na nossa população de que o rentismo é uma chaga para a nossa sociedade e que temos de acabar com ele", sublinhou Racu.
O que se sente nas ruas, advertiu, é "uma nova energia" que demonstra que oito dias de poder popular são capazes de fazer muito mais do que "oito anos de governo progressista".
"Com o que aconteceu no Sol, com o que aconteceu nas ruas, com o que aconteceu em tantas praças nesta última semana, o que se está a provar é que o poder volta às ruas", disse.
A dirigente lançou um aviso:"Governe quem governar, não vamos tolerar outros quatro anos sem atacar o maior problema deste país".
A porta-voz afirmou que agora começa a "política de verdade", a que sempre pertenceu ao povo e que volta de uma vez por todas às ruas.
"E para consegui-lo, para conseguir desde logo acabar com este negócio da habitação, queremos resgatar essa ferramenta histórica que usamos sempre, a classe trabalhadora, para transformar a realidade: que é a greve geral", defendeu.