Milhares protestam contra violência no estado mexicano de Sinaloa

🗓️ 2026-09-14 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Vestidos de branco, cerca de 10.000 manifestantes soltaram dezenas de balões da mesma cor antes de marcharem em direção à catedral de Culiacán em resposta a um apelo por parte da Igreja Católica, de setores económicos e de coletivos de famílias de vítimas da violência.

"Não queremos mais mortes assim, mais assassinatos", declarou à agência France-Press Maricela Pérez, 62 anos, que levava o retrato do filho Miguel, de 36, abatido a tiro em maio passado num campo de voleibol.

O bispo de Culiacán, D. Jesús José Herrera, apelou aos criminosos para que parem o massacre. "Nenhum território e nenhuma ambição valem mais do que uma vida humana", afirmou.

O Cartel de Sinaloa foi fundado no final da década de 1980 por Joaquin "El Chapo" Guzmán e Ismael "El Mayo" Zambada, que o dirigiram conjuntamente até à captura do primeiro em 2016 e a sua extradição para os Estados Unidos, onde foi condenado a prisão perpétua.

Perante a justiça norte-americana, "El Chapo" viu testemunhar contra si Vicente Zambada, filho do seu associado. Em represália, os filhos de "El Chapo" planearam uma manobra contra "El Mayo", entregando-o em julho de 2024 às autoridades dos EUA, que também o condenaram a prisão perpétua.

Desde setembro de 2024, os dois clãs travam uma guerra sangrenta que aterroriza Culiacán, considerada hoje a cidade mais perigosa do México devido às trocas de tiros quase diárias.

Em dois anos, os confrontos provocaram pelo menos 3.000 mortos, incluindo numerosos transeuntes apanhados no fogo cruzado. Na semana passada, um bebé de um ano foi igualmente morto por uma bala perdida durante um tiroteio.

"É terrível", resumiu Marlene León, 33 anos, durante a manifestação. "Sentimo-nos abandonados e pensamos que esta marcha é uma forma de dizer que, apesar do tempo que passa, não banalizámos a violência e queremos paz", acrescentou.

Queremos que as autoridades "vejam que a nossa nação agoniza, que está mergulhada num banho de sangue", exclamou por seu lado Martín Lim, agricultor de 62 anos.

O governo da Presidente mexicana Claudia Sheinbaum enviou 15.000 soldados para Sinaloa, mas nem esse reforço nem o aumento das apreensões de armas e drogas conseguiram travar a violência. Só no sábado, pelo menos sete pessoas foram assassinadas.

Em Culiacán, manifestantes entoaram slogans hostis contra Sheinbaum e um grupo queimou a sua efígie em cartão.

Alguns associam a presidente ao ex-governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, membro do partido de esquerda Morena, cuja detenção e extradição os Estados Unidos reclamam por alegados vínculos com o cartel, mas que Sheinbaum recusa entregar.

Rocha Moya nega as acusações e a Presidente sustentou que a justiça norte-americana não apresentou provas conclusivas contra ele. Ainda assim, nas últimas semanas, Sheinbaum afastou-se do seu colega de partido.

O Presidente norte-americano Donald Trump declarou o Cartel de Sinaloa uma "organização terrorista estrangeira" e ameaçou intervir contra a organização criminosa em território mexicano caso as autoridades locais não o façam.