Mineira volta para casa após passar 2 anos internada em hospital
Minas Gerais
Durante uma consulta, os médicos identificaram a gravidade do quadro e decidiram interná-la. Ela recebeu alta na sexta-feira (9/10)
16/10/2026 02:00
Belo Horizonte – Aos 33 anos, Herica Elaine Silva, moradora de Coronel Xavier Chaves, na Região do Campo das Vertentes, voltou para casa depois de ficar internada por dois anos em um hospital.
Por causa de problemas de saúde, ela ficou dependente de um medicamento para o coração e a mudança em sua trajetória veio com a chegada de uma nova medicação. “Eu estava morrendo, eu não tinha mais esperança. Sentia falta de ar, desmaiava”, revela. Herica recebeu alta na sexta-feira (9/10).
Em 2020, ela foi diagnosticada com hipertensão arterial pulmonar idiopática (HAP) e iniciou o tratamento no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG). Incialmente, teve uma boa evolução, mas em 2024, ela teve dengue, que provocou uma piora significativa em seu estado de saúde.
“Essa dengue me descompensou totalmente. Depois dela, eu não conseguia mais fazer as coisas básicas do dia a dia, como tomar banho sozinha, colocar roupa, pentear o cabelo”, revela Herica.
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Em setembro do mesmo ano, durante uma consulta, os médicos identificaram a gravidade do quadro e decidiram interná-la. A HAP estava descompensada e ela também apresentava insuficiência cardíaca no ventrículo direito, uma consequência da doença.
Transplante era a única solução para o caso
A internação trouxe uma notícia difícil: ela só poderia deixar o hospital após realizar um transplante, que seria realizado em São Paulo. A paciente foi transferida para lá, mas os exames realizados revelaram um impedimento para a realização do procedimento.
O resultado do painel de reatividade estava muito elevado, o que significava risco de rejeição. Na tentativa de reverter essa condição, ela passou por tratamento, mas apesar das intervenções, o tratamento não foi suficiente e ela foi suspensa da fila do transplante.
Depois disso, Herica começou a temer que precisasse ficar internada pelo resto da vida para receber dobutamina, medicamento utilizado para dar suporte ao funcionamento do coração, e acabou se tornando dependente da medicação.
Novo medicamento trouxe esperança
Sem esperança, triste e preocupada. Era assim que ela se encontrava quando o médico que a acompanhava em Minas Gerais apresentou a possibilidade de tratamento para hipertensão arterial pulmonar. Um medicamento novo que ainda não havia sido aprovado no Brasil.
Foi nesse cenário que o médico responsável pelo acompanhamento dela em Minas Gerais, Ricardo de Amorim Corrêa, apresentou uma nova possibilidade de tratamento para a hipertensão arterial pulmonar. O medicamento, porém, ainda não havia sido aprovado no Brasil. “Ele disse que esse medicamento ia chegar e eu ia ficar bem. Voltei pra Minas e fiquei esperando o medicamento internada. Durante a internação, tive várias intercorrências graves, e que achei que não iria aguentar”, afirma ela.
Ricardo de Amorim Corrêa, um dos médicos da equipe que cuida de Herica, demonstrou confiança na chegada da medicação e afirmou que ela poderia apresentar uma melhora.
“E eu pensava, vou passar o resto da minha vida dentro de hospital. O doutor Ricardo falou, não, espera que o remédio vai chegar, você vai ficar bem. Em momento algum, ele desistiu de mim”, disse Herica.
Chegada do medicamento
No ano passado, a paciente entrou com um processo para conseguir ter acesso ao novo medicamento. A medicação chegou neste ano, quando o seu estado de saúde continuava se agravando e a necessidade da dobutamina aumentava.
“Digo que ele chegou nos acréscimos, pois além de exausta com isso tudo, meu quadro estava piorando a cada dia mais e a dobutamina só aumentando”, revela.
De acordo com Dr. Ricardo de Amorim explica que Herica tomou uma dose subcutânea a cada três semanas. “Com isso ela já saiu da Dobutamina. Não podíamos desligar hora nenhuma, por isso ela teve que ficar dois anos internada”, explicou o médico.
Dr. Ricardo explica que o medicamento Sotatercepte, usado pela paciente, atua em moléculas recentemente reconhecidas como alvo do tratamento. Foi observada uma melhora na condição clínica e assim foi possível suspender o uso da Dobutamina endovenosa e programar a alta hospitalar.
A resposta foi rápida e finalmente com a melhora ela conseguiu voltar para casa, para perto do filho Bryan, de 12 anos, que sentia muito a falta da mãe e dizia sempre que ela “estava demorando muito para voltar” e para perto dos familiares e do namorado.
Herica está muito agradecida por todo tratamento recebido, pela confiança e por ter uma vida nova agora. “O choro agora é de felicidade”, desabafa.
Mesmo estando de alta, a paciente continua sendo monitorada pela equipe médica. Segundo o médico Ricardo, ela vai continuar tomando os demais medicamentos e terá que fazer controles periódicos em consulta, pelo menos de três em três meses. Ele explica que nessas primeiras semanas, Herica fará aplicação do medicamento de 21 em 21 dias.