Fernando Alexandre afirma que "obviamente há resistências" nas escolas à reforma da digitalização de exames
O ministro da Educação, Ciência e Inovação disse esta quarta-feira que “obviamente há resistências” na comunidade escolar à reforma para a digitalização da correção de exames. Em entrevista à RTP, Fernando Alexandre começou por discordar da interpretação feita às palavras do primeiro-ministro, que apontou “algumas resistências” de professores à reforma, mas, momentos depois, garantiu que essas resistências existem efetivamente.
O ministro sugeriu que a reforma orgânica que tem levado a cabo no ministério pode ter contribuído para essas resistências. Lembrou, por exemplo, que o atual Governo diminuiu para metade o número de funcionários dos serviços centrais do Ministério da Educação e em 40% os cargos dirigentes.
Apesar de reconhecer essas “resistências”, acredita ter o apoio generalizado da comunidade escolar: “Só posso estar a fazer a reforma profundíssima que estou a fazer no Ministério da Educação, porque tenho o apoio das escolas e professores. Nestas três semanas, além da minha resiliência natural, foi [importante] o apoio das escolas.”
O ministro revelou também que, até esta quarta-feira, foram reportados 680 casos de desconformidades nos exames, no sistema próprio para o efeito. “Na maior parte dos casos, são corrigidos muito rapidamente. Sei que vamos poder corrigir todos os erros. Portanto, no final, todos os alunos vão ter a sua classificação e não serão prejudicados quer no acesso ao ensino superior quer na conclusão do secundário”, garantiu.
“Temos agora uma segunda fase que nos vai permitir corrigir procedimentos. Imagine-se que tínhamos os mesmos problemas… eu diria que este processo acabou em Portugal”, disse em entrevista à RTP.
Quanto à diminuição do número de alunos a candidatar-se à primeira fase de acesso ao ensino superior, Fernando Alexandre considerou que esse dado “não é relevante”. No primeiro dia em que os alunos puderam submeter a sua candidatura, apenas 304 alunos apresentaram candidatura, um valor que no ano passado ultrapassou os 10 mil no mesmo período.
Durante todo este processo de avaliação dos exames nacionais, Fernando Alexandre acredita que existiu um “alarmismo exagerado”, apesar de sublinhar que “não desvaloriza a perturbação que existe” e assumir a responsabilidade pelos problemas registados. “O responsável último deste processo sou eu.”
O ministro admite que houve uma “crise de confiança”, mas afasta demitir-se. “Estamos a garantir que um processo que começou mal, que fomos corrigindo, [vamos] levar a bom porto. Se concluirmos este processo, acredito que tenho condições para continuar a transformação que estou a fazer no Ministério da Educação. Embora, obviamente, seja sempre uma avaliação do primeiro-ministro”, afirma.
Fernando Alexandre assumiu mesmo que as últimas semanas foram “as mais difíceis” da sua vida profissional, mas assumiu que sairá do Governo pelo próprio pé, se algum dia entender que o deve fazer. “Quando considerar que não estou à altura da minha responsabilidade não precisarei que alguém me diga para sair”, acrescentou.
Por fim, Fernando Alexandre reagiu também às declarações de António José Seguro sobre o risco de iniquidade dos exames nacionais, assumindo que essa é uma “preocupação natural que o Presidente manifeste”. “Essa preocupação da igualdade é uma que tenho desde o início. As medidas que temos tomado vão no sentido de garantir a equidade.” O ministro disse que está “sempre disponível para ouvir críticas, venham elas de onde vierem”.
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