Ministro da Defesa de Israel desafia Turquia a acolher membros do Hamas
Numa mensagem nas redes sociais, Katz afirmou que, se o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, "quiser ajudar os seus parceiros de viagem em Gaza, deveria convidá-los a instalarem-se em Antalya", referindo-se aos militantes do Hamas e a uma cidade turística no sul da Turquia.
"Há muito espaço lá na ausência de turistas israelitas", ironizou o ministro da Defesa, num novo episódio de tensão entre Telavive e Ancara.
Antalya era um destino popular para os israelitas antes da deterioração das relações entre os dois países nos últimos anos, sobretudo a partir dos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza e agravaram a instabilidade no Médio Oriente.
"Israel continuará a agir para alcançar plenamente os seus objetivos de segurança e garantir que a ameaça do 07 de Outubro não regresse", prosseguiu Katz, um mês após as forças israelitas terem bombardeado uma base aérea no norte da Síria, com o pretexto da presença de uma delegação turca, que foi rejeitada por Ancara.
Israel Katz disse na quarta-feira que 70% dos habitantes da Faixa de Gaza já tinham sido "retirados" das suas casas e que o exército israelita estava pronto para "terminar o trabalho para que também se possa implementar o plano de migração".
O ministro da Defesa referia-se ao plano que ele próprio anunciou em agosto de esvaziar o enclave palestiniano, numa megaoperação migratória apresentada como "voluntária" e sujeita a acordo dos países de acolhimento, mas que aguarda ainda aprovação dos Estados Unidos, país mediador do conflito no território palestiniano.
A declaração de desafio à Turquia surge no mesmo dia em que o primeiro-ministro israelita reafirmou o compromisso de "ajustar contas" com os autores dos ataques do 07 de outubro.
"Estamos a acertar as contas com os que restam. Não são muitos, porque estamos a cuidar deles", declarou Benjamin Netanyahu, segundo um comunicado divulgado pelo seu gabinete, no qual ameaça que o exército vai continuar "a persegui-los a todos" e que não haverá refúgio seguro na Faixa de Gaza.
"Ninguém está imune", continuou o chefe do Governo, que em 27 de outubro vai jogar o futuro da coligação do seu partido, Likud, com a extrema-direita, nas legislativas em Israel, em que as responsabilidades e gestão do 07 de Outubro surgem como um dos temas centrais.
No seu comunicado, Benjamin Netanyahu insistiu também que, além do Hamas, as forças israelitas também "derrotarão o regime iraniano" e "derrubarão" o grupo xiita libanês Hezbollah, aliado de Teerão.
"O inimigo não é estático e as coisas estão a mudar. O desejo do Irão e dos seus aliados de destruir o Estado de Israel não desapareceu. Simplesmente enfraqueceu", justificou Netanyahu.
O líder israelita sustentou que as capacidades iranianas foram "severamente reduzidas" pela ofensiva conjunta lançada em fevereiro com os Estados Unidos e que "a maior parte do trabalho" já está feito, alertando porém que ainda não está concluído.
"Vamos eliminar o Hamas e, acima de tudo, derrotar o regime iraniano. Vamos derrubar o regime. Ele cairá. Também lidaremos com o Hezbollah, e ele também cairá", acrescentou.
A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que causou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
Desde o início do atual cessar-fogo, acordado em outubro do ano passado, as autoridades da Faixa de Gaza contabilizam mais de 1.300 palestinianos mortos em ataques das forças israelitas, que mantêm altas restrições à entrada de jornalistas e observadores independentes no território.
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