Ministro radical israelita propõe esvaziar Gaza dos seus habitantes palestinianos
De acordo com a brochura, intitulada Programa Nacional de Trabalho para a Transferência Voluntária da Faixa de Gaza, 250 mil pessoas seriam levadas a abandonar o território no prazo de um ano, com os restantes dois milhões de palestianos que permanecem no território, a seguirem o mesmo caminho ao longo de seis anos.
“Devemos incentivar a emigração dos residentes de Gaza”, declarou o Ben-Gvir em declarações difundidas pela televisão, assegurando que não se tratava de “forçar” os palestinianos a abandonar as suas terras. O ministro afiançou que a medida "é realista" e referiu que vários países estavam “prontos” a acolher os habitantes de Gaza, sem contudo especificar quais.
Ben-Gvir é uma figura chave e contestada do governo do primeiro-ministro de Benjamin Netanyahu mas não é a única figura política da direita e extrema-direita israelitas a propor a transferência dos palestinianos de Gaza.
A ideia não é nova e Ben-Gvir é somente o mais recente a defender a medida em plena campanha eleitoral que promete ser renhida.
Esta quarta-feira, o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou também que o seu país estava preparado para transferir palestinianos habitantes de Gaza, desde que os Estados Unidos aprovassem o plano. É uma medida que Katz tem vindo a defender há vários meses.
Também em fevereiro, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, líder de um partido de extrema-direita, propunha mesmo o alargamento desta medida aos palestinianos da Cisjordânia. A direita e extrema-direita de Israel integram o atual executivo de coligação. O governo liderado por Netanyahu ainda não anunciou quaisquer medidas concretas quanto ao esvaziamento de Gaza, estando a deixar o discurso radical para os extremistas.
Ben-Gvir, líder do partido Poder Judaico, prometeu exigir “um ministério dedicado à emigração” durante a formação do próximo governo, sublinhando que o seu plano era “concreto” e “resultado de um ano e meio de trabalho”.
A questão do futuro da Faixa de Gaza é central na campanha para as eleições parlamentares que se realizam em Israel no dia 27 de Outubro.
A deslocação forçada de uma população civil é um crime de guerra segundo o direito internacional.
Em Gaza, a maioria dos residentes foi deslocada pela guerra devastadora iniciada por Israel após os ataques sem precedentes de 7 de Outubro de 2023, perpetrados pelo Hamas, que mataram mais de 1.200 pessoas em território israelita.
Durante três anos, mais de 73.000 pessoas foram mortas pelo exército israelita em Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, que está sob a autoridade do Hamas e cujos números são considerados fiáveis pelas Nações Unidas.
c/agências