Mistério flutuante: Ilha com quase 100 árvores aparece num lago, desaparece e surge 30 quilómetros mais longe

🗓️ 2026-09-06 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

Uma ilha flutuante com cerca de 140 a 150 metros de comprimento e aproximadamente 70 a 75 metros de largura está a surpreender habitantes, navegadores e especialistas no Canadá. A massa de vegetação, que alberga perto de uma centena de árvores, surgiu no reservatório de Williston, na Colúmbia Britânica, sem aparecer nos mapas ou nas cartas náuticas conhecidas, foi filmada por um navegador, desapareceu poucos dias depois e acabou por ser localizada novamente cerca de 30 quilómetros mais longe.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

O fenómeno, que à primeira vista parece desafiar qualquer explicação, aconteceu num dos maiores reservatórios da região. A ilha foi inicialmente avistada durante o verão, na zona de Finlay Bay, e as primeiras imagens foram tão inesperadas que até a própria BC Hydro, empresa pública responsável pela gestão do reservatório e da barragem W.A.C. Bennett, teve dúvidas sobre a sua autenticidade.

Uma ilha que parecia impossível
A massa de terra coberta de vegetação chamou a atenção de um navegador, que decidiu aproximar-se e filmá-la. As imagens mostram uma estrutura aparentemente flutuante sobre a água, coberta por árvores que se movem com a ondulação do reservatório.

Entre a vegetação é possível distinguir quase uma centena de árvores, incluindo coníferas e espécies de folha larga. O conjunto não se parece, portanto, com um simples aglomerado de troncos ou detritos a flutuar, mas antes com uma pequena floresta que se desprendeu da margem e passou a deslocar-se sobre a água.

A dimensão estimada da estrutura também contribuiu para o espanto. As estimativas apontam para cerca de 140 metros de comprimento e 70 metros de largura, embora as primeiras descrições tenham referido aproximadamente 150 por 75 metros. A área ronda, assim, os 9.800 metros quadrados, equivalente a cerca de dois campos de futebol.

Continue a ler após a publicidade

Continue a ler após a publicidade

A primeira reação da BC Hydro foi de desconfiança. Bob Gammer, responsável pelas relações comunitárias da empresa, reconheceu que, numa época em que imagens e vídeos podem ser facilmente criados ou manipulados através de inteligência artificial, era necessário confirmar que aquilo que estava a ser mostrado existia realmente.

Quando viu as primeiras imagens, Gammer considerou-as “realmente impressionantes e incríveis”, mas explicou que era necessária “outra forma de verificação ou evidência, como o testemunho de um testemunho presencial”. Essa confirmação acabaria por chegar através de observações no local e de imagens de satélite.

As imagens de satélite confirmaram o fenómeno
A análise das imagens de satélite permitiu demonstrar que a ilha não era uma montagem nem uma criação digital. A estrutura estava efetivamente a flutuar na parte principal do reservatório de Williston, aproximadamente 97 a 100 quilómetros a oeste da barragem W.A.C. Bennett.

A partir desse momento, a questão deixou de ser saber se a ilha existia e passou a ser perceber de onde tinha vindo e como poderia uma massa vegetal daquela dimensão deslocar-se pelo reservatório.

O mistério tornou-se ainda maior quando a ilha deixou de aparecer nas imagens disponíveis. Durante alguns dias, parecia simplesmente ter desaparecido.

Continue a ler após a publicidade

No entanto, a ausência das imagens não significava necessariamente que a estrutura tivesse afundado. A explicação avançada pela BC Hydro apontava para a possibilidade de a ilha ter sido empurrada pelas correntes e pelo vento para uma zona mais protegida junto à margem, onde deixou de ser facilmente visível.

Essa hipótese acabou por se confirmar. A ilha foi localizada novamente junto à margem, na zona do braço de Ospika, aproximadamente 30 quilómetros a noroeste do local onde tinha sido inicialmente identificada.

A BC Hydro confirmou posteriormente que a estrutura tinha percorrido cerca de 30 quilómetros em aproximadamente 15 dias, mantendo-se aparentemente intacta durante o percurso. As imagens de satélite e observações aéreas permitiram acompanhar o seu deslocamento.

O reservatório pode ter criado a própria ilha
Apesar do aspeto extraordinário do fenómeno, a explicação avançada pelos responsáveis do reservatório não envolve qualquer fenómeno sobrenatural. O mais provável é que a ilha seja o resultado de um processo que demorou muitos anos.

O reservatório de Williston não é um lago natural convencional. Trata-se de uma enorme massa de água criada na sequência da construção da barragem W.A.C. Bennett, no rio Peace. O enchimento começou em 1968 e transformou profundamente a paisagem da região.

Continue a ler após a publicidade

Com aproximadamente 1.700 quilómetros quadrados à sua capacidade máxima, o reservatório é o maior da Colúmbia Britânica e uma das maiores massas de água deste tipo no mundo em termos de volume.

Em determinadas zonas protegidas das margens, troncos, ramos e outros restos de madeira podem acumular-se durante longos períodos. Sobre esses materiais podem crescer musgo, plantas e árvores, enquanto as raízes se desenvolvem e entrelaçam com os detritos existentes.

Com o passar dos anos, a combinação de madeira em decomposição, raízes, turfa e vegetação pode formar uma estrutura suficientemente coesa para permanecer à superfície da água.

É essa a explicação considerada mais provável para a origem da ilha: uma massa de restos vegetais que se foi consolidando ao longo de muitos anos e que permaneceu junto à margem até que uma alteração significativa do nível da água a libertou.

Bob Gammer explicou que árvores tombadas podem acumular-se em zonas mais abrigadas e, com o tempo, tornar-se a base para o crescimento de outra vegetação. Quando o nível da água aumenta suficientemente, uma estrutura desse tipo pode acabar por se desprender e começar a flutuar.

A subida da água pode ter libertado a massa vegetal
O comportamento recente do reservatório ajuda a explicar por que razão uma estrutura que poderá ter permanecido estável durante anos começou agora a deslocar-se.

Continue a ler após a publicidade

O nível de água de Williston está atualmente no valor mais elevado dos últimos 14 anos. As fortes nevadas registadas durante o inverno, seguidas de uma primavera e de um verão com bastante precipitação, contribuíram para aumentar o caudal do rio Peace e elevar o nível do reservatório.

A subida da água pode ter sido suficiente para retirar do seu local original a massa de madeira e vegetação que acabou por formar a ilha. Uma vez libertada, a estrutura ficou sujeita à ação do vento, das correntes e das oscilações do nível da água.

O resultado foi uma ilha capaz de percorrer dezenas de quilómetros sem se desfazer.
As imagens de satélite analisadas pela BC Hydro mostram precisamente essa deslocação: a estrutura estava inicialmente na zona de Finlay Bay e acabou por chegar ao braço de Ospika, onde ficou encostada à margem. A empresa confirmou que não esperava qualquer impacto nas operações da barragem.

Porque é que a ilha desapareceu?
O desaparecimento temporário foi, provavelmente, uma questão de localização e não de profundidade.

Uma massa flutuante com estas dimensões pode parecer fácil de encontrar, mas o reservatório de Williston é gigantesco. Com cerca de 250 quilómetros de extensão de norte a sul e 125 quilómetros de largura de este a oeste, procurar visualmente uma estrutura isolada numa área tão extensa seria extremamente difícil.

Por isso, a ausência da ilha nas imagens e dos relatos dos navegadores alimentou inicialmente o mistério. A possibilidade de ter afundado chegou a ser considerada, mas a explicação mais provável era que tivesse sido deslocada para uma zona onde não era facilmente observável.

Continue a ler após a publicidade

A localização posterior confirmou essa hipótese. A estrutura foi encontrada junto à margem do braço de Ospika e aparentava continuar inteira.

O fenómeno é raro, mas não é único
Embora a aparição de uma ilha flutuante deste tamanho em Williston tenha surpreendido os especialistas e seja considerada uma ocorrência rara naquela região, o fenómeno em si não é desconhecido.

Existem outros exemplos de grandes massas de vegetação que se desprendem das margens e passam a flutuar em lagos e reservatórios. Um dos casos conhecidos é o Forty Acre Bog, no Wisconsin, uma enorme massa flutuante formada por uma combinação de turfa, lama, raízes, madeira e árvores.

No caso de Williston, a dimensão da estrutura e o número de árvores que permanecem sobre ela tornam o fenómeno particularmente impressionante. A BC Hydro reconhece que esta é a primeira vez que, tanto quanto é do conhecimento da empresa, uma ilha flutuante desta natureza é observada no reservatório.

O caso também despertou o interesse de investigadores interessados na formação e deslocação de ilhas vegetais flutuantes. A própria BC Hydro reconhece que ainda existem perguntas por responder sobre a origem exata da estrutura e sobre a forma como conseguiu manter-se coesa durante a deslocação.

Uma ilha que pode voltar a deslocar-se
O facto de a ilha ter chegado à margem não significa necessariamente que permaneça no mesmo local. A força do vento e das ondas pode voltar a libertá-la, sobretudo porque a estrutura é constituída por madeira, raízes e matéria vegetal em diferentes estados de decomposição.

A empresa responsável pelo reservatório considera que a massa é instável e aconselha os navegadores a não tentarem subir para cima dela. A aproximação de barcos para observar ou fotografar a ilha é possível, mas tentar desembarcar sobre a estrutura pode ser perigoso, uma vez que a superfície não constitui terreno sólido.

Continue a ler após a publicidade

“É frágil”, explicou Bob Gammer, alertando para o facto de as árvores poderem ser vistas a balançar sobre a massa flutuante. O responsável sublinhou que a estrutura é naturalmente instável e que existe o risco de uma pessoa cair através dela.

A recomendação é, por isso, observar a ilha à distância e não tentar caminhar ou atracar diretamente sobre ela.

A BC Hydro continuará a acompanhar a sua posição para perceber se volta a deslocar-se ou se permanece presa à margem. Existe ainda a possibilidade de a estrutura se fragmentar, transformando-se num conjunto de detritos flutuantes em vez de permanecer como uma única massa.

O mistério ficou parcialmente resolvido
A descoberta da localização da ilha resolveu uma das principais incógnitas do caso, mas não respondeu a todas as perguntas. Sabe-se agora que a massa não desapareceu nem afundou: percorreu cerca de 30 quilómetros e acabou por se fixar temporariamente junto à margem do braço de Ospika.

A origem exata da estrutura continua, contudo, a ser uma hipótese baseada no modo como se acumulam troncos e matéria vegetal em zonas protegidas do reservatório. A teoria mais provável é que tenha levado muitos anos a formar-se e que a subida excecional do nível da água tenha finalmente permitido que se soltasse.

A descoberta também mostrou como um fenómeno natural de grandes dimensões pode permanecer praticamente invisível durante algum tempo num reservatório desta dimensão. Foram os relatos de navegadores, as fotografias e os vídeos e, sobretudo, as imagens de satélite que permitiram reconstruir o percurso daquilo que parece ser uma pequena floresta transformada numa ilha flutuante.

Por enquanto, a ilha de Williston continua sem nome. Mas já deixou de ser apenas uma aparição inexplicável no meio de um lago canadiano: é uma estrutura vegetal flutuante com dezenas de árvores, capaz de viajar dezenas de quilómetros sobre a água e que poderá continuar a mudar de lugar enquanto as condições do reservatório o permitirem.