Moçambique quer mais negócios e investimento entre países da CPLP
"Os pequenos negócios e o empreendedorismo são a espinha dorsal das nossas economias. Estão nas cidades e no campo. Fortalecê-los é fortalecer as famílias, fortalecer o emprego e as próprias economias dos nossos países, nas nossas comunidades", afirmou Basílio Muhate, na abertura do IV Diálogo sobre Pequenos Negócios e Empreendedorismo da CPLP.
No evento, realizado no âmbito das celebrações dos 30 anos da CPLP, o governante desafiou ainda o setor empresarial da comunidade lusófona a contribuir para transformar a organização numa comunidade cada vez mais orientada para as oportunidades económicas, aproveitando a proximidade histórica, cultural e linguística para impulsionar o comércio, o investimento, o desenvolvimento empresarial e a criação de emprego, sobretudo para os jovens.
"É neste contexto que consideramos importante aprofundar, no espaço da CPLP, soluções que facilitem a transição da informalidade para a formalidade e aproximem os pequenos negócios das oportunidades existentes nos nossos países. Queremos uma CPLP viva, útil e próxima dos povos, que não se limita a celebrar aquilo que somos, mas que tenha coragem de construir aquilo que queremos ser no futuro", afirmou.
Muhate destacou a língua portuguesa como um dos principais instrumentos de aproximação entre os países-membros e um facilitador da atividade económica e empresarial.
"Que a língua que nos aproxima seja também a língua dos nossos negócios. Que a história que nos une seja também a força dos nossos projetos para o futuro e que a comunidade que construímos juntos se transforme cada vez mais numa comunidade de oportunidades para os nossos povos", acrescentou.
O ministro recordou que Moçambique continua a enfrentar o desafio da independência económica e apelou aos empresários da CPLP para participarem nesse esforço, transformando desafios comuns em oportunidades para as novas gerações.
"Nós queremos ajudar as nossas empresas a passar da sobrevivência ao crescimento, da informalidade à formalização e do mercado local às cadeias de valor nacionais, regionais e globais", afirmou.
Muhate destacou ainda a importância da transformação digital para o futuro do empreendedorismo, numa altura em que as tecnologias reduzem distâncias e permitem a pequenas empresas alcançar mercados para além das fronteiras nacionais.
"Se a nossa língua já atravessa continentes em segundos no espaço digital, devemos criar condições para que também as oportunidades e os negócios possam fazer o mesmo e ao mesmo ritmo. Devemos igualmente construir pequenos negócios mais resilientes às mudanças climáticas", concluiu.
Por seu turno, o representante do setor empresarial da CPLP, Vinícius Lages, defendeu o reforço da cooperação e da partilha de experiências entre os Estados-membros como forma de apoiar o desenvolvimento das pequenas e médias empresas, consideradas essenciais para o crescimento económico.
"Temos muito que colaborar e aprender uns com os outros no desenho de políticas públicas, de implementação, de programas e de metodologias", afirmou.
Segundo Lages, o principal objetivo passa por apoiar a transformação das pequenas e médias empresas que constituem a maioria do setor informal em muitos países da comunidade.
O representante empresarial sublinhou ainda que, apesar das diferenças entre os países da CPLP, existem desafios comuns que tornam essencial o diálogo e a cooperação, sobretudo num contexto marcado por crescentes desafios geopolíticos e geoeconómicos.
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