Moção de censura ao Governo "é legítima, embora não faça sentido"
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerou, esta sexta-feira, que a moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega é "legítima", embora "não faça sentido".
"Falaremos na próxima terça-feira na Assembleia da República perante os representantes do povo respondendo a uma iniciativa que é legítima por parte de um partido da oposição, embora não faça sentido", respondeu aos jornalistas à margem de uma visita à 35.ª Feira do Vinho do Dão, em Nelas.
Perante a insistência da comunicação social, o primeiro-ministro remeteu para as declarações feitas ontem sobre o tema e reiterou que "a próxima vez" que falará dele "será na terça-feira da próxima semana a partir das três da tarde" no Parlamento.
"Por respeito a esse momento [debate da moção de censura], que é um momento solene da vida política e democrática do país, remeto todas as considerações sobre o objeto da moção de censura para o respetivo debate", insistiu o primeiro-ministro.
Apesar da relutância de Luís Montenegro em voltar ao assunto, o Governo já tinha classificado hoje, pela voz do ministro da Presidência, a moção de censura como "uma coreografia sem consequências" e assegurou que o executivo continuará a não ter parceiros preferenciais nas negociações de diplomas.
"O que fica claro é que esta é uma coreografia que não se destina a obter esclarecimentos e, pelo desfecho previsível, não parece uma coreografia que se destine a ter consequências", afirmou António Leitão Amaro, em conferência de imprensa após a reunião semanal do Conselho de Ministros.
O ministro foi questionado se todo o Governo está confortável com as sucessivas notícias que envolvem o ministro da Administração Interna – cuja manutenção no executivo está na base da justificação do Chega para censurar o Governo - tendo respondido que o tema "não foi discutido no Conselho de Ministros".
"Em particular, sobre o ministro da Administração Interna, relativamente ao qual incidiram em particular algumas das vossas questões, o primeiro-ministro já se pronunciou sobre isso muito recentemente e não há nada que eu, em particular no fim e no contexto de uma conferida imprensa sobre o Conselho de Ministros, vá ou deva acrescentar", disse.
Leitão Amaro afirmou que o Governo não irá distrair-se com esta moção de censura e manterá o foco "nas soluções dos problemas dos portugueses.
A moção de censura do Chega ao Governo vai ser discutida no parlamento na terça-feira e já tem rejeição garantida, uma vez que precisaria de 116 votos a favor para ser aprovada e fazer cair o Governo, hipótese já afastada de forma clara por PS e IL.
A moção de censura do Chega vai ser a primeira ao XXV Governo Constitucional e a terceira a executivos PSD/CDS-PP liderados por Luís Montenegro. O documento intitula-se "Pelo fim de um Governo sem autoridade política, incapaz de assumir responsabilidades e de garantir confiança nas instituições" e visa responsabilizar o primeiro-ministro pela manutenção no Governo do ministro da Administração Interna.
[Notícia atualizada às 19h16]

Luís Neves é ouvido no Parlamento 3.ª-feira (antes da discussão da moção)
A audição está marcada para as 10h00, enquanto que o debate da moção de censura apresentada pelo Chega arranca nessa tarde, às 15h00.
Tomásia Sousa | 17:27 - 04/09/2026