Monsaraz “é uma zona com geologia semelhante à de Marte”
Em abril de 2027, Monsaraz recebe uma missão que vai simular uma viagem a Marte. João Lousada explica porque é que "falhar na Terra" é essencial para preparar a exploração humana do planeta vermelho.
Em abril do próximo ano, a região de Monsaraz deixará de ser apenas uma das paisagens mais emblemáticas do Alentejo para se transformar num laboratório de preparação para futuras missões humanas a Marte. A missão análoga AMADEE-27 vai reunir investigadores, engenheiros e “astronautas análogos” de vários países para testar tecnologias, procedimentos e experiências em condições que procuram reproduzir, na Terra, alguns dos desafios operacionais do planeta vermelho.
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EscolherPortugal assume um papel cada vez mais relevante na preparação da exploração espacial, não apenas pela localização escolhida para acolher a missão, mas também pelo crescente envolvimento da comunidade científica nacional. “Portugal reuniu todas as condições que lhe permitiram ter uma excelente missão. O impacto [no país] pode ser enorme e daí também a razão de nós fazermos esta chamada para experiências nacionais. É um excelente ponto de avanço para diferentes tipos de tecnologia, para diferentes aplicações, para diferentes áreas científicas nacionais“, refere João Lousada, Chefe de Operações da ISS para a ESA, astronauta análogo e comandante de missões no OeWF (Fórum Espacial Austríaco), ao ECO/eRadar.
“Existe um grande crescimento no setor espacial em Portugal e isso tem dinamizado muito o ecossistema. Vemos já experiências e investigações. Algo que nós queremos fazer com esta missão é trazer os benefícios para Portugal. Dar aos institutos de investigação portugueses, universidades, indústria, esta possibilidade de participar na missão, para desenvolver novas tecnologias, novas experiências e a ciência”, admite.
Para o astronauta análogo português e um dos responsáveis envolvidos na preparação da missão, iniciativas como esta “são um excelente test drive” para transitar tecnologias e experiências do laboratório até à aplicação real, contribuindo para a economia portuguesa. “Tem um retorno do ponto de vista do desenvolvimento da tecnologia, do ponto de vista do conhecimento, mesmo ponto de vista económico. Gera trabalho e gera retorno.“
Em abril do próximo ano, Portugal passará a ser Marte ao receber a missão análoga AMADEE-27. Porque Monsaraz foi escolhido para receber esta missão? O que é que a região oferece?
Quando selecionamos este tipo de ambientes, existem vários fatores que é preciso ter em conta. Por um lado, do ponto de vista geológico, ou seja, mineralogia e geologia, seja bastante semelhante a algumas zonas específicas de Marte que queremos explorar. [Monsaraz] é uma zona com geologia semelhante à de Marte.
Depois temos que considerar aspetos como a logística, em termos de transporte, equipamento e tudo isso. Estamos ainda a falar do planeta Terra e, por vezes, é mais fácil levar coisas para o espaço do que levar para certos países, quando temos que lidar com fronteiras, importação, exportação. É também um fator a ter em conta.
Outro fator é também o clima geopolítico. Muitas vezes estamos a falar de regiões remotas, mas que por uma razão ou por outra estão afetadas por conflitos ou por guerras, que de certa forma excluímos.
Neste caso, Portugal reuniu todas as condições que lhe permitiram ter uma excelente missão. Foi um conjunto de todos esses fatores que entraram em conta e que levaram a esta situação.
João Lousada numa Atividade Extraveicular (EVA) durante a missão AMADEE-18, no deserto de Dhofar, em Omã. Utilização de uma ferramenta impressa em 3D para recolha de amostras geológicas
Qual a diferença da missão em Portugal com as nos outros países? Qual será o foco principal?
Nesta missão existem três fatores em que nos estamos a focar. Um deles é o fator humano, do ponto de vista fisiológico: como o corpo humano reage dentro do fato espacial, normalmente com altas temperaturas, com uma carga física bastante elevada, como reage o ritmo cardíaco, a temperatura interna, porque isso vai ajudar-nos a perceber como vamos desenvolver os novos fatos espaciais que usaremos um dia em Marte.
Temos também dentro do fator humano a parte psicológica. Como as equipas lidam com conflitos, com stress, com um ambiente fechado, isolado.
Algo que nós queríamos fazer com esta missão é também trazer os benefícios para Portugal. Dar aos institutos de investigação portugueses, universidades, indústria, esta possibilidade de participar na missão, para desenvolver novas tecnologias, novas experiências e a ciência.
Depois, o segundo ramo é a parte da robótica. A exploração de um ambiente em que não estivemos antes e como será a colaboração entre humanos e robôs. Temos um aumento da autonomia dos robôs, que é bastante importante. Traz benefícios muito maiores àqueles que temos tido até agora com os rovers usados.
Temos ainda que lidar com o time delay, ou seja, o nosso sinal, o nosso comando com o rover, demora, dependendo da órbita e local da órbita, de Marte à Terra entre 4 a 20 minutos, em cada direção. Comandar um rover com esse time delay é bastante diferente de comandar algo em real time, onde podemos ter diretamente o feedback, as câmaras, o controlo e podemos explorar muito mais facilmente. Então, um dos conceitos que queremos explorar é essa interação entre robôs e humanos na exploração.
O terceiro ramo é o habitat em si e como nós o adaptamos para uma missão de longa duração. Estamos a falar, por exemplo, do sistema de suporte de vida avançado, com a biorregeneração do sistema de suporte de vida. De nutrição sustentável que possamos crescer, ou seja, através de plantas na alimentação também fazer parte deste tipo de missões.
Em que fase de preparação está atualmente a missão?
Em termos de desenvolvimento até agora, o que está feito é a seleção do local, claro. Existe também todo um processo anterior em termos de observação de diferentes locais por todo o mundo e a seleção do local em si. Isso está feito.
O que está feito, também recentemente, foi o treino de uma nova classe de astronautas análogos pelo Fórum Espacial austríaco. Foram selecionados no início do ano e, entretanto, fizeram treino básico. Estão oficialmente certificados e aptos para fazer a missão. O que falta fazer será agora selecionar a tripulação para fazer parte da missão. Será uma mistura entre alguns dos mais experientes e alguns destes novos astronautas análogos que se certificaram agora.
Um dos próximos passos, que acontecerá por volta de outubro e novembro, será a assinatura oficial do Memorandum of Understanding (Memorando de Entendimento), o documento oficial que simboliza o acordo que temos para fazer a missão.

O que está feito também é a seleção de experiências internacionais. Temos já um grupo de 17 experiências internacionais, de diferentes institutos de investigação e universidades, um pouco por todo o mundo, relacionados com a missão e preparadas para as experiências. Está a decorrer também uma seleção de experiências portuguesas. Tivemos recentemente uma call para as experiências portuguesas também fazerem parte da missão.
Dessa call serão selecionadas 17 experiências, as quais têm algum envolvimento português, alguns investigadores portugueses, mas mais ligados a organizações internacionais, como por exemplo a Agência Espacial Europeia. Algo que nós queremos fazer com esta missão é trazer os benefícios para Portugal. Dar aos institutos de investigação portugueses, universidades, indústria, esta possibilidade de participar na missão, para desenvolver novas tecnologias, novas experiências e a ciência. Estamos a aceitar calls, estamos a aceitar propostas até setembro.
Depois em setembro são selecionadas um número ainda por definir, porque dependerá também de parâmetros, como por exemplo quanto tempo de tripulação é necessário, quanta energia. Tentaremos dar possibilidade a quantas mais experiências seja possível, dependendo também dos recursos ainda disponíveis para a missão.
A missão está bem encaminhada, temos um horário bem definido. Estamos a progredir bem através dos milestones. Temos já um grande interesse científico um pouco por todo do mundo.
Portugal teve desenvolvimento nos últimos anos, desde a criação da Agência Espacial Portuguesa e não foi assim há tanto tempo. Existe um grande crescimento no setor espacial em Portugal e isso tem dinamizado muito o ecossistema nacional. Vemos já experiências e investigações portuguesas de alto nível.
Por ser em Portugal, de que forma pode a AMADEE-27 impactar as universidades, centros de investigação e empresas nacionais?
O impacto [no país] pode ser enorme e daí também a razão de fazermos esta chamada para experiências nacionais. É mesmo para dar essa possibilidade, essa oportunidade. É a possibilidade de dar um passo relativamente seguro e de maneira eficiente, sem grandes custos, até em termos de logística. Ser em Portugal é uma facilitação. Conseguimos de uma maneira bastante eficiente fazer esse primeiro passo no que será, por exemplo, uma missão no futuro à Estação Espacial Internacional ou uma missão às zonas mais longínquas.
Depende, também, de em que nível está a tecnologia em causa, mas é um excelente ponto de avanço para diferentes tipos de tecnologia, para diferentes aplicações, para diferentes áreas científicas nacionais.
João Lousada, astronauta análogo, a realizar um turno, como Diretor de Voo, no Centro de Controlo Columbus
Portugal tem vindo a consolidar algumas capacidades na área da robótica e em sistemas autónomos. Temos várias empresas com muito bom posicionamento e conhecimento destas ciências. Como ecossistema português pode contribuir para estes sistemas autónomos e robóticos do setor aeroespacial?
Portugal teve desenvolvimento nos últimos anos, desde a criação da Agência Espacial Portuguesa e não foi assim há tanto tempo. Existe um grande crescimento no setor espacial em Portugal e isso tem dinamizado muito o ecossistema nacional. Vemos já experiências e investigações portuguesas de alto nível.
Temos experiências a ocorrer na ISS (Estação Espacial Internacional) em termos de ciência de materiais, temos investigações na área da medicina espacial e também da robótica. Estamos no momento certo onde este tipo de missões, como a missão AMADEE-27, pode ser um ponto crucial para alcançar o próximo passo. Porque muitas vezes existe aquele passo necessário entre o laboratório ou a zona de testes e o mundo real, digamos, o espaço. As missões análogas muitas vezes servem para isso.
Ser em Portugal é uma facilitação. O impacto [no país] pode ser enorme e daí também a razão de nós fazermos uma chamada para experiências nacionais. É um excelente ponto de avanço para diferentes tipos de tecnologia, para diferentes aplicações, para diferentes áreas científicas nacionais.
Se pensarmos em rovers, mesmo não sendo para aplicações espaciais, existem várias coisas que podemos testar como a navegação. Se estivermos a falar de defesa, faria sentido testar a navegação sem o uso de GPS. Como é que o rover, por si próprio, através de imagens ou de LiDAR [Light Detection and Ranging], consegue fazer uma navegação num terreno sem referências, como em ambientes onde serão lançados no futuro? Como uma pessoa faria esse tipo de navegação?
Portanto, são inúmeras aplicações e este tipo de missões análogas são um excelente test drive, uma zona de testes para dar o próximo passo e conseguir fazer mais ainda do que temos feito até agora.
A missão prevê muita interação com robôs. Qual o papel e o apoio que a robótica terá nesta missão?
Existe maior presença robótica nesta missão do que em missões anteriores. Vai ser a missão com mais rovers individuais, tive um colega que me disse, que será a primeira missão com mais robôs do que astronautas.
Vai ser um grande exercício de colaboração e uma das experiências é exatamente isso: ver como é que os rovers conseguem colaborar entre si. Estamos a falar não só de rovers, mas também de drones, portanto, diferentes agentes robóticos que conseguem colaborar entre si. É algo que fizemos já em missões anteriores, mas numa versão mais simplificada.
Nós chamamos de Exploration Cascade [cascata de exploração]. Como é que nós, aterrando num local que não conhecemos, vamos explorar este ambiente? E, no nosso caso, passa primeiro por ter imagens aéreas. Através dos drones conseguimos, de forma autónoma ou manual, controlar e ter um mapeamento aéreo da zona onde estamos. Através dessas imagens conseguimos começar a identificar quais as zonas de interesse científico maior.
João Lousada dentro do habitat, durante a missão AMADEE-20, no deserto de Negev, em Israel. A usar o colete AstroRad — um protótipo destinado à proteção contra radiação
No seu artigo de opinião no eRadar, refere que um dos objetivos deste tipo de missões é de certa forma “que tudo falhe”, para se descobrir quais são limitações. Que tipo de falhas querem encontrar?
Alguém que trabalha numa experiência durante vários anos no laboratório conhece as particularidades da experiência. Por vezes são coisas simples, como segurar o cabo de certa maneira para que aquilo funcione, ou ser preciso carregar no botão, se calhar duas vezes em vez de três, sempre com particularidades.
Ter algo a funcionar no laboratório é importante. É importante verificar que os fundamentos estão lá, mas existe um passo adicional que é passar do laboratório para o terreno. As missões análogas têm essa capacidade de como é que nós vamos pegar numa tecnologia testada, desenvolvida, com um conceito científico que devemos perceber e como vamos passar do laboratório para o ambiente, neste caso Marte. Perceber qual é o passo inicial que temos de tomar.
As missões análogas são um sítio onde podemos testar como um equipamento lida com um terreno acidentado. Quando estamos a trabalhar com o fato espacial — o EVA, o Extra-vehicular Activity [Atividade Extraveicular] — não temos, por exemplo, uma mesa de laboratório. Como vamos pôr o equipamento? E o equipamento consegue funcionar naquele tipo de terreno? Como lida com areia e pó? Com a exposição ao Sol?
Existe maior presença robótica nesta missão do que tivemos nas missões anteriores. Vai ser a missão com mais rovers individuais, tive um colega que me disse, que será a primeira missão com mais robôs do que astronautas. Estamos a falar não só de rovers , mas também de drones, portanto, diferentes agentes robóticos que conseguem colaborar entre si.
São este tipo de fatores que muitas vezes são necessários testar neste tipo de missões. Aprendemos, por vezes, coisas que parecem simples depois de testar, mas que ainda não tínhamos identificado. Por isso, queremos encontrar na Terra todos os problemas possíveis antes de uma missão a Marte.
Posso também tirar partido da minha experiência com as estações espaciais. O meu trabalho também é ser o chefe de operações da ISS. Trabalho já há 10 anos nas operações da Estação Espacial Internacional e, por experiência, quando as coisas falham, muitas vezes é porque não fomos detalhados o suficiente. Não é por ser um conceito muito complicado, ou por ser algo extraordinário ou algo especial, é simplesmente falha de teste. É algo simples como, por exemplo, o cabo não funcionar.
Claro, testamos tudo o que pudermos, mas por vezes esquecemos de testar alguma coisa ou simplesmente não temos tempo, não é possível. Muitas vezes são esse tipo de testes que teriam ajudado a experiência a ter sucesso na Estação Espacial Internacional, por exemplo.
João Lousada, astronauta análogo, numa Atividade Extraveicular (EVA) durante a missão AMADEE-18, no deserto de Dhofar, em Omã
Já fez três missões, nenhuma em Portugal. Em que tipo de condições se realizaram e em que países?
Sim, até agora não. Esta será a primeira em Portugal. O Fórum Espacial Austríaco, é importante dizer, já faz missões há pelo menos 16 anos, tem uma história já bastante grande deste tipo de missões em diferentes países.
A minha primeira missão [AMADEE-15] foi em 2015, foi na Áustria, no glaciar de Kaunertal, a cerca de três mil metros de altitude. E esse é um ambiente que normalmente não assemelhamos muito a Marte, no glaciar, mas conhecendo mais a paleontologia de Marte, e pensando nas calotas polares — no polo norte e no polo sul —, temos um ambiente de mistura entre glaciar e rochas. Então, quisemos procurar um tipo de ambiente semelhante.
Ter algo a funcionar no laboratório é importante. É importante verificar que os fundamentos estão lá, mas existe um passo adicional que é passar do laboratório para o terreno. As missões análogas são um sítio onde podemos testar como é que um equipamento lida com um terreno acidentado. Por isso, queremos encontrar na Terra todos os problemas possíveis antes de uma missão a Marte.
A minha segunda missão [AMADEE-18] foi em Omã, no deserto de Tofar, em 2018. Procurámos um ambiente que tinha zonas onde a água costumava fluir, com antigos leitos de rio, que entretanto secaram. É muito semelhante ao que temos também em Marte, porque há muitos anos tinha também água no estado líquido. Uma das principais razões de explorar Marte é perceber se a vida terá surgido em Marte e, se surgiu, provavelmente estaria associada à água. São zonas de grande interesse científico, portanto, é importante perceber também como é que exploramos este tipo de ambientes.
A minha última missão [AMADEE-20] foi em 2021, em Israel, no deserto de Negev, onde testámos mais a parte da psicologia, a parte de estar isolados do mundo exterior. Tivemos um atraso na comunicação, como seria em Marte, artificial. Estamos na Terra, mas produzimos qualquer comunicação para o exterior com 10 minutos de atraso. Qualquer pergunta que tenhamos dentro do habitat são 10 minutos para chegar à Terra e 10 minutos para ter a resposta de volta, pelo menos 20 minutos até termos uma resposta. É algo que é preciso pensar uns quantos passos antes.
Existe potencial para Portugal acolher mais regularmente missões análogas?
Sim, sem dúvida. Portugal tem já algum passado em termos de missões análogas. A primeira missão análoga, chamada Camões, foi há cerca de dois anos, na Ilha Terceira dos Açores. Já é um passado que também levou a que pudéssemos fazer este tipo de missões, onde temos já o ambiente que permitiu missões anteriores. Nesta zona de Monsaraz temos feito já missões para estudantes do secundário, para, de certa forma, terem essa primeira experiência num tipo de ambiente análogo.
Mas esta será a missão de maior alcance, de maior impacto, que temos tido até agora em Portugal. Vem um bocado do trabalho da Agência Espacial Portuguesa, que trabalhou já há uns anos no Catálogo dos Análogos Portugueses, ou seja, um catálogo de locais em Portugal que podem ser ou serão bons ambientes análogos a diferentes locais espaciais, seja a Lua, seja a Marte, seja a diferentes locais do Sistema Solar.
Isso permitiu também trazer mais este tipo de atividades para Portugal, e colocar Portugal no mapa de exploração análoga, que agora, acho que hoje em dia se vê, teve um grande impacto.
João Lousada numa Atividade Extraveicular (EVA), ao anoitecer/crepúsculo durante a missão AMADEE-18, no deserto de Dhofar, em Omã
A Agência Espacial Portuguesa adiantou ao ECO/eRadar que ter um astronauta português é “uma ambição que tem de estar ao nosso alcance”. Será realista imaginar um astronauta português a participar numa dessas missões humanas à Lua ou até Marte na próxima década?
É apenas uma questão de tempo. Em Portugal nós temos talento, temos excelentes profissionais, tanto na parte científica como na engenharia, indústria, médicos. E temos a ambição. Em Portugal temos essa vontade. Falta um bocado ainda o apoio político, mas que, também, será uma questão de tempo. Temos excelentes indústrias e centros de investigação que naturalmente levará a isso.
O investimento no espaço acaba por ter um retorno na economia. Tem um retorno do ponto de vista da tecnologia, do desenvolvimento da tecnologia, do ponto de vista do conhecimento, mesmo ponto de vista económico. Gera trabalho e gera retorno.
Existem estudos que demonstram que por cada euro investido no setor espacial temos um retorno entre dois a sete euros de volta, ou seja, é um investimento que vale a pena e Portugal tem visto isso. Daí o resultado de haver agora um aumento desse investimento.
Se tivesse que resumir a importância da AMADEE-27 para Portugal numa ideia, qual seria?
É o potencial de ser um campo de testes e dar um passo importante, no desenvolvimento de tecnologia e de conhecimento para Portugal, que pode levar a novas capacidades, novos desenvolvimentos, que nos permitam chegar ao próximo nível, em termos de indústria, em termos de investigação, em termos do setor espacial português.