Montenegro associa PS a "aumento de preços da habitação"
Para Luís Montenegro, “o Partido Socialista é responsável pelo aumento dos preços da habitação em Portugal. Pela falta de casas no mercado de arrendamento e pela falta de casas no mercado de aquisição. Pode, naturalmente, querer utilizar de toda a demagogia como ainda ontem utilizou no Parlamento Europeu. Mas isso não vai resolver o problema”.
“Pode até dar um momentâneo conforto eleitoral àqueles que podem ser mais suscetíveis ao medo e ao susto que se quer criar. Não vai é resolver problemas. E para governar é preciso ter coragem. E para falta de coragem já tivemos anos que cheguem".
O primeiro-ministro frisou ainda que, no caso da lei do arrendamento, o PS não quer participar.
“Porque o Partido Socialista acha que está tudo bem. E foi assim durante oito anos, e durante oito anos cada vez houve menos casas, quer para aquisição, quer para arrendamento, cada vez os preços subiram mais. Não se fez nada. E ainda estamos a sofrer os efeitos dessa passividade, dessa omissão de intervenção com coragem", afirmou o chefe do Governo aos jornalistas.
Jornal da Tarde | 7 de outubro de 2026
Luís Montenegro deseja ainda que, “ o Partido Socialista esteja disponível para as grandes transformações. É isso que nós queremos. Não estamos sequer a propor nenhuma revolução no mercado do arrendamento. Nós estamos a fazer acertos que correspondem àquilo que são as políticas mais avançadas em todos os espaços desenvolvidos do mundo.
“Nós estamos a desenvolver uma política que visa dar mais oferta ao mercado. Porque o mercado funcionando, com mais oferta, possa moderar os seus preços. Sempre com muita solidariedade social. Sempre atendendo às condições mais frágeis dos portugueses quer têm mais dificuldade, desde logo do ponto de vista económico e financeiro e também do ponto de vista etário. Portanto, as pessoas mais velhas têm uma proteção legal que é muito equilibrada em Portugal e que vai continuar a ser". PS deu garantia ao país da viabilização do OE
Sobre a possibilidade do PS não viabilizar o Orçamento do Estado para 2026 depois da aprovação da Lei das Rendas, Luís Montenegro frisou que "uma coisa não tem a ver com a outra. O Partido Socialista tem toda a legitimidade para apresentar os seus pontos de vista políticos".
O primeiro-ministro realçou ainda que o PS não lhe deu pessoalmente a garantia da viabilização do documento, mas "deram ao país".
"Portanto, acho que essa tomada de decisão está assumida. Não me passa pela cabeça que os órgãos partidários, para quem a decisão final é garantida, não respeitem a proposta do secretário-geral do Partido Socialista. Mas, isso é uma questão do Partido Socialista da explicação sobre o seu posicionamento face ao Orçamento do Estado. O que eu quero aqui sinalizar é que os partidos políticos, todos eles, têm a legitimidade de apresentar os seus pontos de vista e de os defender com a sua fundamentação".
Segundo o primeiro-ministro, “não vale é a pena estar a criar falsas questões. Nomeadamente fazendo depender determinados posicionamentos de outros com os quais não há nenhuma relação. Senão, andamos aqui quase que a chantagear-nos uns aos outros. Não é isso que os portugueses esperam de nós".
"Os portugueses esperam é que tenhamos a capacidade, e a coragem, de defender as nossas posições, construir decisões e resolver os problemas".
Montenegro deixou ainda a garantia que não vai ceder a chantagens. "Isso não, seguramente. Não tenham a menor dúvida, nem agora nem nunca. Que isso fique muito claro. Mas, também não interpreto a posição do Partido Socialista como uma chantagem, pelo contrário, acho que o Partido Socialista quis sinalizar uma divergência. Eu percebi e resta-me respeitar”.PS “assusta” o país com “falsa questão”
O primeiro-ministro acusou ainda o PS de querer "assustar o país" com uma "falsa questão" de eventuais acordos escritos do Governo com o Chega além da lei do arrendamento, para a viabilização do Orçamento do Estado para 2027.
"Eu acho que a política não ganha nada em ser alimentada por casinhos suscitados por preciosismos de linguagem, por expressão quase de intriga política como modo de estar e de viver. Quem é que falou em acordos escritos? Parece que querem agora assustar o país", acrescentou Luís Montenegro.A reação do primeiro-ministro surge depois de, na
terça-feira, o PS ter criticado a proposta do Governo sobre a lei das
rendas que seguiu a semana passada para a discussão na especialidade
graças à abstenção do Chega e ter desafiado o executivo a esclarecer se
tem mais algum entendimento com o Chega, além do acordo escrito para a
lei do arrendamento.
"O Governo estabeleceu por escrito, é verdade, os princípios de entendimento para haver a viabilização de uma iniciativa legislativa. Muitas vezes fazemo-lo de forma verbal, como o PS bem sabe, outras vezes fazemo-lo acertando três ou quatro pontos que, do ponto de vista das partes, devem ser salvaguardados", esclareceu Montenegro, que lamentou que os socialistas queiram "criar um caso".
"Quantos mais acordos há? Não há mais, nem há menos. Há um Governo que governa. Há um Governo que resolve problemas. E há as oposições que umas vezes querem resolver, outras vezes não querem, legitimamente", disse.