Moradores acusam Proteção Civil de falhar em incêndio no Douro
O grupo de moradores, que criou o movimento "Isto Não fica Assim", segundo revelou hoje à Lusa o porta-voz, Pedro Correia, contesta a gestão feita pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
As pessoas ficaram "revoltadas e indignadas" com a gestão feita pela ANEPC, porque consideram que "falhou" no incêndio que deflagrou a 15 de agosto no concelho de Torre de Moncorvo e se alastrou, no dia seguinte, ao concelho de Carrazeda de Ansiães, onde lavrou durante vários dias.
"O território ficou praticamente todo queimado, ficámos sem sobreiros, perdemos muitas oliveiras, amendoeiras, videiras. Claro que costuma haver algumas ajudas para a agricultura, mas queríamos também que fosse planeado o futuro e que isto nunca mais aconteça", afirmou.
Pedro Correia perdeu 100 oliveiras, algumas centenárias, e também reservas no turismo, que se traduzem "num prejuízo de quatro mil euros".
"Na noite do dia 15 para o dia 16 vi que a frente que causou todos estes estragos foi abandonada e então, às 4:20, dirigi-me à sala de comando e informei o subcomandante Requeijo que tinham sido retirados os meios dessa frente, que estava perto dos moinhos de água, património que nos dá a distinção de 'Aldeias de Portugal', e alertei que essa frente estava sem ninguém a controlá-la. Pedi-lhe, por favor, que tivesse em conta que os moinhos eram muito importantes para nós. A zona dos moinhos acabou por arder, não arderam os edifícios por sorte, porque o fogo chegou mesmo às paredes e nessa mesma noite sugerir-lhe que fossem deslocadas máquinas de rasto para zonas onde os incêndios costumam passar (…) e a minha sugestão foi ignorada", contou.
O porta-voz do movimento "Isto Não Fica Assim" não poupou críticas à atuação do comando sub-regional do Douro da Proteção Civil, por "desconhecer" o território, devido ao tipo de meios mobilizados para o terreno e por utilizar a política "deixa arder", no seu entender.
"O desconhecimento era total da zona. O comandando não conhecia", apontou.
Pedro Correia realçou ainda que havia meios no terreno, no entanto, estavam parados e o "aparato", na prática, "não servia de nada".
"Não temos nada a dizer dos bombeiros. Os bombeiros foram os responsáveis para que a tragédia não fosse ainda maior", vincou.
O incêndio consumiu cerca de 4.000 hectares de mato e área agrícola no concelho de Carrazeda de Ansiães.
Face aos prejuízos causados, este movimento decidiu avançar com um abaixo-assinado, quer 'online', que já reuniu perto de 500 assinaturas, quer em papel, que tenciona entregar na próxima semana ao Ministro da Administração Interna.
"Queremos ser ressarcidos dos danos que nos causaram por incompetência do comando", defendeu, pedindo ainda medidas preventivas como corta-fogos e a plantação de sobreiros e árvores mais resistentes.
Caso não sejam ouvidos pelo Governo, os moradores das aldeias de Vilarinho da Castanheira e Pinhal do Douro ameaçam avançar com uma manifestação de protesto ainda este mês.
A Lusa contactou a ANEPC para obter esclarecimentos e aguarda resposta.
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