Moradores protestam contra ação da polícia em Heliópolis - 14/07/2026 - Cotidiano - Folha
Moradores de Heliópolis, na zona sul de São Paulo, protestaram na noite desta segunda-feira (13) contra ações violentas da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) nas buscas por suspeitos de participação no atentado que deixou o primeiro-tenente Ronickson Pimentel dos Santos, 39, gravemente ferido.
Os manifestantes atearam fogo em entulho e fecharam vias nas proximidades da rua Comandante Taylor com barricadas feitas com pedaços de madeira e pneus. Policiais militares reagiram jogando bombas de efeito moral.
A confusão provocou congestionamento e lentidão no trânsito nos arredores de Heliópolis.
A SSP (Secretaria da Segurança Pública) afirmou que a equipe policial foi hostilizada com pedras, garrafas e fogos de artifício arremessados. "Na ação, um policial ficou ferido e um ônibus foi danificado", afirmou.
Após a intervenção da PM, as vias foram liberadas.
A pasta da segurança afirmou que a Corregedoria da PM está à disposição para receber denúncias sobre eventuais excessos e desvios de conduta. "A corporação não tolera tais comportamentos e apura com rigor todas as denúncias", ressaltou.
Sete pessoas já morreram em ações da Rota relativas ao atentado contra o tenente Pimentel, baleado na cabeça no dia 27 de junho, no momento em que estava parado em um semáforo em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.
Dois desses homens morreram na manhã de quinta-feira (9) durante ação da Rota em Heliópolis. Um deles, segundo a polícia, era suspeito de participação no atentado.
As mortes ocorreram em diferentes cidades e são alvo de investigação da Polícia Civil, que apura as circunstâncias de cada intervenção policial.
O policial baleado é o irmão mais velho de Eloá Pimentel, morta aos 15 anos por Lindemberg Alves na casa em que a família morava em Santo André, na Grande São Paulo, em outubro de 2008.
As investigações da Polícia Civil apontam que o atentado contra ele foi planejado e contou com divisão de tarefas entre os envolvidos. Conforme documentos obtidos pela Folha, a apuração identificou o uso de veículos de apoio e indícios de monitoramento prévio da rotina do tenente.
A Justiça decretou a prisão de suspeitos de participação direta e indireta no crime, e o governo de São Paulo chegou a oferecer recompensa de R$ 50 mil por informações que levassem ao paradeiro do homem apontado como autor do disparo.
O policial permanece com ventilação mecânica e sedação, internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, na Grande São Paulo. Ele não teve complicações significativas após passar por traqueostomia na quinta-feira (9), sendo mantido em ventilação mecânica por novo acesso.
Ainda segundo a polícia, o tenente passará por um ultrassom doppler transcraniano na sexta-feira (17). O exame é necessário para o planejamento da redução gradativa da sedação.