Morreu a cantora francesa Catherine Ringer, vocalista dos Rita Mitsouko

🗓️ 2026-09-15 📁 entertainment 📝 ⏱️ 👁️ : -

Catherine Ringer foi "levada por um cancro fulminante na noite de 14 de setembro de 2026", lê-se no comunicado citado pela AFP, acrescentando que se encerra assim, "definitivamente, a história do duo formado pela cantora e o seu companheiro Fred Chichin", que morreu em 2007.

A agência francesa de notícias recorda que "a diva de voz poderosa e irreverente" fundou os Rita Mitsouko com Fred Chichin no início da década de 1980, garantindo desde o início êxitos como "Andy", "C'est comme ça" e "Les histoires d'amour finissent mal".

"Marcia Baïla" (1984), "hino comovente sobre a morte da bailarina argentina Marcia Moretto", foi um dos maiores êxitos do grupo, tendo vendido mais de um milhão de cópias. Outro, "Singing in the Shower" (1988), interpretado em parceria com o duo norte-americano Sparks, abriu portas aos Rita Mitsouko, sobretudo no Reino Unido e no norte da Europa.

O álbum de estreia, em nome próprio, surgiu em 1984, seguido de títulos como "The No Comprendo", "Marc et Robert", "Système D", "Cool Frénésie", "La Femme trombone" e "Variéty".

O duo recebeu os prémios Victoire de la Musique e da Academia Charles Cros, entre outras distinções, ao longo da sua carreira.

Uma das mais recentes aparições públicas de Catherine Ringer foi em 2024, para interpretar o hino francês, "A Marselhesa", quando da inclusão do direito ao aborto na Constituição, num gesto que também reforçou a sua posição assumida de oposição à extrema-direita.

Hoje, a presidente da Assembleia Nacional de França, Yaël Braun-Piveto, recordou esse momento, numa publicação na rede social X: "Bastaram algumas notas para reconhecer a sua voz, alguns segundos em palco para captar aquela energia que só a ela pertencia", escreveu Yaël Braun-Piveto sobre Catherine Ringer, recordando as palavras da cantora na cerimónia: "Vamos marchar e cantar esta lei pura na Constituição!".

"Dos Rita Mitsouko à sua carreira a solo — livre, ousada, inimitável —, Catherine Ringer marcou a música francesa", conclui Yaël Braun-Piveto na sua mensagem na rede X.

O crítico francês Michka Assayas, em declarações hoje à AFP, lembrou por seu lado que os Rita Mitsouko tinham "uma ligação com a vanguarda artística, o surrealismo e o dadaísmo".

Catherine Ringer nasceu em 18 de outubro de 1957 nos arredores de Paris, filha de um pintor judeu, Sam Ringer, deportado durante a guerra e a ocupação nazi, e de uma arquiteta.

A cantora deixou a escola aos 15 anos e acumulou experiências artísticas que também passaram pelo cinema porno, um passado que nunca renegou.

A AFP recorda hoje como Ringer fez frente ao compositor francês Serge Gainsbourg, no Canal+, em 1986, quando este a insultou pelo seu breve passado na indústria pornográfica.

Após a morte de Fred Chichin — também vítima de um cancro aos 53 anos —, Catherine Ringer afastou-se dos palcos, mas regressou "aos poucos", para manter vivo o legado dos Rita Mitsouko, numa carreira à margem do circuito comercial.

Em 2019, na Philharmonie de Paris, a cantora celebrou em palco o 40.º aniversário do seu encontro com Fred Chichin, na origem dos Rita Mitsouko.

Em 2023, Catherine Ringer leiloou cerca de cem obras do seu pai, Sam Ringer, artista que sobreviveu a nove campos de concentração. "Ele transmitiu-me a sua força vital", declarou então a cantora à AFP.

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