Morreu o cientista japonês Nobel da Medicina Susumu Tonegawa
Tonegawa (Nagoya, 1939), que em Portugal era membro do Conselho Científico da Fundação Champalimaud e membro do júri do Prémio António Champalimaud de Visão, morreu no sábado, sem que tenha sido revelada a causa da morte.
Após um funeral privado, os restos mortais do cientista serão enterrados no cemitério de Qioto.
Além de ser galardoado com o Nobel em 1987, pela descoberta de um mecanismo genético para a produção de diversidade de anticorpos, recebeu numerosos prémios, incluindo a Medalha de Ouro do Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha, a maior instituição pública de investigação do país, em 2007.
O biólogo molecular desenvolveu investigações no campo da imunobiologia e da neurociência, onde o seu trabalho ajudou a revelar como o cérebro armazena recordações em forma de lembranças chamadas "engramas".
Além de professor no MIT durante 44 anos, foi diretor fundador do Instituto Picower para a Aprendizagem e a Memória, da mesma universidade, e diretor do Instituto RIKEN de Ciências do Cérebro do Japão.
"Poucos cientistas transformaram a nossa compreensão da biologia tão profundamente", destacou a diretora do Instituto Picower, Myriam Heiman.
"A sua influência na ciência e naqueles que tiveram o privilégio de trabalhar ao seu lado é incalculável", disse, citada no comunicado do MIT.
O Governo do Japão destacou que Tonegawa foi o primeiro japonês a receber o Nobel da Medicina, tendo dado "importantes contribuições para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia", não só do Japão, mas a nível mundial.
Em Portugal, a Fundação Champalimaud reagiu à morte do cientista com "profunda tristeza".
"Para nós, Tonegawa não era apenas um gigante da ciência mundial. Era um amigo da casa", afirmou a instituição numa mensagem hoje divulgada.
A fundação referiu que o cientista esteve presente desde os "primeiros e decisivos anos" da instituição, da qual foi "um dos arquitetos" do ADN científico.
Nas palavras da presidente da fundação, Leonor Beleza, o cientista tinha "uma forma única" de olhar para os problemas: direta, corajosa e sempre à frente do seu tempo".
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