Viveu aventuras entre o samba, a pesca e a família - 30/08/2026 - Cotidiano - Folha
Antônio Carlos Santos de Jesus cresceu no Limão, bairro na zona norte de São Paulo, em uma família de seis irmãos. Os três homens e as três mulheres chegaram a dividir o mesmo quarto e adormeciam ouvindo "love songs" (músicas românticas na rádio Antena 1), lembrança guardada pelo irmão Luiz Carlos Santos de Jesus, 51, professor de percussão e serralheiro.
Antônio era o irmão do meio. Bravo e rígido, também era considerado justo, educado e dono de um coração enorme.
Certa vez, deu seu cobertor a uma pessoa que estava morando na rua e passou frio naquela noite, em casa. "Ele abria mão do conforto dele para ver outra pessoa melhor", conta Luiz.
Em 1987, levado pelos irmãos Luiz Carlos e Jorge, começou a frequentar a Mocidade Alegre, no Limão. Apaixonou-se pela agremiação do samba e se tornou diretor de harmonia.
Antônio também foi carnavalesco do bloco Caprichosos do Piqueri. Ali, desenhou sete Carnavais, com cores e plumas, e acompanhava a execução dos projetos. Por uma promessa, fez os trabalhos de graça.
Sua última participação no Carnaval paulistano foi em 2007, na construção de carros alegóricos da Mocidade. Depois, continuou torcendo pela escola, a ponto de passar mal durante uma apuração do resultado dos desfiles.
Aventureiro, Antônio adorava pescar. Com Luiz, formou uma sociedade para comprar uma barraca que acomodava oito pessoas. Passavam dias à beira dos rios, levando apenas arroz, canela e sal para preparar os peixes.
Os irmãos também trabalharam juntos como serralheiros de alumínio e praticaram karatê. Antônio não chegou à faixa preta porque faltava aos treinos por problemas de saúde, mas era considerado o melhor lutador entre eles, pela explosão, velocidade e flexibilidade. Já internado, recebeu a faixa preta em uma homenagem.
Entre 2015 e 2016, ficou seis meses internado, perdeu quase 40 quilos e precisou de uma bomba cardíaca até receber o primeiro transplante de coração.
Depois, tornou-se cozinheiro para ajudar a mãe, Creusa. Fazia bolos, feijoada e um macarrão de panela que, segundo Luiz, era seu prato especial.
Mais tarde, Antônio passou por um segundo transplante, desta vez dos rins. Em seguida, precisou de novo transplante de coração, mas sofreu hemorragia, um AVC, pneumonia e outras complicações. Com o agravamento do quadro, entrou em cuidados paliativos.
Ele era casado e tinha uma filha, Iasmin. A mulher, que também sofria do coração, morreu em 2021, após perder um transplante por estar com Covid-19.
Antônio morreu em 28 de julho, aos 56 anos, em decorrência de complicações após o segundo transplante de coração. Deixa uma filha, a mãe e os cinco irmãos.
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