Mortes no trânsito da cidade de SP aumentam, e motociclistas são quase metade das vítimas | G1

🗓️ 2026-10-21 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Quase metade das vítimas deste ano estava em motocicletas: 48% do total. No período, mais de 370 motociclistas morreram, enquanto quase 300 pessoas foram vítimas de atropelamentos, segundo dados do Infosiga, sistema do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

A alta das mortes de motociclistas é uma tendência que vem se acentuando nos últimos anos. De 2017 para cá, o número de óbitos desse grupo cresceu 74%, apesar da criação da Faixa Azul, em 2022, iniciativa voltada à circulação de motos.

Para especialistas em mobilidade urbana, o aumento da frota de motocicletas ajuda a explicar o cenário, mas não é o único fator. As condições das vias, o comportamento dos condutores e a fiscalização também influenciam a segurança no trânsito.

“Eles não têm uma carcaça metálica em volta do corpo e conseguem desenvolver uma velocidade muito alta. Essa combinação de velocidade alta com essa falta de proteção sempre vai deixá-los mais vulneráveis”, afirma Ana Carolina Nunes, especialista em mobilidade urbana.

Imprudência e fiscalização

O aumento da frota de motocicletas na capital acompanha a tendência de crescimento das mortes. Em 2026, a cidade já tinha cerca de 1,17 milhão de motos em circulação.

No entanto, especialistas destacam que a quantidade de veículos não explica sozinha o avanço dos óbitos. Infrações cometidas pelos condutores, como avançar o sinal vermelho e circular em corredores de ônibus ou ciclovias, também representam riscos.

A especialista Ana Carolina Nunes afirma que medidas de infraestrutura, como a Faixa Azul, precisam ser acompanhadas de fiscalização para produzir resultados na segurança viária.

“Mesmo ações de estrutura, como a própria Faixa Azul, elas não fazem diferença se não tiver essa fiscalização junto”, diz.

Ela também aponta que a velocidade dos veículos pode influenciar o comportamento de outros motociclistas. “Não dá para esperar que eles vão seguir a velocidade que está regulamentada sem essa fiscalização. Até porque, muitas vezes, o fato de um estar acelerando faz com que outro se sinta compelido a acelerar também, porque é um corredor”, afirma.

O diretor da FGV Transportes, Marcus Quintella, também relaciona a imprudência à falta de punição. “A imprudência é vinculada à impunidade”, afirma.

Para ele, os radares são importantes para coibir infrações, mas precisam ser capazes de detectar motocicletas. Quintella avalia que o problema é crônico e exige medidas para reduzir as mortes.

Menos radares que no Rio

Apesar de São Paulo ter o dobro de ruas e avenidas do Rio de Janeiro, a capital paulista tem menos radares de fiscalização: são 879 em São Paulo, contra 1.042 no Rio.

Enquanto as mortes de motociclistas aumentaram, o número de equipamentos de fiscalização variou pouco na última década e chegou a cair entre 2017 e 2026.

Quintella defende que a fiscalização seja eficaz para combater as infrações e reduzir os riscos no trânsito.

“Os radares são fundamentais, mas têm que ser eficazes. Eles têm que realmente detectar a moto”, afirma.

O que diz a prefeitura

A Prefeitura de São Paulo afirmou que trabalha continuamente para ampliar a segurança no trânsito, com campanhas permanentes de conscientização.

Sobre a Faixa Azul, a administração municipal disse que a iniciativa reduziu em 26% a gravidade dos acidentes com motocicletas.

Em relação aos radares, a prefeitura informou que uma equipe técnica avalia a necessidade de instalação dos equipamentos. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) também realiza diariamente ações de fiscalização com equipes nas ruas.

Trânsito de veículos é registrado na região do Ibirapuera, no Corredor Norte-Sul, em São Paulo, em 16/10 — Foto: ANGÉLICA ALVES/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO