Motor da economia está na revisão. Turismo troca potência por extras

🗓️ 2026-08-17 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

Turismo pode ter atingido limite da capacidade de aceleração, mas as regiões de turismo não temem novo ciclo, reforçando eventos internacionais, mais estrelas na hotelaria e conquista de novos países.

Numa década sem cedências, num crescimento que envergonhava a restante economia, o turismo poderá ter atingido o seu ponto de maturidade em número de turistas, mas há mais dinheiro “estrangeiro” a entrar. A introdução de novas páginas no menu de serviços ao dispor dos turistas tem aqui relevância, conforme ouviu o ECO/Local Online dos presidentes das regiões de turismo.

Ponto comum no discurso dos representantes do turismo no país – e que uns poderão ler como narrativa preparada pela indústria e outros como alteração do paradigma face ao modelo do Portugal barato e baseado no sol e mar –, o produto turístico português está em processo de mutação.

O meio para chegar ao bolso dos turistas está em serviços como o turismo enológico e de natureza no Algarve, a aposta em eventos com atração internacional e subida de nível nas unidades hoteleiras.

José Santos, presidente da região que, a par do Porto e Norte, maior crescimento teve no número de dormidas no primeiro semestre deste ano (últimos dados disponibilizados pelo Turismo de Portugal no estudo Travel BI divulgado no final de julho), diz que a questão dos eventos é muito importante. “Temos mudado o paradigma, porque o Alentejo não tinha grandes eventos internacionais”.

Proveitos globais de janeiro a junho

  • Portugal – 3.148 milhões de euros (+5,4%)
  • Área Metropolitana de Lisboa – 1.018 milhões (3,3%)
  • Algarve – 698 milhões de euros (+7,7%)
  • Norte – 526,6 milhões de euros (+5,6%)
  • Região Autónoma da Madeira – 433 milhões de euros (+8,4%)
  • Centro – 230,8 milhões de euros (+0,6%)
  • Alentejo – 134,7 milhões de euros (+8,8%)
  • Região Autónoma dos Açores – 106,7 milhões de euros (+5,6%)

Ainda que haja uma nova vaga de turismo de primeira água a compor-se no litoral, no eixo Tróia-Comporta, o Alentejo terá apenas em outubro o primeiro hotel de cinco estrelas, que ficará no interior, a Herdade da Torre Vã, em Ourique.

Descendo no mapa, o Algarve assistiu nos últimos tempos a reconversões de hotéis de quatro para cinco estrelas, designadamente o Pestana Delfim e o Hotel Montechoro. Estas duas realidades são salientadas ao ECO/Local Online pelos presidentes das respetivas regiões. Ao mesmo tempo que André Gomes, do Algarve, destaca o aumento do serviço com a subida de escalão para as cinco estrelas, José Santos admite que a escassez de unidades de quatro e cinco estrelas e com mais de 100 quartos não ajuda no reforço do preço no Alentejo.

Estes somam às festas tradicionais, como a Festa da Flor, que terminou neste domingo em Campo Maior, ou a Feira de São Mateus, em Viseu, realça o gestor. Apesar de a tradição impor que decorram em agosto, este tipo de eventos é uma ferramenta útil sobretudo nos meses fora da época alta, explica o presidente do turismo do Alentejo e Ribatejo.

Dormidas de janeiro a junho:

  • Portugal – 37 milhões de dormidas (+1,3%)
  • Área Metropolitana de Lisboa – 10 milhões de dormidas (+1,6%)
  • Algarve – 8,85 milhões de dormidas (+1,7%)
  • Norte – 6,87 milhões de dormidas (+5,4%)
  • Região Autónoma da Madeira – 4,6 milhões de dormidas (-1,8%)
  • Centro – 3,49 milhões de dormidas (-4%)
  • Alentejo – 1,6 milhões de dormidas (+5%)
  • Região Autónoma dos Açores – 1,3 milhões de dormidas (-2,2%)
Ao turismo internacional massificado, que tem na Oura, em Albufeira, um dos seus expoentes máximos no Algarve, a região responde com o reforço da hotelaria de cinco estrelas. É o caso, neste concelho, do Hotel Montechoro, salienta o presidente do Turismo do AlgarveHugo Amaral/ECO

No extremo oposto do país, a Norte, as dormidas em hotéis de cinco estrelas cresceram 11% e nos de quatro estrelas 7%, diz Luís Pedro Martins. O presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte assinala, com dados relativos ao primeiro semestre, que “estadias mais longas e mais dormidas em unidades de cinco estrelas indiciam padrões de consumo mais elevados. E os números confirmam-no: os proveitos (+5,6%) cresceram acima das dormidas (+5,4%), que por sua vez cresceram acima dos hóspedes (+4,8%). Ou seja, cada visitante permaneceu mais tempo e gerou mais receita”.

Estadias mais longas e mais dormidas em unidades de cinco estrelas indiciam padrões de consumo mais elevados. E os números confirmam-no: os proveitos (+5,6%) cresceram acima das dormidas (+5,4%), que por sua vez cresceram acima dos hóspedes (+4,8%). Ou seja, cada visitante permaneceu mais tempo e gerou mais receita.

Em parte, a conquista alcançada pelo Porto e Norte fez-se através da gula, de que é instigador o programa “Fins de Semana Gastronómicos”, evento que ocorre em 70 municípios da Região. “O enoturismo é claramente um motor de crescimento e diferenciação, nomeadamente nas nossas 5 regiões demarcadas, uma delas – o Douro -ostentando o título de região vitivinícola mais antiga do mundo”.

Municípios com crescimentos mais expressivos no Porto e Norte

  • Ponte de Lima 25,6%
  • Caminha 17,8%
  • Alijó 12%
  • Amarante 10,9%
  • Valença 9,2%
  • Bragança 6,6%
  • Vila Real 6,3%

Hugo Amaral/ECO

Eventos e a vida ao ar livre

Para aliciar os turistas, além do chamariz do reforço de eventos, vários destinos apostam na dinamização do país enquanto destino para vida ao ar livre, contemplando-o nas suas estratégias para as campanhas de promoção. De Norte a Sul, há oferta para gostos mais audazes, ou contemplativos.

Com motores, o Algarve terá a Fórmula 1 de regresso em 2027 e 2028, e ouvirá o ruído dos motores do MotoGP até 2029. No Porto e Norte, voam a Ocean Air Race e o Air Invictus. No Alentejo, aposta-se em provas internacionais de motocross, com Grândola a receber em outubro seis dias de uma prova do calendário de Enduro. Também o centro, sem a opção de um autódromo como o do Algarve, joga a sua sorte nas duas rodas nos múltiplos pisos de terra de que dispõe.

Hóspedes de janeiro a junho

  • Portugal – 15,1 milhões de hóspedes (+2,1%)
  • Área Metropolitana de Lisboa – 4,6 milhões de hóspedes (+2,4%)
  • Algarve – 2,4 milhões de hóspedes (+3,1%)
  • Norte – 3,67 milhões de hóspedes (+4,8%)
  • Região Autónoma da Madeira – 1,08 milhões de hóspedes (+3,9%)
  • Centro – 2,08 milhões de hóspedes (-4,5%)
  • Alentejo – 877 mil hóspedes (+2,5%)
  • Região Autónoma dos Açores – 458 mil hóspedes (-1,8%)

Air Invictus

Mais pausados, a Cimeira Global do Enoturismo Responsável decorrida em Beja há dois meses, ou o torneio de golfe com escala mundial que se desenrolará na Herdade do Pinheirinho, do grupo VIC Properties, na Comporta, em outubro – ao todo, a linha de Tróia a Melides terá quatro campos de golfe, destaca o líder do turismo da região, medida que tem o contraponto, devidamente salientado por especialistas e ambientalistas, no uso intensivo de água numa zona do país com os aquíferos sob pressão.

Este evento e a prova de motos “vão trazer milhares de dormidas à região”, prevê o gestor alentejano.

O Algarve, por exemplo, tem conseguido crescimento no Norte da Europa, EUA e Canadá por essa via, virando os holofotes para a vertente da sustentabilidade, como diz André Gomes. O presidente da entidade regional destaca um ranking da imprensa alemã, com a terceira posição obtida pelo Algarve enquanto destino mundial para caminhadas, segundo a revista Trekking Magazine (só a Bretanha e, na liderança, Dolomitas/Tirol do Sul, são melhores para pôr o pé fora de estrada).

E é por este posicionamento que em novembro André Gomes irá a Florença enquanto palestrante numa conferência internacional de turismo de saúde e bem estar, seguindo daí para Roma para o evento de profissionais (B2B) Ecoluxury Fair.

Ombria Algarve, no interior da serra algarvia, fora do contexto do produto “sol e mar”

“Temos verificado, no ano passado e neste ano, turistas com outra capacidade de realizar despesa na região. Temos apostado em conectividade aérea e promoção do destino junto de mercados de valor acrescentado”, explica André Gomes, justificando como o Algarve está a subir em receitas acima do reforço de turistas.

Na busca por novos voos diretos, a atenção está muito focada no Brasil, país de origem de 60 mil pessoas que já residem no Algarve e sul do Alentejo. André Gomes desvenda ao ECO/Local Online ter desenvolvido contactos com companhias durante a sua estada recente em São Paulo.

Temos verificado, no ano passado e neste ano, turistas com outra capacidade de realizar despesa na região. Temos apostado em conectividade aérea e promoção do destino junto de mercados de valor acrescentado.

Chegar ao público que procura outros catálogos que não o tradicional do sol e mar do Algarve ajuda a combater a sazonalidade, acentua, e é nessa lógica que a entidade regional de turismo tem vindo a procurar novas ações tanto no exterior (como os roadshows realizados em 2025 na Escandinávia e Islândia, interligados com as embaixadas portuguesas), como no próprio Algarve.

Foi ali que, em plena crise de escassez de água (tema afundado pelas intempéries deste inverno), o Turismo do Algarve lançou a campanha de sensibilização Save Water, entretanto adotada pelo próprio Turismo de Portugal e que agora será estendida às empresas de animação, ao autódromo de Portimão, alojamentos locais, empresas de aluguer de automóveis e parques aquáticos, conta o gestor. “Sabemos que é um tema valorizado por uma alta franja de turistas”.

Polónia apaixona-se pela Madeira

Noutro cartão-de-visita turístico tradicional do país e com forte preponderância dos valores ambientais, a Madeira, a nova coqueluche é um destino, a Polónia. “O mercado polaco já integra atualmente o grupo dos cinco principais mercados emissores da Região, tendo ultrapassado a França, e apresenta uma trajetória de crescimento muito significativa”, diz Eduardo Jesus, secretário regional do Turismo, Ambiente e Cultura da região autónoma. E, tal como ouvimos no Algarve, “os Estados Unidos têm registado uma evolução expressiva” na terra das levadas, do milho frito e da poncha.

O mercado polaco já integra atualmente o grupo dos cinco principais mercados emissores da Região, tendo ultrapassado a França, e apresenta uma trajetória de crescimento muito significativa.

O governante regional nota “sinais de rejuvenescimento da procura. A Madeira conseguiu manter o seu público tradicional, mas, sobretudo nos últimos anos, tem vindo a captar segmentos mais jovens, atraídos por uma oferta que combina natureza, turismo ativo, experiências, cultura, gastronomia e um estilo de viagem mais orientado para a descoberta e para a experiência do destino”. Contudo, ressalva, “não estamos perante uma substituição do turista tradicional, mas perante um alargamento da base de procura”.

Ponta da Calheta, Porto Santo (ilha da Madeira)Carlos Gouvia 28 novembro, 2025

Pôr os turistas a mexer é, definitivamente, um atributo no país. É assim na Madeira, onde “o turismo ativo, em particular aquele associado à natureza” se destaca, com “uma procura crescente que se tem acentuado de forma muito significativa nos últimos dois anos”, segundo Eduardo Jesus.

Evolução do RevPAR por região de janeiro a junho

  • Portugal – 62,8 euros (+1%)
  • Área Metropolitana de Lisboa – 91,6 euros (-3,5%)
  • Algarve – 59 euros (+3%)
  • Norte – 52,6 euros (+0,6%)
  • Região Autónoma da Madeira – 93,1 euros (+4,7%)
  • Centro – 30,2 euros (+0,5%)
  • Alentejo – 41,7 euros (+6,5%)
  • Região Autónoma dos Açores – 54,5 euros (+3,3%)

Virando de novo a bússola para o continente, o programa Move Centro Portugal – The Sports Region “posiciona a região como um destino de referência” em trail running, ciclismo, corrida, motociclismo, surf e golfe, assegura a entidade regional de turismo.

Ali, há eventos para quase todos os gostos: o Oh Meu Deus by UTMB reuniu este ano 2.229 atletas de 62 países, dos quais 41% estrangeiros, gerando cerca de 6.100 dormidas e um impacto económico global estimado entre dois e 2,5 milhões de euros. “95% dos atletas manifestaram intenção de regressar, seja para praticar desporto ou para visitar a região em lazer”, assegura a entidade do centro do país.

Os visitantes procuram cada vez mais experiências diversificadas, combinando litoral e interior, natureza, património, gastronomia, enoturismo e turismo ativo

Adicionalmente, a Maratona da Europa levou à região 21.600 atletas de 82 nacionalidades e o impacto económico regional é estimado em 17 milhões de euros, cerca do dobro do MXGP de Portugal, prova de motociclismo que gerou “taxa de ocupação próxima dos 100% num raio de 50 km e transmissão televisiva para 180 países”, detalha a entidade liderada por Rui Ventura.

Peso dos mercados externos no Centro

  • Espanha 23%
  • Brasil 8,2%
  • EUA 7,9%
  • França 7,6%
  • Alemanha 7,1%
  • Reino Unido 5,1%
  • Itália 4,8%

Adicionalmente, no centro, nota-se que neste Verão “os visitantes procuram cada vez mais experiências diversificadas, combinando litoral e interior, natureza, património, gastronomia, enoturismo e turismo ativo”, diz o Turismo do Centro ao ECO/Local Online.

Ultratrail Oh Meu Deus – Center of Portugal by UTMB

Oh Meu Deus – Center of Portugal by UTMB

EUA abrandam na euforia lusitana

José Santos aponta os EUA como grande responsável pela “redução, pela primeira vez em dois anos”, do ritmo turístico no Alentejo. “No ano passado já deu sinal de algum enfraquecimento, mas ainda assim acabou o ano a crescer”, descreve. Por ranking de emissores internacionais no Alentejo, os EUA são superados apenas pelo alemão e pelo líder, Espanha, que está a crescer. Igualmente em alta estão o Canadá e o Brasil. A concentração em torno do campeonato do mundo de futebol nos EUA é uma explicação aventada por José Santos para a menor afluência de turistas daquele país.

No Alentejo, onde “tem havido um deslocamento da liderança da locomotiva do turismo do Alentejo central para o litoral”, com Évora em dinâmica de travagem, o reforço da performance faz-se não só por projetos para carteiras mais abonadas – o Sublime 2 abriu este ano e no próximo serão “pelo menos três”, antevê o presidente da entidade de turismo do Alentejo –, mas também pelo aumento da oferta de gama média em Sines e Porto Covo, detalha José Santos, .

No global, o litoral cresce a dois dígitos, realça o líder do turismo alentejano. A diversificação também está no interior, onde surgiram “seis ou sete hotéis” em Marvão, Évora e Ourique, destaca José Santos, que identifica como missão “não deixar que haja um balanceamento excessivo para o litoral”.

A penalizar o interior da região está, destaca, “a questão do calor, com alertas claramente exagerados, que a imprensa e até algumas câmaras municipais” lançam. Uma questão que se vive também nos concelhos raianos do outro lado da fronteira, conforme tem conversado com responsáveis dessa região espanhola.

Também as agruras do clima, mas no Inverno, foram implacáveis este ano no centro.

“A conjuntura adversa do início do ano, marcada por tempestades e inundações excecionais, teve naturalmente impacto na atividade turística”, admite o Turismo do Centro. A entidade liderada por Rui Ventura destaca o reflexo da tempestade de 28 de janeiro e das chuvadas subsequentes na queda homóloga de 4% no número de dormidas e 4,5% no de hóspedes durante o primeiro semestre na região. Em junho, dos principais mercados, só o Reino Unido e Itália ficaram positivos (+4,4% e 0,2%, respetivamente).

Contudo, e tal como no Algarve e Alentejo, por exemplo, o valor gasto por turista no centro cresceu. Na região houve mais 7,1% de gastos com cartões bancários emitidos no estrangeiro, para um total de 315 milhões de euros.

A afirmação de que “esta evolução demonstra que o Centro de Portugal está a atrair uma procura com maior capacidade de despesa e que a valorização da oferta turística da região continua a produzir resultados” encontra-se, a sul, com as declarações do presidente do Turismo do Algarve.

VIC Properties

Ribatejo, o mal querido

Acoplado à Região de Turismo do Alentejo há menos de 20 anos, e representando menos de 7% do total da oferta do total do território, o Ribatejo surge habitualmente como parente pobre nesta união. Em parte, pela insuficiência de oferta turística, uma característica que o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo (ERTAR) quer alterar.

Para tal, quintas com marca própria na enologia estão a ser incentivadas a apostar também nas dormidas. “Já percebemos que podem ter ali um preço médio muito interessante, porque há muita procura. Os sítios são lindíssimos”.

Hoje, “os americanos, os canadianos vão a uma quinta no concelho de Almeirim, ou de Alpiarça, querem dormir, que é o que fazem no Alentejo, e ali não têm [onde]. É uma desilusão quanto têm de se deslocar para Lisboa”.

Neste contexto, “o Ribatejo tem uma fraca internacionalização”, explica José Santos.

Os americanos, os canadianos vão a uma quinta no concelho de Almeirim, ou de Alpiarça, querem dormir, que é o que fazem no Alentejo, e ali não têm [onde]. É uma desilusão quanto têm de se deslocar para Lisboa.

Com Santarém a representar 60% da oferta turística ribatejana – “desde a década de 80 que não tem um hotel novo no centro histórico”, nota o responsável –, é aqui que se “mede o pulso” ao turismo ribatejano, diz o presidente da entidade que junta a região e o Alentejo. O surgimento do Vila Galé da Golegã traz por isso uma expectativa adicional.

No esforço recente para elevar o interesse no Ribatejo (quando chegou à entidade, há três anos, José Santos autonomizou as duas regiões na estratégia promocional, assegura), onde a esmagadora maioria dos turistas são nacionais, há eventos como o Festival Entre Quintas, que há um mês e meio levou música clássica à Quinta do Casal Branco e à Casa Cadaval, e também o Festival Raízes Vivas, a realizar em setembro com cultura e gastronomia. A entidade de turismo está, diz o seu responsável, “a tentar trabalhar com os proprietários das quintas do Ribatejo para criarem alguns eventos”.

A par, ações como a união a “Leonor, Marquesa de Alorna”, série televisiva da Ukbar Filmes (produtora de “Rabo de Peixe”) para a RTP, que estará também no catálogo da Netflix, e que tem Almeirim e Salvaterra de Magos por palco.

Do lado do Alentejo, um dos objetivos passa por alargar a duração das visitas, depois de alcançada a média de duas noites por turista em 2025. O aumento da taxa de ocupação verifica-se por quarto, mas não por cama. José Santos explica ao ECO/Local Online que isto “tem muito a ver com o tipo de turista”, com aumento de “casais”, situação em que num quarto dormem menos pessoas do que sucede com famílias. De realçar, nota o gestor, que são “mais propensos a comprar experiências exclusivas”, incluindo enoturismo e experiências de bem-estar.

A competitividade do Turismo constrói-se muito para além da hotelaria e da restauração: constrói-se na qualidade global do destino.

Destinos como o Alentejo, nota o responsável do turismo, “precisam de uma forte programação cultural e de conteúdos. São destinos não tão fáceis de vender no Verão”. O surgimento da capital da cultura em Évora em 2027 faz assim acalentar esperanças.

“A concorrência internacional é hoje mais forte e sofisticada do que nunca”, realça Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP). “Para continuarmos a ganhar valor, não basta a qualidade da oferta turística. Precisamos de melhores infraestruturas, maior eficiência na gestão do território, melhor mobilidade e uma experiência turística globalmente mais qualificada”. E, diz, também existe “responsabilidade importante das autarquias”, tornando as taxas turísticas em investimento na experiência do visitante e na qualidade de vida dos residentes.

Calheiros deixa um alerta à navegação: “a competitividade do Turismo constrói-se muito para além da hotelaria e da restauração: constrói-se na qualidade global do destino”.