MP acusa arguido de branqueamento após buscas em Lisboa por CEO fraud

🗓️ 2026-09-29 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O Ministério Público (MP) realizou esta terça-feira, 29 de setembro, quatro buscas no âmbito de inquérito a correr nos termos no DIAP de Lisboa e em que se investiga um esquema de fraude, conhecido como "CEO fraud".

Numa nota publicada no site da Comarca de Lisboa, o MP revela que duas das buscas foram domiciliárias e duas não domiciliárias.

Na sequência das mesmas foi constituído um arguido "por suspeitas da prática de um crime de branqueamento".

Já na origem das buscas estão suspeitas dos crimes de burla qualificada, burla informática e nas comunicações, acesso ilegítimo agravado e falsidade informática.

De acordo com os procuradores, "em causa está a intromissão de terceiros nas comunicações eletrónicas entre uma sociedade comercial e um seu parceiro de negócios".

Tudo indica que os suspeitos, fazendo-se passar pela empresa que deveria receber os pagamentos, remeteram um pedido fraudulento de alteração do IBAN de destino.

Assim, a quantia que era "destinada ao parceiro comercial acabou transferida para a conta bancária de um dos suspeitos". Este, por sua vez, conta ainda o MP, "transferiu-a para a conta de um segundo suspeito".

Ainda segundo o mesmo comunicado, as diligências do MP "contaram com a colaboração da Polícia Judiciária (PJ)" e o inquérito "prossegue sob a direção da 8.ª secção do DIAP".

O que é CEO fraud?

A CEO fraud é um esquema em que um criminoso se faz passar por um cargo de alta liderança de uma empresa (como o CEO, CFO ou um fornecedor de confiança) para enganar um colaborador e levá-lo a realizar ações financeiras ou a partilhar dados confidenciais.

As autoridades já alertaram diversas vezes para este tipo de crimes. Numa partilha publicada nas suas redes sociais, em fevereiro, a PJ alertava "cidadãos e empresas" para o facto de haver "fraudes mais básicas, outras mais sofisticadas" e que podem visar "pessoas com maior ou menor literacia".

Por exemplo a CEO fraud "assume a seguinte configuração criminosa: envio de emails ou mensagens de texto (sms ou através de aplicações) em que um agente malicioso, fazendo passar-se por uma entidade relacionada com a organização alvo (por exemplo, o/a Diretor(a) Executivo(a) ou um fornecedor), faz pedidos tipicamente de natureza financeira a colaboradores dessa mesma organização, podendo conduzir estes a realizar transferências bancárias para contas associadas ao atacante".

Os inspetores alertaram ainda para o facto desta ser "personalizada e subtil" e de "o criminoso estudar e utilizar a linguagem da empresa que quer representar" para, depois escolher "o momento certeiro para interagir" com as vítimas.

Leia Também: MP acusa dois arguidos de branqueamento de capitais ligados a CEO Fraud