MP afasta PJ de investigação a atrelado encontrado em empresa que fez obras a ministro
Em resposta à RTP Antena 1, a Procuradora-Geral da República (PGR) explicou que o inquérito relacionado com os bens apreendidos no âmbito do processo de tráfico de droga denominado "Operação Pacoba" está a cargo do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.
A investigação "encontra-se a cargo do Ministério Público deste departamento e não será, por ora, delegada em qualquer órgão de polícia criminal", detalhou a PGR.
Além do inquérito aberto pelo Ministério Público, também a PJ anunciou, na passada sexta-feira, que abriu um inquérito sobre o atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos.
Segundo a Polícia Judiciária, a direção nacional desta polícia "teve conhecimento de que uma galera apreendida, no âmbito de um inquérito relacionado com o tráfico de estupefacientes, havia sido movimentada e parqueada em Barcelos".
Com esta informação, foi instaurado um inquérito "para apurar as circunstâncias da alegada movimentação, que poderia confirmar a prática de ilícitos criminosos", acrescentou a PJ, confirmando que "a galera se encontrava estacionada em Barcelos, atracada a um camião da empresa Construbarcelos" e que, por se tratar de um bem apreendido, ficou "novamente à guarda da Polícia Judiciária, bem como os produtos que a mesma carregava, esclarecendo-se que estes não têm natureza estupefaciente".
A polémica relacionada com o ministro da Administração Interna teve início no dia 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira a empresa Construbarcelos, anteriormente responsável por obras na PJ, quando Luís Neves era diretor nacional.
Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.
Na segunda-feira, Luis Neves disse estar a reunir documentação para prestar esclarecimentos sobre a polémica do atrelado. A Antena 1 já questionou o Ministério da Administração Interna se já o fez e quando tenciona prestar esses esclarecimentos até agora sem resposta.
(com Lusa)