MPF abre inquérito contra a Vale por colaboração com a ditadura militar

🗓️ 2026-08-22 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -
Complexo industrial de mineração com esteiras transportadoras azuis e amarelas em primeiro plano, montanhas marrons ao fundo e céu azul com nuvens brancas
Mina Capanema, da Vale (Vale/Divulgação)

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O MPF abriu, nesta semana, um inquérito para investigar a mineradora Vale por “graves violações de direitos humanos” durante a ditadura militar.

A apuração é mais uma de um lote de investigações que miram o apoio do grande empresariado ao aparelho de repressão do governo militar em detrimento dos movimentos de civis.

“Os trabalhadores e seu movimento sindical constituíram o alvo primordial do golpe de Estado de 1964, das ações antecedentes dos golpistas e da ditadura militar”, diz o órgão. “A aliança empresarial-policial, estabelecida durante o período anterior, transformou-se em aliança empresarial-policial-militar e definiu um novo regime fabril”, segue o MPF.

Segundo o órgão, elementos probatórios e indiciários indicam a participação da mineradora no “intercâmbio sistemático de dados de inteligência com o aparato repressivo do regime militar”.

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“Evidências documentais apontam que a empresa integrou a ‘Comunidade de Informações Industriais de Minas Gerais’, estrutura privada voltada à coleta, monitoramento e repasse de dados de ‘inteligência’ entre seu membros e entre estes e os órgãos estatais de repressão”, diz o órgão.

“Os elementos probatórios documentais e relatos historiográficos apontam para a colaboração da empresa na remoção forçada e transporte coercitivo do povo indígena Krenak, por meio do fornecimento de vagões da Estrada de Ferro Vitória a Minas, para fins de confinamento na Fazenda Guarani e no Reformatório Agrícola Indígena Krenak, estrutura carcerária de exceção marcada por violações sistemáticas de direitos fundamentais”, segue o órgão.

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Elementos também apontam para a violação de direitos humanos contra o povo indígena Gavião (Kyikatejê, Akrãtikatêjê e Parkatêjê) no Estado do Pará, decorrentes da implantação da Estrada de Ferro Carajás no âmbito do Projeto Grande Carajás durante a ditadura civil-militar.

O prazo da investigação é de um ano.

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