JPP acusa Governo da Madeira de não ter enviado "um euro" para as vítimas

🗓️ 2026-08-23 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

O Juntos Pelo Povo (JPP) criticou este domingo a “falta de credibilidade” do Governo da Madeira porque prometeu enviar 150 mil euros para as vítimas dos sismos na Venezuela, mas passados dois meses “nem um euro” chegou ao terreno.

“É uma tremenda falta de consideração e de credibilidade para com a comunidade luso-venezuelana”, diz o secretário-geral do JPP, Élvio Sousa, num comunicado divulgado na Madeira.

O responsável do maior partido da oposição madeirense (ocupa 11 dos 47 lugares na Assembleia Legislativa da Madeira) indica que esteve em contacto esta semana com responsáveis de várias instituições venezuelanas e representantes das comunidades em Caracas, os quais “confirmaram que a promessa do Governo Regional da Madeira, de apoiar com 150 mil euros, ainda não se concretizou”.

“É lamentável esta falta de palavra e de compromisso por parte do Governo Regional da Madeira, tendo em conta as diligências de celeridade e rapidez que a situação deveria despoletar”, declara.

Élvio Sousa refere que o chefe do executivo madeirense (PSD/CDS-PP), Miguel Albuquerque, “garantiu, a 10 de julho de 2026, que havia libertado a verba de 150 mil euros para apoio social às vítimas dos sismos na Venezuela”, admitindo “reforçar esse apoio, consoante as necessidades identificadas no terreno”.

Mas, “quase dois meses depois, nem um euro!”, acusa, uma situação que considera vergonhosa.

Élvio Sousa defende que neste tipo de situações “os apoios devem ser céleres”, mencionando que já teve experiências, enquanto desempenhou funções executivas na freguesia de Gaula, concelho de Santa Cruz, hoje governado pelo JPP, na sequência do grande aluvião de 20 de fevereiro de 2010 e dos incêndios de 2012.

“Já passei por isso. Se estivesse à espera das promessas dos governos da altura, Regional e da República, não haveria nem uma casa recuperada”, opina.

O também líder parlamentar do JPP no parlamento madeirense ainda lembra o “desfile de responsáveis políticos e representantes de instituições em Gaula” nessa altura.

“Durante o rescaldo, vieram em desfile a Gaula, presidentes de partidos, de câmara, de governo, de associações de caridade. Fizeram promessas e mais promessas, e até hoje nem um colchão ou saco de cimento”, sublinha.

“A falta de humanismo e de responsabilidade institucional que esta situação cria levanta a perda de credibilidade dos membros do Governo Regional da Madeira, de eficácia na execução das promessas e agrava a situação social das famílias vulneráveis que continuam sem resposta para as necessidades básicas”, conclui.

Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 6.438 mortos e 86.358 feridos, segundo o mais recente balanço oficial. Entre os mortos, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.

Os sismos – de magnitude 7,2 e 7,5 – ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, fortemente sentidas nos estados de Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, o mais afetado.

O Banco Mundial estimou em 19,6 mil milhões de dólares (16,9 mil milhões de euros) a destruição material causada pelos terramotos.