Nepal: Confederação empresarial da China alerta que turismo tem de mudar face a desastre

🗓️ 2026-10-16 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

A maior confederação empresarial da China disse hoje que as inundações catastróficas que atingiram em agosto o Nepal e a região chinesa do Tibete devem servir para mudar o modelo de desenvolvimento do turismo.

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Em 16 de agosto, uma enxurrada semelhante a um tsunami, provocada pelo colapso de um glaciar de grande altitude na fronteira entre o Nepal e a China, causou pelo menos 1.446 mortos dos dois lados dos Himalaias.

De acordo com o mais recente balanço, as inundações deixaram ainda 6.569 desaparecidos, entre os quais centenas de estrangeiros, incluindo turistas e peregrinos. Na lista constam dois portugueses.

Luo Laijun, vice-presidente da Federação de Indústria e Comércio da China (ACFIC, na sigla em inglês), defendeu hoje a necessidade de “usar a crise e transformá-la numa oportunidade”.

“Tanto o setor público como nós, no setor privado, temos de trabalhar de mãos dadas para elevar a gestão de crises a um novo patamar”, acrescentou Luo, num discurso proferido na abertura do 12.º Fórum de Economia de Turismo Global.

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O dirigente da maior confederação empresarial da China frisou a urgência de “alterar o modelo de desenvolvimento turístico”, nomeadamente através da aposta no “turismo ecológico e no turismo de baixo carbono”.

Ainda assim, e apesar do impacto do desastre, Luo defendeu que não faz sentido pôr um travão no turismo, mesmo nas áreas mais afetadas pelas alterações climáticas, como a cordilheira dos Himalaias.

“Os visitantes estrangeiros trazem um impacto bastante positivo, tanto para o país em geral, como para as comunidades locais em particular”, disse o antigo executivo do setor da aviação, no evento que está a decorrer em Macau.

Luo recordou a ligação histórica da região chinesa com o mundo lusófono e apelou a Macau para “alargar o intercâmbio com os países de língua portuguesa, para que conheçam melhor a China”.

No final de setembro, o primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, declarou na Assembleia Geral da ONU que as inundações de 16 de agosto “foram um alerta para o mundo” sobre as alterações climáticas.

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O Nepal estima que a fatura da reconstrução após uma das piores catástrofes da história ascenderá a 4,78 mil milhões de dólares (4,15 mil milhões de euros).

“O Nepal contribuiu com menos de 0,1% das emissões globais de gases com efeito de estufa. Não criámos esta crise e, no entanto, estamos a pagar o preço por ela”, enfatizou Shah.

O Nepal, um país maioritariamente rural, com cerca de 30 milhões de habitantes, representa apenas uma fração das emissões mundiais de gases com efeito de estufa em comparação com as nações industrializadas.

Shah propôs a criação de um “mecanismo de resiliência climática dos Himalaias”, envolvendo o Nepal, a China e a Índia, que permitiria partilhar dados de satélite e conhecimentos técnicos, monitorizar lagos glaciares e reforçar sistemas conjuntos de alerta.