No Chega, "há consenso de que a moção [de censura] pode fazer sentido"

🗓️ 2026-09-01 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O presidente do Chega, André Ventura, explica que adiou a decisão sobre avançar ou não com a moção de censura ao Governo para concluir as suas audições a dirigentes do partido, ao grupo parlamentar e a "várias pessoas da sociedade civil".

Como já tinha adiantado de tarde, Ventura garantiu, em entrevista à CNN, que já falou com o Presidente da República e que ficou "claro" que António José Seguro "quer o caso resolvido".

Por outro lado, o líder do Chega garante que há, dentro do partido, "um consenso bastante alargado num sentido de que a moção pode fazer sentido". 

"Há aqui um consenso que o primeiro-ministro compreende que, pelas suas próprias razões, não quer mudar o ministro, mas perceber que este contexto político é incontornável", sublinhou.

Garantido que o Chega tomará uma "decisão final" na quarta-feira, André Ventura explica que tem tentado perceber "se esta é uma perspetiva do Chega ou se é uma perspetiva transversal à sociedade".

"Amanhã, essa decisão será anunciada num sítio próprio", voltou a assegurar. "Esperava que estes contactos que estou a fazer estivessem terminados até terça-feira; serão mais umas horas e eu anunciá-lo-ei amanhã."

Respondendo diretamente a Luís Neves, que voltou a abordar as polémicas esta terça-feira, na Madeira, Ventura garante que não sabe a que se refere o ministro quanto às "invejas", "nem na PJ nem fora", 

Quanto ao facto de o ministro ter defendido que tem autoridade para continuar a governar e acusado o presidente do Chega, André Ventura, de lançar "o caos, porque dá jeito", Ventura respondeu que "quem quer o caos é quem faz isto".

"Até quando vamos permitir que o lamaçal continue assim?", questionou.

Assegurando estar ciente de que "não se apresentam moções de censura por dá cá aquela palha", Ventura explica que, caso avance, é porque está convencido de que "100% dos deputados estão ao lado da iniciativa", assim como "a grande maioria da sociedade civil" e "a grande maioria de pessoas, mesmo de outras áreas políticas". "E eu acho que é assim que um líder da oposição deve fazer", acrescenta.

Quanto à posição dos outros partidos, caso a moção de censura seja apresentada, Ventura assume não saber "o que é que o Partido Socialista vai fazer", mas recorda que, esta terça-feira, José Luís Carneiro admitiu haver "um problema de autoridade".

Mais uma vez, na CNN Portugal, Ventura voltou a sugerir que Luís Montenegro possa ter "receio" de alguma coisa, ao manter-se firme na confiança política no ministro: "O que é que leva o primeiro-ministro, perante isto tudo, a querer manter? É teimosia política? É receio de que Luís Neves saiba de algumas coisas que possa vir falar? Ou é simplesmente o querer fazer um ponto político?", questionou, considerando que, para Luís Neves, "o tempo do esclarecimento começa a ficar curto".

Compreendendo que qualquer que seja a decisão que tome, ela terá um "custo político", André Ventura garante que não quer eleições, mas defende que a situação em torno do ministro da Administração Interna "está a ficar grave demais".

"A decisão que tomar é a decisão que a minha consciência política também me indicará. E é a decisão de que, em consciência, eu ficarei que estou a fazer o melhor para as pessoas", conclui.

"Eu, pessoalmente, estou mais tendente a avançar do que não avançar, [mas] tenho uma responsabilidade, lidero um partido. A minha tendência é esta face ao que está a acontecer", sublinha, explicando que, uma vez tomada a decisão, irá "até ao fim com ela".

Na segunda-feira, o líder do Chega disse que reuniria hoje os órgãos do partido para decidir sobre a apresentação de uma moção de censura ao Governo.

Na semana passada, o líder do Chega já tinha admitido avançar com uma moção de censura caso o primeiro-ministro não resolvesse a situação do ministro da Administração Interna, que considerou ter atingido um nível "grotesco" e "inaceitável".

Interrogado sobre se admitia recuar na apresentação desta moção caso as explicações do ministro fossem esclarecedoras, André Ventura considerou essa hipótese difícil, fazendo referência à polémica com um atrelado apreendido numa operação contra tráfico de droga e descoberto numa empresa contratada pela PJ (quando Luís Neves liderava a PJ) e pelo governante, e o facto de Luís Neves conduzir um carro apreendido pela polícia.

 "Quer dizer, se parece um gato, se anda como um gato, se mia como um gato, é um gato, como se costuma dizer", afirmou Ventura.

André Ventura adia decisão sobre moção de censura para quarta-feira

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Presidente do Chega já falou com o Presidente da República, mas ainda não tomou uma decisão sobre a moção de censura ao Governo.

Notícias ao Minuto | 19:30 - 01/09/2026