Novos centros de dados fazem disparar as emissões das maiores tecnológicas do mundo
As emissões de dióxido de carbono da Google, da Microsoft e da Amazon aumentaram, no seu conjunto, quase um quinto no último ano, sobretudo por causa da construção de novos centros de dados.
Segundo o jornal ‘The Guardian’, no ano fiscal terminado em março deste ano, o trio emitiu 119 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO2eq), um valor que corresponde a cerca de um terço das emissões anuais de toda a França. No ano fiscal anterior, as emissões tinham sido de 101 milhões MtCO2eq, o equivalente às emissões de 2024 da República Checa.
A mesma fonte diz que, nos últimos anos, as ambições climáticas das tecnológicas têm sido postas à prova e levadas ao limite por causa do aumento exponencial da procura por serviços de cloud, especialmente dos relacionados com produtos de inteligência artificial (IA)
Cecilia Rikap, uma professora de Economia da University College London, disse ao periódico britânico que “as alegações da Microsoft, da Amazon e da Google de que as suas clouds são ecológicas e sustentáveis constituem uma estratégia de marketing”.
“Os governos devem recordar-se destas crescentes pegadas carbónicas quando essas mesmas empresas se dispuserem a resolver a crise ecológica com soluções de IA”, lança.
As três tecnológicas reconhecem o aumento das emissões. A Microsoft diz que as suas aumentaram 25% no último ano, para 20 milhões de MtCO2eq, algo que se deveu sobretudo à expansão da sua infraestrutura de centros de dados. Por seu lado, a Google aponta para um aumento de 18% “causado por aumentos nas atividades da cadeia de abastecimento que suportaram a rápida expansão do nosso negócio”.
Por fim, a Amazon refere uma subida de 16% das emissões totais, e de 20% nas emissões da cadeia de abastecimento, que inclui a construção de centros de dados. O ‘The Guardian’ mostra surpresa com o facto de a empresa, no seu relatório anual, descrever esse aumento como “progresso” rumo ao seu objetivo de alcançar a neutralidade carbónica em 2040.
Prevê-se que este ano as tecnológicas gastem vários milhares de milhões de euros na construção de centros de dados para acomodar a expansão da IA, com todos os impactos ambientais daí resultantes, algo que está a ser visto como um recuo nos esforços de vários anos por parte das grandes empresas de tecnologia para reduzirem as suas emissões de carbono.