Núncio Apostólico diz que portugueses "não têm direito de ser xenófobos"

🗓️ 2026-08-12 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

"Acho que um cristão não tem direito a ser xenófobo, a dizer mal: com a fé, com o Evangelho, não temos direito. Mas, se não temos direito como cristãos, acho que o povo português é um povo que não tem direito a ser xenófobo", destacou.

Na sua intervenção na conferência de imprensa promovida pela Obra Católica Portuguesa de Migrações, que decorreu hoje à tarde no Santuário de Fátima, o representante da Santa Sé recordou experiências pessoais junto de comunidades emigrantes portuguesas, que deixaram o país para procurar melhores condições de vida em outros lugares.

"Eu vivi lado a lado" com essas comunidades, afirmou, acrescentando que testemunhou "histórias belas de superação", mas também situações de discriminação e sofrimento.

D. Andrés Carrascosa sublinhou ainda que a questão do acolhimento dos estrangeiros está no centro da mensagem evangélica e que o modo como os cristãos os tratam será uma das questões fundamentais do julgamento final.

Referindo-se a Fátima como símbolo de universalidade, o núncio apostólico em Portugal considerou também que "ninguém é estrangeiro em Fátima".

"Aqui se falam todas as línguas, mas aqui descobrimos que somos todos filhos da mesma mãe, somos irmãos falando línguas diferentes", sustentou.

Questionado pelos jornalistas sobre a crise migratória em Ceuta, o representante da Santa Sé defendeu que a situação vivida em Ceuta não deve ser interpretada como uma crise migratória convencional, mas antes como um fenómeno ligado a fatores geopolíticos mais complexos.

No seu entender, é necessário evitar explicações simples e populistas, devendo esta questão ser analisada de forma séria e profunda, sem que seja condicionada por interesses políticos nacionais ou calendários eleitorais dos diferentes Estados-membros da União Europeia.

"É óbvio que um país tem que sentar e dizer qual a capacidade que tem de acolhimento. Como se fosse uma casa, tem que acolher alguém e ver quantos quartos tem e quantos pode acolher. Isso faz parte de uma análise normal que está sendo superada por posições políticas simples que vão de um extremo ao outro e nenhum dos dois extremos soluciona nada", alegou.

De acordo com D. Andrés Carrascosa, cada país deve avaliar de forma realista a sua capacidade de acolhimento, pois "o problema surge quando se ultrapassa a capacidade de acolhimento e isso pode alimentar sentimentos de xenofobia".

Por outro lado, uma recusa absoluta em receber quem procura proteção ou melhores condições de vida, "entra em conflito com os princípios cristãos" de acolhimento e solidariedade.

"O que está a faltar é diálogo", concluiu.

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