Nunes Marques diz que votação 'ocorre normalmente'; 1.544 urnas foram substituídas | G1
Segundo o último boletim divulgado pelo TSE, às 15h30 deste domingo, 1.544 urnas eletrônicas foram substituídas até o momento.
“O que importa passar para os senhores e senhoras é que, em relação às seções, está tudo funcionando. Temos geradores e baterias para concluir o processo eleitoral”, afirmou.
Ao falar sobre o monitoramento das condições climáticas, Nunes Marques afirmou que a criação de uma sala climática pela Justiça Eleitoral foi uma medida acertada.
Segundo ele, havia preocupação de que a seca na Região Norte e as chuvas na Região Sul dificultassem o acesso dos eleitores aos locais de votação.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, durante pronunciamento na TV — Foto: Reprodução
e-Título
O ministro também apresentou dados sobre o uso do e-Título. Segundo o presidente do TSE, mais de 15 milhões de consultas a locais de votação foram feitas neste domingo, além de 3 milhões de justificativas eleitorais.
O ministro afirmou ainda que, neste sábado (3), foram registrados mais de 6 milhões de emissões/downloads ligados ao e-Título.
Neste ano, pela primeira vez, o aplicativo pode ser baixado e ativado no próprio dia da votação. Nas eleições anteriores, o download era interrompido no dia do pleito para evitar sobrecarga.
Segundo o TSE, a infraestrutura foi preparada para manter o serviço disponível nas eleições de 2026.
O aplicativo também permite consultar local e seção de votação e fazer a justificativa de ausência.
Uso de celular nas cabines
Questionado sobre a entrada de celulares nas cabines de votação, Nunes Marques afirmou que há monitoramento e que os mesários receberam treinamento para impedir a entrada de equipamentos eletrônicos.
Segundo o ministro, eventuais ocorrências serão apuradas pela Justiça Eleitoral.
A regra eleitoral proíbe que o eleitor leve celulares, máquinas fotográficas, filmadoras e outros equipamentos capazes de registrar ou transmitir imagens para a cabine de votação. O equipamento deve ser deixado com o mesário.
O ministro foi questionado especificamente sobre o caso do candidato à Presidência Romeu Zema (Novo), que foi registrado com o celular na cabine ao votar em Araxá (MG).
“Eu só ouvi, hoje confesso que não tive tempo ainda de me debruçar sobre fatos isolados”, respondeu.
O TRE-MG informou que vai apurar o episódio. Romeu Zema afirmou que entrou com o aparelho por hábito, que não foi alertado e que não fotografou o voto.
Transporte de eleitores
O presidente do TSE também apresentou um balanço do programa Seu Voto Importa.
Segundo Nunes Marques, mais de 2 mil eleitores com mobilidade reduzida foram transportados para votar. Outros 8 mil eleitores de comunidades remotas também receberam transporte.
Desinformação
Em relação à desinformação, isto é, conteúdos inverídicos, Nunes Marques afirmou que foram registrados 453 casos até as 13h deste domingo.
Segundo ele, desde agosto, foram cerca de 2 mil registros relacionados ao tema.
O ministro informou ainda que não há registro de deepfake relacionada aos candidatos à presidência que tenham ganhado relevância nas redes.
Além disso, Nunes Marques mencionou que a grande maioria dos conteúdos que circularam neste domingo já são conteúdos conhecidos e mapeados.
"Praticamente não tivemos novos conteúdos e conteúdos graves que pudessem trazer qualquer desiquilíbrio ao pleito", afirmou.
🔎 Deepfake é uma tecnologia que usa inteligência artificial (IA) para criar ou alterar vídeos, áudios e imagens de maneira realista, podendo fazer parecer que uma pessoa disse ou fez algo que não aconteceu. O TSE considera deepfake o conteúdo produzido ou manipulado por IA, ou tecnologia equivalente, que tenha grau de realismo ou verossimilhança e crie, reproduza ou altere imagem, voz ou manifestação de uma pessoa.
Embaixadas e risco de interferência externa
Kassio Nunes Marques também foi questionado sobre decisões de representações diplomáticas estrangeiras de interromper serviços ou emitir alertas de segurança às vésperas das eleições.
O ministro afirmou que as equipes responsáveis por monitorar riscos internacionais não identificaram indícios concretos de ameaça.
"O nosso indicativo das equipes que monitoram riscos internacionais não aponta qualquer tipo de risco. Não temos relatório nem da PF, nem da Abin [Agência Brasileira de Inteligência] indicando qualquer tipo de risco. Inclusive ontem [sábado] eu me manifestei e lembrei isso. Coloquei que nos nossos relatórios não apontam nenhum tipo de risco internacional ou crime organizado, como fizeram circular, de ameaças de atentados", disse o presidente do TSE.
Segundo Nunes Marques, havia dois elementos disponíveis: comunicados dos próprios governos que relacionavam decisões sobre serviços ao período eleitoral e o monitoramento feito pelas equipes responsáveis por riscos internacionais.
Nesta sexta (2), Estados Unidos e Austrália suspenderam atendimentos presenciais em suas representações no Brasil por questões de segurança.
Canadá, Irlanda, Reino Unido e Alemanha também emitiram alertas de cautela relacionados ao período eleitoral.
“Até o momento, nós não temos nenhum indicativo concreto de interferência internacional. Muito se falava, meses atrás, inclusive no ano passado, que essas interferências poderiam vir através das plataformas. E eu creio que o trabalho conjunto que o TSE fez com as plataformas, não só o plano de conformidade, mas uma parceria e a dedicação que elas tiveram em se conformar à legislação brasileira afastou muitos dos problemas que poderíamos ter", afirmou o ministro em outro momento.
"Mas, até agora, não temos nenhum indicativo de nenhuma das nossas salas e equipes dentro do Tribunal de nenhum tipo de interferência estrangeira”, prosseguiu Nunes Marques.
Judicialização
Questionado sobre uma eventual judicialização de episódios relacionados à eleição, Nunes Marques evitou comentar.
“Se houver judicialização, aos magistrados não é dada nem a possibilidade de comentar. Então, prefiro não comentar.”
‘Festa da democracia’
Na abertura da coletiva, Nunes Marques chamou o TSE de “tribunal da democracia” e disse que o dia da eleição é o mais importante do calendário da Justiça Eleitoral.
Segundo o ministro, a realização do pleito é resultado de meses de preparação, com procedimentos relacionados às urnas, desenvolvimento de mecanismos e treinamento de servidores e mesários.
Nunes Marques também classificou o dia da votação como uma “festa da democracia”.
O ministro homenageou ainda sua antecessora no comando do TSE, Cármen Lúcia, e dividiu com ela e com os servidores da Justiça Eleitoral o mérito pela preparação das eleições.
“Eu já sucedi quando muito já havia sido feito. Teremos, com certeza, uma eleição exitosa, mas também precisamos dividir com servidores e com a ministra Cármen Lúcia”, afirmou.