O risco de cigarros eletrônicos para crianças e jovens - 20/08/2026 - Equilíbrio e Saúde - Folha
Uma associação de médicos no Reino Unido fez um alerta de que o uso de cigarros eletrônicos pode causar danos à saúde de crianças e jovens e, por isso, esses produtos precisam se tornar "menos atraentes" aos consumidores.
O RCPCH (Royal College of Paediatrics and Child Health) analisou cerca de 81 estudos sobre cigarros eletrônicos e afirmou que o uso está associado a taxas mais altas de problemas respiratórios, além de evidências de danos em bebês cujas mães usaram durante a gravidez.
A análise afirmou que o uso de cigarros eletrônicos não deve ser visto como uma "parte inofensiva" da vida dos jovens.
O RCPCH está pedindo ao governo do Reino Unido que avance nas suas propostas de impor novas restrições à venda do produto e sugere limitar o número de sabores disponíveis.
A revisão sobre cigarros eletrônicos foi publicada na revista científica Archives of Disease in Childhood. Especialistas da faculdade analisaram estudos que abordavam os impactos do uso de cigarros eletrônicos na saúde e no bem-estar social de crianças e jovens.
O estudo afirmou que o uso de cigarros eletrônicos está associado a problemas como chiado no peito e tosse, saúde bucal e dentária precária, sono de má qualidade, problemas de saúde mental e sintomas oculares.
O coautor da revisão sistemática, o professor Will Carroll, afirmou que as evidências mostraram "ligações claras" entre sintomas respiratórios, dependência de nicotina e tabagismo.
"Precisamos agir para tornar o uso de cigarros eletrônicos menos atraente e acessível às crianças", disse ele.
O vice-presidente de políticas do RCPCH, Mike McKean, acrescentou: "O vape ainda é um produto relativamente novo e há muito que ainda não sabemos sobre seu impacto a longo prazo em crianças e jovens, mas um quadro claro e preocupante está surgindo."
"Precisamos acompanhar a rápida evolução do mercado e continuar a tomar medidas para proteger as crianças dos produtos com nicotina."
Em julho, o governo lançou uma consulta pública de 12 semanas sobre a aparência, embalagem e exposição de cigarros eletrônicos, com o objetivo de reduzir o apelo desses produtos para crianças.
Como parte das novas propostas, as embalagens precisariam ser neutras, com limites rigorosos para a marca e apenas descrições simples de sabor, como "maçã" ou "cola".
Outras restrições incluiriam a remoção dos cigarros eletrônicos da vista do público nas lojas, de forma semelhante à maneira como os cigarros e o tabaco são vendidos atualmente.
A consulta pública de cem dias veio após a recente aprovação da Lei do Tabaco e dos Cigarros Eletrônicos, que apresenta propostas para criar a primeira geração livre do fumo no Reino Unido.
Crianças e jovens de até 17 anos agora estão sujeitos a uma proibição vitalícia de comprar cigarros, já que será ilegal para as lojas vender tabaco a qualquer pessoa nascida após 1º de janeiro de 2009.
McKean afirmou que a nova lei é "um passo importante para proteger as crianças do vício em nicotina, mas não deve ser vista como uma solução definitiva".
Carroll afirmou que o governo precisa "ir além e limitar os tipos de sabores disponíveis, em vez de [trazer] apenas suas descrições" na embalagem.
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Segundo uma pesquisa realizada pela organização beneficente ASH (Action on Smoking and Health), quase um em cada cinco jovens de 11 a 17 anos no Reino Unido já experimentou o cigarro eletrônico.
A diretora executiva da Ash, Hazel Cheeseman, disse: "As evidências continuam claras de que o uso de cigarros eletrônicos é menos prejudicial do que fumar, mas não é isento de riscos."
Ela disse: "Assim como aconteceu com o tabaco, um controle rigoroso do marketing e da promoção será fundamental para reduzir o uso de cigarros eletrônicos entre os jovens."
Andrew McCracken, da organização beneficente Asthma + Lung UK, disse: "Os cigarros eletrônicos podem desempenhar um papel importante para os fumantes que desejam parar de fumar, mas quem não fuma não deveria usar cigarros eletrônicos, e isso é especialmente verdadeiro para crianças."
O Departamento de Saúde e Assistência Social afirmou que "crianças nunca deveriam usar cigarros eletrônicos e essas evidências mostram apenas alguns dos riscos associados".
Um porta-voz disse: "Já proibimos os cigarros eletrônicos descartáveis e também legislamos para proibir a publicidade e o patrocínio a partir do próximo ano."
"Também estamos consultando sobre propostas para reprimir embalagens que atraiam crianças."
O texto foi publicado originalmente aqui.