O mapa dos 893 mil raios que atingiram a Europa este verão: há uma surpresa chamada Portugal
Foram praticamente 900 mil em apenas três meses.
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Entre 1 de junho e 31 de agosto, sistemas de deteção registaram 893 mil descargas elétricas entre as nuvens e o solo em toda a Europa, num verão marcado por episódios de trovoada severa, granizo, rajadas destrutivas e, em alguns locais, condições capazes de originar tornados.
Mas olhar para o mapa europeu revela um contraste curioso: Portugal ficou relativamente à margem deste verão “elétrico”.
Os dados foram recolhidos pela Meteorage, empresa especializada na deteção de descargas atmosféricas e subsidiária da Météo-France, e divulgados pelo ‘Daily Mail’. O levantamento contabilizou as descargas nuvem-solo registadas ao longo dos três meses de verão.
Europe under lightning⛈️
As the meteorological summer comes to an end, here's what lightning data reveals:
⚡ 893,458 cloud-to-ground lightning flashes detected
📈 43% of all CG lightning activity occurred in August aloneContinue a ler após a publicidade
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Read the full report: https://t.co/skgk9JiM7R pic.twitter.com/q7lAdxNA0F
— METEORAGE (@Meteorage__) September 1, 2026
A maior concentração ocorreu em Itália, que terminou o verão como o país com mais descargas registadas. Seguiram-se França, Espanha, Alemanha e Suíça.
Portugal surge precisamente no extremo oposto.
“Embora Itália tenha voltado a estar entre os países europeus mais propensos a relâmpagos, Portugal e o sudoeste de Espanha registaram uma atividade elétrica comparativamente limitada”, explicou Joris Royet, responsável de projetos meteorológicos da Meteorage.
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Ou seja, apesar dos episódios de instabilidade sentidos durante o verão, Portugal escapou às grandes concentrações de descargas que atravessaram outras regiões europeias.
Junho e agosto acenderam os céus europeus
Os 893 mil raios não se distribuíram uniformemente pelos três meses.
Segundo a Meteorage, a atividade concentrou-se sobretudo na segunda metade de junho e durante um agosto excecionalmente ativo, quando sucessivas vagas de trovoadas intensas atingiram diferentes regiões da Europa.
Julho, curiosamente, foi quase uma pausa: representou apenas cerca de 2% das descargas nuvem-solo registadas durante todo o verão.
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As condições meteorológicas criaram também ambientes favoráveis à formação de supercélulas, tempestades particularmente organizadas e potencialmente violentas.
“O verão meteorológico de 2026 foi marcado por vários episódios de trovoada severa em toda a Europa”, explicou Royet. “Vários padrões meteorológicos favoreceram o desenvolvimento de supercélulas capazes de produzir granizo de grandes dimensões, rajadas de vento destrutivas e, localmente, até tornados.”
Ainda assim, há uma surpresa nos números.
Apesar da dimensão impressionante — 893 mil descargas em três meses — 2026 não entra para a lista dos verões com maior atividade elétrica dos últimos anos. A Meteorage sublinha, no entanto, que a atividade ficou significativamente acima da registada no verão de 2025.
Um raio não é apenas aquilo que vemos no céu
Os números também ajudam a explicar por que razão diferentes contagens de uma mesma tempestade podem parecer contraditórias.
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A análise da Meteorage contabiliza especificamente descargas entre as nuvens e o solo. Há, contudo, muita atividade elétrica que acontece exclusivamente dentro ou entre nuvens e que, por isso, não entra nesta contagem.
O Reino Unido oferece um bom exemplo. Durante todo o verão, a Meteorage registou cerca de 14.400 descargas nuvem-solo no território britânico. Mas apenas nas 24 horas que terminaram às 10 horas de 26 de junho, o Met Office contabilizou mais de 63 mil descargas elétricas — muitas das quais nunca chegaram ao solo.
Foi também um verão de grandes contrastes meteorológicos. Enquanto partes da Europa assistiam a sucessivas tempestades, Portugal e o sudoeste espanhol mantiveram uma atividade elétrica relativamente baixa.
No final, o mapa de quase 900 mil pontos conta duas histórias: a das regiões onde o céu passou o verão a iluminar-se — e a de países como Portugal que, desta vez, ficaram longe do centro da tempestade.