O Museu do Quartzo e o professor Galopim de Carvalho

🗓️ 2026-09-09 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Olá, seja bem-vindo. Esta é a história das histórias. Jorge Adolfo Marques está em Viseu. Eu, João Paulo Secadura, estou aqui só a acompanhar este historiador, este grande professor, que nos vai falar hoje de um museu muito curioso, o Museu do Quartzo, ali no Monte de Santa Luzia, muito perto de Viseu, que é, no fundo, o Centro de Interpretação Galopim de Carvalho, onde se homenageia este, por grande sorte, meu grande amigo também, este professor quase já jurássico, que com os seus 95 anos continua com as suas campanhas. É um homem extraordinário, ainda há pouco tempo estive com ele.

Exatamente.

E que aqui tem esta bela homenagem neste Museu do Quartzo.

É verdade. E eu também queria falar no Museu do Quartzo, para, de uma forma muito humilde, prestar a minha homenagem ao professor Galopim de Carvalho. Grande geólogo.

E grande homem.

Exatamente. E sempre com uma intervenção cívica muito presente.

Muito importante.

Porque para além do homem de ciência, é um homem também de ação e de intervenção cívica. E, portanto, tiro aqui o meu chapéu. Embora não esteja com o chapéu na cabeça, mas tiro aqui o meu chapéu ao professor Galopim de Carvalho.

Muito bem.

Ora, o Museu do Quartzo, que fica aqui mesmo à saída da cidade de Viseu, abriu em abril de 2012. Portanto, também é um jovem museu. E faz parte da rede de museus municipais do município de Viseu. E abriu aonde? No Monte de Santa Luzia. O Monte de Santa Luzia é um monte muito interessante por uma razão muito simples. Identifica-se ao longe, porque para além da elevação, que se distingue bem da paisagem, ele tem uma enorme cratera. E que resultou de quê? Da exploração pela Companhia Portuguesa de Fornos Elétricos de Canas de Senhorim, do concelho de Nelas. Entre 1961 e 1986, exploraram ali quartzo. E deixaram essa cicatriz enorme com aquela cratera gigantesca, quase que comeu o monte todo, mas que mesmo assim é possível ir à parte superior. Aliás, tem lá uma capela, Capela de Santa Luzia, e tem lá um posto de vigia dos incêndios. Portanto, é um miradouro extraordinário sobre a região de Viseu. Dali consegue-se ver não só a localização da cidade, mas também todas as serras à sua volta. A Serra da Estrela, a Serra do Caramulo, a Serra do Montemuro. Portanto, Viseu parece no centro de um vulcão. Imagine-se um vulcão gigantesco cercado de montanhas e no centro está a cidade de Viseu.

Muito bem.

E essa capitalidade, que resulta da sua centralidade, remonta à época romana. Os romanos faziam ali cruzar várias estradas que vinham de Oriente, que vinham da zona de Mérida, a capital da Lusitânia, e que se dirigiam à costa, que vinham de Sul, que vinham de Norte. Portanto, é um ponto de cruzamento. E hoje também continua a ser um ponto de cruzamento, nomeadamente de autoestradas. Portanto, esse museu é criado em 2012 e quem o pensou foi o professor Galopim de Carvalho.

Muito bem.

Portanto, foi ele o grande mentor, o grande impulsionador deste museu. A construção deste novo espaço museológico constituiu um importante passo para a recuperação e valorização daquele monte quartzítico em Santa Luzia. Um geomonumento. Temos aqui falado tanto em monumentos. Este é um geomonumento de características ímpares. Infelizmente, eu gostava de fazer aqui uma ligeirinha crítica que é: quando o museu foi pensado, programado, era possível ter sido integrado um espaço sobre o povoamento pré-histórico que ali existiu.

Pois, porque ali houve escavações, não foi? Nos anos 80.

Exato, nos anos 80 houve escavações, foram dirigidas pelo monsenhor Celso Tavares da Silva, pelo doutor João Inês Vaz e pelo doutor Alberto Correia. Foram eles que coordenaram aquelas escavações logo ali, nos inícios dos anos 80. E que são muito importantes, por quê? Estava ainda a decorrer a exploração quartzítica. Mas no topo desse monte existiam vestígios de ter sido um castro. Um castro da Idade do Bronze. Mas ficou claro com as escavações, foi identificada uma muralha, foram identificadas cabanas desse povoado e que remontam precisamente àquilo que se chama o Bronze Final e à Idade do Ferro. Embora também tenham sido lá encontrados objetos romanos. O que quer dizer que desde o Bronze Final. Estamos ali a falar do início do primeiro milênio antes de Cristo. Até à época romana, houve ali ocupação

Muito bem.

E encontra-se ali muitos objetos, muitos materiais.

Que estão hoje onde, Jorge?

Que estão hoje espalhados, eu diria espalhados, porque eles não estão expostos todos. Estão desde a Casa do Miradouro ao Museu Grão Vasco, à Universidade Católica. Porque à medida que foram sendo feitas descobertas. O doutor José Coelho fez descobertas, guardou-as. O Russell Cortez, diretor do Museu Grão Vasco, fez descobertas, guardou-as no museu.

Exato.

As escavações dos anos 80 do monsenhor Celso Tavares da Silva, João Inês Vaz e Alberto Correia, guardaram-nas no Seminário Maior e depois transitaram pra Universidade Católica. Por isso é que aqui há uns problemas. Atrás fiz referência ao Museu de História da Cidade, que era muito importante reunir todos esses objetos que falam da história de Viseu e da região.

Mas estes em concreto, Jorge, até era simpático ter feito lá, como tu dizes e como sugeriste, no próprio in loco, ter lá uma pequena coisa de interpretação, um pequeno espaço.

Exatamente.

Com os vestígios ali encontrados.

Exatamente. O que nós podemos ver hoje dessa época lá no Monte Santa Luzia é os vestígios da muralha que circundava o povoado. Nada mais há visível. E depois temos o Museu do Quartzo, que está aberto ao público, é um museu gratuito.

Muito curioso, interativo. É muito giro.

Muito interativo, muito interessante para as crianças e para os jovens que andam a estudar. E falta lá só esta parte da arqueologia, que era muito interessante existir.

E ser ali, claro, tudo reunido. E de facto é engraçado, porque mesmo não no edifício, mas a gente passa aí depois por trás, tem esse cabeço. A vista é linda, como tu disseste, e depois, de facto, é uma singularidade geológica, como tu disseste. Tem o quartzo, aparece à superfície, coisas de quartzo branco ou leitoso. É muito curioso.

Sim, é muito bonito.

É uma coisa única.

Eu deixo aqui um apontamento pessoal. Quando era miúdo, criança, por altura do outono, dos magustos, em mais do que uma ocasião fui lá fazer magusto. E qual era a nossa brincadeira de crianças? Era ir apanhar essas pedrinhas que pareciam vidro.

Exato.

Porque eram transparentes, porque tinham formas muito bonitas e trazia pra casa e guardava essas pedrinhas que tinham essa beleza. Porque esses materiais são muito importantes pra nossa indústria, para muitas coisas. Desde porcelanas, faianças, isoladores, azulejaria, pra ótica, pra cirurgía ótica, pra vidraria, etc. Está presente em muitos produtos que nós usamos.

É uma grande riqueza e ali está à superfície, completamente. Muito bem. Jorge Adolfo Marques, estamos hoje conversados com esta belíssima passagem no Museu do Quartzo, no Monte de Santa Luzia e marcamos encontro entre nós amanhã. Está combinado. Até amanhã.

Até amanhã.