O PT não se moderniza
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O PT nunca absorveu as lições de partidos de esquerda da Europa, muitos deles inspirados no ideal comunista do controle dos meios de produção pelo Estado. Mais tarde, aderiram ao modelo de economia de mercado associada à redução da desigualdade e da pobreza.
A legenda aferrou-se, todavia, à ideia equivocada de que o desenvolvimento advém da elevação dos gastos públicos, da proteção permanente à indústria nacional e da fé em empresas estatais “estratégicas”. A produtividade — a fonte central da prosperidade — é a grande ausente em seus documentos.
Seu programa eleitoral inclui promessas insustentáveis diante da grave crise fiscal que se aproxima. Promete “ampliação de direitos, reconstrução do Estado, aprofundamento da democracia e transformação estrutural do país”, que “têm como base as conquistas e entregas do atual mandato”. Ora, no Lula 3 houve agravamento da situação fiscal e ocultação de gastos para cumprir metas.
“Depois de ter governado a maior parte do tempo desde 1994, retoma o tema da herança maldita”
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Pelo partido, “somos o verdadeiro novo porque enfrentamos o velho sistema que mantém o Brasil no atraso, na desigualdade e na dependência”. Depois de ter governado a maior parte do tempo desde 1994, diz que encontrou, em 2023, “um Estado profundamente desmontado e fiscalmente desequilibrado”. Esquece que no atual mandato cresceu a relação dívida/PIB, que é o principal indicador de solvência do setor público. Retomou o tema da “herança maldita”, empunhado em 2003 para desmerecer Fernando Henrique, que lhe legara algo “bendito”, o fim da hiperinflação. Agora, com menor exagero, se refere aos problemas fiscais deixados pelo governo Bolsonaro.
Afirma-se que, sob a diretriz de “colocar o pobre no orçamento e o rico no imposto de renda”, o terceiro mandato “realizou uma profunda reorganização fiscal que elevou a proteção social sem renunciar ao reequilíbrio das contas públicas”. Na verdade, a relação dívida/PIB partiu de 71,7% em 2022 e chegará a 83,9% em 2026. “Fizemos a gestão fiscal mais republicana da história do Brasil”. Como?
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O programa se vangloria, sem razão, de “uma estratégia fiscal inovadora com o novo arcabouço fiscal, que controlou o crescimento das despesas sem prejudicar a recomposição de gastos sociais”. Isso está longe de ser verdade. Ademais, festeja que o “déficit primário encerrará 2026 próximo de 0,4% do PIB”, perto do “equilíbrio fiscal”. Na realidade, o que importa é o déficit nominal, que influencia o aumento da relação dívida/PIB. Estima-se que tal déficit seja de mais de 10% do PIB neste exercício.
O PT merece elogios pela aprovação da reforma tributária do consumo, mas não por dizer que herdou “uma taxa Selic elevada e uma política econômica equivocada do governo, que levaram ao endividamento elevado das famílias”. Essa taxa era de 13,75% em dezembro de 2022, mas agora é de 14% e alcançou 15% em 2025.
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Para reforçar o atual discurso de Lula, o programa inclui um capítulo sobre a soberania nacional. O tema aparece de forma abundante nos demais capítulos. Incrível!
Publicado em VEJA de 28 de agosto de 2026, edição nº 3010
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