Ofensas de Milei a Lula são como "cuspir na bandeira", diz Celso Amorim | CNN Brasil
O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, avaliou nesta quarta-feira (12) que as ofensas do presidente argentino, Javier Milei, em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são como "cuspir na bandeira" e não podem ser admitidas.
Em audiência na Câmara dos Deputados, Amorim criticou o caráter pessoal das críticas do líder argentino.
"Uma coisa é você falar politicamente. Pode até dizer que o brasileiro é fascista, socialista, comunista, dizer o que quiser. Agora, quando passa para uma ofensa pessoal é como cuspir na bandeira. O presidente é o chefe de Estado do Brasil. Isso é uma coisa que não pode ser feita", declarou.
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Milei tem escalado críticas em relação a Lula desde sua visita ao Brasil, quando participou da convenção nacional do Partido Liberal e chamou o presidente brasileiro de "presidiário", em 25 de julho.
Na terça-feira (11), ele repostou uma publicação do deputado americano Carlos Gimenez, do partido Republicano, em que Lula é chamado de "porco".
O governo brasileiro decidiu ignorar as críticas, adotar uma estratégia de contenção diante dos reiterados ataques do presidente da Argentina e, assim, evitar acirrar tensões.
Em audiência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, Celso Amorim disse que tem buscado não falar do assunto e que espera que a redução no nível das relações diplomáticas entre os dois países não dure muito.
"Nós nunca usamos palavras ofensivas com o presidente Milei. Ele segue o governo dele, nós seguimos o nosso. Nós nunca usamos palavras ofensivas, nunca o chamamos de ladrão ou de outras coisas", disse.
Amorim foi chamado ao colegiado da Câmara para tratar da classificação de organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas pelos Estados Unidos. Na reunião, o embaixador também falou sobre o aumento de tarifas pelo governo americano.
Segundo ele, as tensões nas relações pelo chamado "tarifaço" dos EUA não podem ser comparadas com o tensionamento na relação do Brasil com a Argentina.
"Nós amamos o povo argentino: 70% do qual está contra o governo, mas isso é um problema para eles resolverem. Isso não pode ser equiparado a uma tarifa que é uma quebra do direito internacional", disse.
Nesta semana, uma pesquisa do instituto Zuban Córdoba y Asociados constatou que pelo menos sete de cada dez argentinos desaprovam os ataques de Milei a Lula.
"Todos nós queremos viver dentro de um sistema de leis, internamente no Brasil e no mundo. Se não tem sistema de leis, o que sobra é a violência. É o que está acontecendo. Estamos em um mundo muito perto de ter até uma guerra mundial", declarou Amorim.
Sobre as relações com os Estados Unidos, Celso Amorim afirmou que o Brasil nunca deixou a mesa de negociações, mas que o momento é de "total opacidade" do lado americano para o diálogo.
O embaixador também reforçou o posicionamento contrário do governo à classificação de organizações criminosas como terroristas. Esse enquadramento, segundo Amorim, pode abrir brechas para eventuais ações militares estrangeiras e coloca em risco a soberania brasileira.