Olivier Faure é candidato às primárias da esquerda para presidenciais francesas
"Decidi candidatar-me a estas primárias", escreveu numa mensagem, informando que faria um anúncio oficial na noite de domingo na televisão francesa.
Olivier Faure, de 58 anos, não fazia segredo, nos últimos dias, da sua intenção de disputar as primárias da esquerda social-democrata francesa.
É a primeira vez que o líder do PS há oito anos disputa a presidência da República. Faure tinha cedido o lugar à ex-autarca de Paris, Anne Hidalgo, em 2022, que obteve o pior resultado da história do partido (1,7% dos votos).
Faure, que segundo os apoiantes "reancorou o partido à esquerda" perante as dificuldades eleitorais enfrentadas após a presidência socialista de François Hollande (2012-2017), terá de enfrentar pelo menos quatro candidatos, incluindo a ex-candidata à presidência Ségolène Royal.
Contudo, precisará, sobretudo, de superar o deputado europeu de centro-esquerda Raphaël Glucksmann, que surge como favorito, registando entre 10% e 15% das intenções de voto para a primeira ronda da eleição presidencial nas sondagens.
Já Olivier Faure encontra-se entre 3,5% e 5%. Ainda pouco reconhecido como candidato, terá de convencer o seu próprio campo político e, de forma mais ampla, o eleitorado de esquerda.
Trata-se de um paradoxo, visto que Olivier Faure contribuiu para a ascensão política de Glucksmann ao escolhê-lo como cabeça de uma lista conjunta nas eleições europeias de 2019.
Desde então, o eurodeputado, que adota uma linha pró-europeia e de oposição à esquerda radical, aproximou-se mais dos opositores internos de Faure.
Enquanto Faure defendia uma primária aberta a todos os simpatizantes de esquerda, os militantes socialistas preferiram que fosse "fechada", restrita aos militantes do PS e do Place Publique (partido de Glucksmann).
Mantendo uma linha de união da esquerda desde que assumiu o comando do partido em 2018, o líder do PS deve dar continuidade a essa orientação e apostar no desejo de união do eleitorado de esquerda.
No entanto, também poderá ser alvo de críticas devido à sua relação com o partido de esquerda radical La France Insoumise (LFI) e o seu candidato à presidência, Jean-Luc Mélenchon, visto que Raphaël Glucksmann já marcou claramente a sua distância em relação a isso.
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