ONU denuncia entrada de israelitas nas instalações de Jerusalém Oriental
"Pela segunda vez em menos de um mês, forças israelitas e funcionários municipais entraram à força no Centro de Formação Profissional de Kalandia, uma instalação das Nações Unidas situada em Jerusalém Oriental ocupada, interrompendo as atividades letivas em curso e suscitando novas preocupações quanto à proteção das instalações da ONU ao abrigo do direito internacional", afirmou a Agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina no Médio Oriente (UNRWA) em comunicado.
A UNRWA disse que a operação israelita "não foi autorizada" e ocorreu quando alunos e professores se encontravam em aulas.
A agência acusou ainda as forças israelitas de concentrarem funcionários e estudantes e de os manterem retidos durante toda a operação.
"Não foi apresentado qualquer documento que explicasse o objetivo da entrada e os funcionários municipais fotografaram sistematicamente os edifícios, os gabinetes e as instalações de formação", acrescentou.
De acordo com a agência, o centro de formação está há vários meses sob ameaça de apreensão considerada ilegal por parte das autoridades israelitas.
"A UNRWA advertiu que isso constituiria não só uma violação do direito internacional, como também uma perda irreparável de oportunidades essenciais de formação profissional que a agência disponibiliza ao abrigo do mandato conferido pela Assembleia-geral das Nações Unidas", sublinhou.
A agência salientou que o centro proporciona aos jovens refugiados palestinianos a possibilidade de adquirir competências, aceder ao mercado de trabalho e construir o seu futuro.
Invocando pareceres e decisões do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), a UNRWA apelou às autoridades israelitas para que cumpram as obrigações internacionais e se abstenham de qualquer nova ingerência nas instalações, no pessoal e nos refugiados que beneficiam dos serviços.
O caso motivou críticas internacionais, nomeadamente do Egito e da Jordânia, que condenaram a ação contra o centro de formação destinado a jovens refugiados.
A diplomacia egípcia classificou o incidente como "uma violação flagrante da inviolabilidade das instalações das Nações Unidas" e "uma continuação das ações ilegais de Israel na Cisjordânia", considerando que contraria as convenções internacionais relativas à proteção da população civil sob ocupação.
O Cairo apelou à comunidade internacional para adotar "medidas urgentes" que impeçam novas ações israelitas contra este tipo de instalações e garantam que a UNRWA "possa continuar a cumprir o mandato que lhe foi confiado pela ONU".
No mesmo sentido, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Jordânia, Fuad Majali, manifestou "firme rejeição e condenação" da "campanha sistemática de Israel contra a UNRWA".
Majali denunciou o que classificou como "assédio à agência humanitária", através da imposição de restrições às instituições e da tentativa de comprometer a missão humanitária.
O porta-voz jordano afirmou ainda que a operação israelita no centro educativo constitui uma violação clara do direito internacional e contraria os pareceres e decisões do TIJ.
Perante o que considera serem tentativas de desmantelar a UNRWA e de reduzir a importância simbólica, a Jordânia apelou à comunidade internacional para que assuma as suas responsabilidades "legais e morais", apoie a agência e se oponha às medidas adotadas por Israel.
Leia Também: Ben Gvir celebra sentimento de posse sobre a esplanada das Mesquitas