Operadores do Master e Jaques Wagner discutiram em código - 11/09/2026 - Política - Folha

🗓️ 2026-09-11 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O advogado Daniel Monteiro, do Banco Master, utilizou código para se referir ao valor de um apartamento negociado com Guilherme Sodré, homem de confiança do senador Jaques Wagner (PT-BA). Segundo relatório da PF (Polícia Federal), o parlamentar e seu operador também receberam vinhos de luxo patrocinados pelo banqueiro Daniel Vorcaro e seu ex-sócio, Augusto Lima.

Segundo documentos da PF tornados públicos por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), foram encontradas no celular de Monteiro conversas sobre a aquisição de um apartamento no residencial de luxo Poème Horto, em Salvador (BA). É o imóvel que Wagner pediu para Augusto Lima comprar, para presenteá-lo à filha do senador.

Numa conversa do dia 18 de dezembro de 2025, cerca de um mês após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, Daniel afirma para Sodré, pelo aplicativo de mensagens WhatsApp, que "a altura do vão é 2,45m". Segundo a PF, isso sugere "utilização de linguagem cifrada" para "dificultar a compreensão do efetivo conteúdo".

Os agentes apontam que, no dia 26 de novembro de 2024, Jaques Wagner encaminhou para Augusto Lima o contato de um gerente da construtora Moura Dubeux, responsável pelo empreendimento. Junto, foram encaminhadas informações relativas ao imóvel avaliado em R$ 2,45 milhões.

Em junho deste ano, Wagner admitiu a tratativa. "Eu tinha interesse em dar, de ajudar a minha filha a comprar um apartamento desses. Como Guga, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a ele: 'Você pode comprar? Depois eu vou recomprar' Porque o apartamento está em construção. E eu teria que vender o apartamento de minha filha para poder complementar o apartamento ou ela financiar", disse.

Ainda na Bahia, Augusto Lima, conhecido como "Guga Lima", enviou vinhos de R$ 2,5 mil a R$ 5,3 mil a Wagner e Guilherme Sodré, também conhecido como "Guiga". Há também uma conversa de Daniel Vorcaro com o diretor comercial do Banco Master, Fernando Mascarenhas.

O banqueiro diz para o funcionário mandar algo para Lula e base aliada, e Fernando responde: "Vou
mandar então pra tio Guiga e Jaques". Em dezembro de 2024, Augusto Lima fala com sua secretária, que mandou uma lista de pessoas para envio de "lembranças de final de ano".

Nela, constam o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), Jaques Wagner, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT), o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).

O material obtido pela PF faz parte das investigações sobre o Banco Master, cujo caso foi tornado público na quinta-feira (10) por ordem do presidente do STF, Edson Fachin . A demanda foi atendida pelo relator do caso, o ministro André Mendonça.

O fim do sigilo sobre a investigação também havia sido defendido, anteriormente, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta sexta (11), após parte dos documentos ser revelada, Flávio Bolsonaro pediu o fim da confidencialidade sobre o material envolvendo o "Dark Horse".

Jaques Wagner foi líder do governo Lula e deixou o cargo em junho, após ser alvo de operação da PF por suspeita de ter recebido pagamentos ligados ao Master.