Oportunidade à vista? BlackRock volta a recomendar compra de mercados emergentes – Money Times

🗓️ 2026-09-15 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

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(Imagem: Nikada/iStock)

A gestora BlackRock voltou a recomendar uma posição overweight (equivalente à compra) em ações de mercados emergentes, reforçando sua estratégia de maior exposição ao risco mesmo em um ambiente de juros globais mais elevados.

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Segundo a gestora, o aumento das taxas de juros ao redor do mundo elevou a exigência de retorno dos investidores, mas não elimina as oportunidades em renda variável quando os lucros das empresas continuam crescendo de forma robusta.

“Continuamos favoráveis ao risco apesar dos juros mais altos. Fundamentos sólidos e a escassez associada à inteligência artificial sustentam nossa posição acima da média em ações dos Estados Unidos e nosso retorno para uma posição acima da média em mercados emergentes”, afirma a equipe da BlackRock liderada pela estrategista-chefe global de investimentos, Wei Li.

Na avaliação da gestora, o avanço das taxas de juros não precisa ser necessariamente negativo para as ações. No comentário semanal, os estrategistas avaliam que quando os rendimentos dos títulos públicos sobem porque a economia está crescendo e os investimentos estão aumentando, o fortalecimento dos lucros corporativos pode compensar o aumento do custo de capital.

Essa visão sustenta a manutenção da recomendação positiva para as ações dos Estados Unidos e para empresas ligadas ao tema da inteligência artificial (IA).

Emergentes entram na tese da inteligência artificial

Um dos principais argumentos da BlackRock para voltar a elevar a exposição aos mercados emergentes é a conexão desses países com a cadeia global de inteligência artificial.

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A gestora afirma que os emergentes oferecem diferentes formas de capturar o crescimento associado ao setor:

  • Coreia do Sul e Taiwan ocupam posições centrais nas cadeias globais de semicondutores, memória e hardware;
  • América Latina, incluindo o Brasil, fornece recursos naturais e infraestrutura física necessários para a expansão da inteligência artificial.

“A escassez relacionada à inteligência artificial é um dos elementos que conectam diferentes mercados emergentes. Coreia do Sul e Taiwan estão no centro das cadeias de semicondutores, enquanto a América Latina oferece acesso aos recursos e à infraestrutura necessários para a expansão da IA”, afirma.

Lucros crescem mais rápido que nos EUA

A BlackRock destaca que a combinação entre crescimento dos resultados e preços mais descontados favorece os mercados emergentes.

As projeções de consenso apontam que o lucro por ação das empresas do índice MSCI Emerging Markets deve crescer mais de 34% nos próximos 12 meses, contra aproximadamente 20% para o MSCI USA.

Apesar disso, as ações emergentes são negociadas a cerca de 10 vezes o lucro projetado, enquanto as ações americanas operam perto de 20 vezes.

“As ações de mercados emergentes negociam com um desconto de aproximadamente 50% em relação às ações americanas, enquanto apresentam expectativas significativamente superiores de crescimento dos lucros”, diz.

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Segundo a gestora, o múltiplo atual dos emergentes está entre os 10% mais baixos observados nos últimos 20 anos.

Dólar e alavancagem

O relatório também aponta que uma eventual desvalorização do dólar poderia beneficiar os mercados emergentes ao aliviar as condições financeiras, fortalecer moedas locais e estimular a entrada de capital estrangeiro.

Contudo, a BlackRock ressalta que sua recomendação não depende desse cenário. “Nossa visão para mercados emergentes não depende de um dólar mais fraco. Consideramos a fraqueza da moeda americana e fluxos mais fortes de capital como fatores adicionais de suporte, e não como a base da tese.”

Além disso, a gestora havia reduzido anteriormente sua recomendação para mercados emergentes devido ao aumento de preocupações com alavancagem, especialmente na Coreia do Sul.

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Agora, porém, a avaliação é que parte desse processo de desalavancagem já ocorreu, reduzindo os riscos e melhorando o quadro tático para a classe de ativos.

Ainda assim, a gestora segue enxergando possíveis impactos econômicos das tensões no Oriente Médio; pressões persistentes sobre os preços da energia; inflação ainda elevada; e aumento adicional dos juros de longo prazo nos Estados Unidos.

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