Oposição italiana critica governo por abrir "crise diplomática" com Espanha
Na quinta-feira à noite, após a divulgação de imagens de milhares de marroquinos a entrarem ilegalmente ao enclave de Ceuta, o governo de direita e extrema-direita de Giorgia Meloni, que tem como uma das grandes 'bandeiras' o combate à imigração ilegal, defendeu "o encerramento do espaço Schengen [de livre circulação de pessoas] com Espanha".
O ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro, Antonio Tajani, acusou Madrid de ter encorajado "o tráfico de seres humanos" ao "conceder a cidadania espanhola a 500 mil imigrantes irregulares".
Mais tarde, Meloni defendeu também a adoção de "instrumentos extraordinários para defender as fronteiras e a segurança dos cidadãos, como a suspensão do espaço Schengen com Espanha", face às "imagens chocantes" da fronteira em Ceuta.
A posição de Roma foi severamente criticada pelo chefe da diplomacia espanhola, José Luis Albares, que deplorou "a demagogia" de Itália e convocou mesmo o embaixador italiano em Madrid, tendo recebido agora o apoio do Partido Democrático (PD), principal força política da oposição em Itália, de centro-esquerda, da família socialista europeia, tal como o chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez.
Em comunicado, o responsável pelos Assuntos Externos do PD, Peppe Provenzano, acusou Meloni de "propaganda mesquinha" e considerou que a chefe de governo abriu uma crise diplomática com Espanha para não perder eleitores para a nova figura que está a despontar na direita radical italiana, Roberto Vannacci, que recentemente fundou um novo partido, o Futuro Nacional.
"Uma presidente do Conselho que desencadeia uma crise diplomática com a Espanha devido à louca perseguição a Vannacci. Um ministro dos Negócios Estrangeiros que, evidentemente, ignora que Ceuta é um enclave em África e apela ao encerramento do espaço Schengen com Espanha. É um governo de irresponsáveis e manipuladores, que há quatro anos não resolve um único problema e recorre diariamente à propaganda mais mesquinha", acusou o dirigente.
A completar o comunicado, Provenzano apontou que, "entretanto, a realidade é que Espanha cresce a um ritmo de 2,7% e Itália permanece estagnada, e quem paga a conta são os cidadãos, com salários cada vez mais baixos e um custo de vida cada vez mais insustentável".
Na sequência das declarações de Tajani, o homólogo espanhol lamentou a intervenção, que classificou como inapropriada, por parte de "um país parceiro e amigo de quem se espera solidariedade europeia e não demagogia partidária".
Além dos Irmãos de Itália, partido pós-fascista liderado por Meloni, e do Força Itália, partido de centro-direita encabeçado por Tajani, também o outro partido que integra a coligação governamental, a Liga, força de extrema-direita liderada por Matteo Salvini, defendeu a suspensão do acordo de Schengen com Espanha, comentando que "a chegada de quase 50 mil imigrantes clandestinos a Ceuta em menos de 24 horas comprova o desastroso fracasso do governo socialista de Pedro Sánchez, referência da esquerda italiana".

Itália quer suspender Espanha de Schengen. Madrid convoca embaixador
O ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Luis Albares, criticou hoje a "demagogia" de Itália ao pedir a suspensão do seu país do espaço Schengen após a chegada maciça de migrantes ao enclave espanhol de Ceuta, e convocou o embaixador italiano.
Lusa | 23:17 - 30/07/2026