Opositor russo detido após ter sido declarado agente estrangeiro
"A polícia veio. Estão a levar-me para a esquadra de Dolgoprudny", na região de Moscovo, escreveu Nadezhdin, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
O Ministério da Justiça russo declarou na sexta-feira Nadezhdin como um agente estrangeiro.
Nadezhdin assegurou então que prosseguiria a campanha de recolha de assinaturas para as eleições legislativas de 20 de setembro, alegando que a legislação não o impedia.
Segundo os meios de comunicação social russos, desde a emenda introduzida em maio de 2024 que o estatuto de agente estrangeiro impede a pessoa afetada de concorrer a um ato eleitoral.
"Difundiu informação falsa sobre decisões políticas adotadas pelas autoridades da Federação da Rússia, bem como sobre o sistema eleitoral. Fez apelos à participação em manifestações e piquetes não autorizados", alegou o Ministério da Justiça na sexta-feira.
O político, que chegou a ter uma intenção de voto de 15% em fevereiro de 2024, comparou a categoria de agente estrangeiro à de "inimigo do povo" na União Soviética, o bloco comunista liderado pela Rússia dissolvido em 1991.
Nadezhdin, que foi deputado e funcionário do Governo russo, tentou apresentar a candidatura nas eleições presidenciais de março de 2024 defendendo, entre outras coisas, negociações de paz entre russos e ucranianos.
Contudo, a Comissão Eleitoral Central rejeitou a candidatura por defeitos de forma durante o processo de recolha de assinaturas, decisão da qual recorreu.
Em abril, Nadezhdin comentou numa entrevista à EFE que o sistema autoritário do Presidente Vladimir Putin se estava a degradar e era cada vez mais propenso a erros.
"Não passa um dia sem que seja detido um vice-governador ou um presidente de câmara. Nem um único dia", denunciou na altura.
"A situação no país é objetivamente cada vez pior. E as pessoas confiam cada vez menos no Governo", acrescentou.
No início de junho, o vice-ministro da Justiça, Oleg Sviridenko, admitiu que 96% das pessoas e entidades que em 2025 foram declaradas agentes estrangeiros não contavam com financiamento do exterior, um dos principais requisitos para a acusação.
Os defensores dos direitos humanos, bem como a dissidência no exílio, denunciam que a referida etiqueta viola os direitos fundamentais dos cidadãos.
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