Ordem Franciscana arrecada fundos para restauração da 'Igreja de Ouro' | G1
As obras emergenciais na igreja já foram finalizadas e o imóvel, que permanece fechado, já não apresenta mais riscos de desabamento. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) garantiu um investimento de cerca de 20 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a primeira etapa da restauração.
Entretanto, os custos totais do processo desta fase do processo estão avaliados em R$ 61 milhões. Diante disso, a Ordem dos Franciscanos, organização proprietária do imóvel, iniciou a campanha "Abrace São Francisco" para ajudar no processo de restauração do templo.

Parte de teto de famosa 'igreja de ouro' do Centro Histórico de Salvador desaba
Em fevereiro deste ano — mês que marcou um ano do desabamento da 'Igreja de Ouro' — o frei Lorrane Clementino, vigário do Convento São Francisco, detalhou que apenas a área de visitação turística do templo está avaliada em mais de R$ 30 milhões.
Já todo o complexo (igreja e Convento São Francisco) está avaliado em quase R$ 90 milhões. "Precisamos da união de todos", ressaltou Lorrane, à época, ao comentar o processo de restauração do imóvel.
Desabamento matou turista e deixou feridos
Giulia Panchoni Righetto, de Ribeirão Preto, compartilhava paixão por viagens nas redes sociais — Foto: Reprodução/ Redes Sociais
O desabamento de parte do teto da igreja aconteceu na tarde de 5 de fevereiro de 2025. Diversos turistas visitavam o espaço, no Largo do Cruzeiro de São Francisco, uma área com sorveteria e restaurantes no Pelourinho.
Além de Giulia Panchoni Righetto, jovem de 26 anos, que morreu, outras cinco pessoas ficaram feridas.
Teto da igreja de ouro desabou em Salvador — Foto: Defesa Civil de Salvador
Segundo o presidente do instituto, Leandro Grass, a solicitação da igreja foi feita por meio de um protocolo normal, que não seria o caminho para o caso de uma urgência.
Na época, o então diretor da Defesa Civil de Salvador (Codesal), Sósthenes Macedo, reforçou que o poder público sabia que havia algumas partes comprometidas na estrutura, contudo, sem riscos de desabamento, por isso o espaço não estava interditado.
Problemas estruturais
Considerada uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no mundo, a igreja já enfrentava problemas estruturais há anos.
Com o interior revestido em ouro, o templo fundado no início do século 18 foi tombado como patrimônio material do Brasil, porém, o reconhecimento do governo federal, que deveria garantir a proteção ao espaço, não impediu a construção de atingir uma situação degradante.
Durante uma visita realizada em 2023, o g1 observou que o local estava com pinturas e teto desgastados, fiação exposta, pilastras sem reboco e piso desnivelado em vários pontos – o que dificultava a locomoção de pessoas com mobilidade reduzida.
O teto nos corredores do complexo religioso, composto pela igreja e pelo Convento dos Freis Franciscanos, também estava escorado com ripas.
Na ocasião, o g1 questionou ao Iphan se havia previsão de restauro do restante do local e o órgão informou que incluiu, no planejamento de ações de 2023, a contratação de empresa para elaboração dos projetos executivos de arquitetura, engenharia e restauração da Igreja de São Francisco.
Quando esta etapa fosse finalizada, conforme o instituto, seria aberto um processo para contratar a empresa que faria as obras. O tempo médio de restauração de um monumento como a Igreja de São Francisco dura entre dois e três anos, de acordo com o órgão.
No mesmo ano, um dos pátios da Igreja de São Francisco foi parcialmente fechado porque já havia risco de queda do pináculo direito. A estrutura — uma cúpula de metal que pesa cerca de uma tonelada e meia — chegou a ser removida, segundo o Iphan.
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