Organização de proteção do património pede "esclarecimentos urgentes" à Câmara do Porto sobre obras no centro
"O ICOMOS PT, no âmbito da sua missão, solicitou ao município do Porto esclarecimentos urgentes sobre as intervenções noticiadas, nomeadamente se foram aprovadas e com que fundamentação. Caso não tenham sido aprovadas, quais as diligências efetuadas no quadro da fiscalização e atuação em conformidade", anunciou a ONG dedicada à conservação, proteção e valorização dos monumentos, conjuntos e sítios.
A Lusa questionou o ICOMOS Portugal (sigla inglesa do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios) sobre as obras de alteração e ampliação que a Diocese do Porto iniciou recentemente no Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição, junto à Catedral da Sé, e que têm originado alguma contestação entre moradores do Centro Histórico, mas há mais intervenções nesta zona que tem gerado debate.
Na terça-feira, o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, afirmou na Assembleia Municipal que a autarquia fez participação de contraordenação da demolição do interior da Confeitaria Serrana, e que esta obra causou "estranheza, indignação, estupefação" aos serviços.
A notícia da demolição do interior da Confeitaria Serrana foi avançada pelo jornal Público, que deu conta da destruição ilegal do `recheio` do imóvel, na Rua do Loureiro, por parte do proprietário, o Grupo Lionesa, que detém a Livraria Lello, que pretende instalar naquele quarteirão um "Circuito Criativo", com a autarquia a admitir desconhecer que isto tivesse acontecido e confirmando a desconformidade com os termos do licenciamento, anterior ao atual executivo.
Só sobrou a fachada e alguns bens, como uma pintura secular de Acácio Lino, de uma loja com o selo Porto de Tradição atribuído em 2018, sendo o edifício da autoria do arquiteto Francisco Oliveira Ferreira.
Na resposta à Lusa, o ICOMOS Portugal relembrou que "há vários anos" que tem chamado à atenção para "vários problemas de gestão e conservação" do Centro Histórico do Porto.
"Aguardamos que nos sejam remetidos os elementos (técnicos e administrativos) sobre os processos em causa para nos podermos pronunciar com mais rigor sobre estes assuntos", acrescentou.