Os ares de Viseu não mudaram a tendência do clássico: Benfica goleia FC Porto e iguala 1º Dezembro como equipa mais titulada de Portugal
Três meses e meio depois do Jamor, Viseu. Em maio, a final da Taça de Portugal entrou para a história por ter sido palco do primeiro clássico de sempre entre Benfica e FC Porto no futebol feminino, no final de uma época em que as inspiradoras se sagraram hexacampeãs e as portistas passearam na Segunda Divisão. No Estádio Nacional, a equipa benfiquista acabou por levar a melhor com naturalidade, com dois golos de Caroline Moller (2-0). Agora no Estádio do Fontelo perspetivava-se um jogo mais equilibrado, com as azuis e brancas a apresentarem um plantel que, na teoria, pode ser capaz de se intrometer na luta pelo título com Benfica e Sporting.
O bis de Möller, a dobradinha do melhor: Benfica vence FC Porto num clássico para a história no feminino e conquista Taça
“A Supertaça é uma prova que premeia aquilo que foi o percurso da época anterior. Ainda assim, as equipas chegam a este jogo de forma diferente e com uma cara diferente daquela que apresentaram há três ou quatro meses. Houve saídas e reforços, embora creia que as ideias das equipas não serão substancialmente diferentes. Felizmente, o Benfica tem capacidade para se ajustar a esta realidade. Temos jogadoras que saem para contextos diferentes e, por isso, também temos de nos reinventar. Ainda assim, mantemos um núcleo duro forte. O FC Porto tem agora mais experiência e reforçou-se com jogadoras muito à imagem daquilo que é o clube e daquilo que pretende o treinador. Terá mais argumentos para colocar em prática as suas ideias. Reforçou-se para procurar títulos e nós cá estaremos para contrariar isso”, assumiu Ivan Baptista.
“É sempre um momento simbólico para nós. Foi aqui que tudo começou [primeiro jogo oficial do FC Porto foi frente ao Académico de Viseu] e, dois anos depois, estar deste lado para iniciar esta competição diz muito sobre o nosso desenvolvimento e sobre o crescimento do projeto. O passo que demos nestas duas épocas foi muito grande e sabemos da responsabilidade que existe em passar daquele campo para este estádio. É uma responsabilidade acrescida. Tenho a certeza de que será um jogo difícil. Este clube tem de estar nestas disputas e tem de lutar por títulos. Temos noção do momento das duas equipas, não apenas da realidade, mas também do ponto de vista estrutural. Do outro lado está uma equipa preparada para disputar a Liga dos Campeões e que se reforçou para isso. Deste lado temos um projeto em crescimento e muita ambição. Espero um Benfica forte e com ideias muito consolidadas”, analisou Daniel Chaves.
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Sem Diana Silva, Ana Borges, Lara Martins e Flourish Chioma, bem como Clarinha, Thaís Lima, Janet Akekoromowei, Neide Guedes, Carolina Simões e Diana Costa, que estão no Campeonato do Mundo de Sub-20, o Benfica entrou no relvado do Fontelo no habitual 4x2x3x1, com Tinkara Testen a juntar-se a Diana Gomes no centro da defesa, ao lado de Marit Lund e Catarina Amado e à frente de Lena Pauels. Daí para a frente atuaram as habituais Pauleta, Carolina Tristão, Lúcia Alves, Caroline Moller e Nycole Raysla, e a reforço Froya Dorsin. Já o FC Porto não contou com Vânia Duarte, Ema Gonçalves e Lily Bryant, começando com Cora Brendle, Inês Nogueira, Mariana Azevedo, Daniela Areia Santos, Alice Reto, Fátima Pinto, Morgan Stone, Eliza Turner, Maria Negrão, Maria Ferreira e Fatumata Sissé.
O primeiro jogo oficial da temporada começou bastante animado, com o Benfica a pressionar alto o FC Porto na tentativa de surpreender, mas a primeira ocasião de perigo pertenceu às dragoas, com Negrão a cobrar um livre da esquerda para a área, onde Stone apareceu a cabecear para o golo, depois de Pauels ter defendido para a barra (8′). Contudo, depois de quase quatro minutos de análise, Filipa Cunha anulou o golo por fora de jogo caçado pelo VAR Cláudia Ribeiro. Esse momento acabou por ser determinante no desenrolar do jogo, já que, na jogada seguinte, Nycole aproveitou uma falha defensiva para servir Lúcia, que isolou Dorsin com um toque ao de leve e, no frente a frente com Brendle, a avançada emprestada pelo PSG não desperdiçou, naquele que foi o golo 1.300 de sempre das águias (13′).
⚽️ FRØYA ABRE O MARCADOR NA FINAL!!pic.twitter.com/kyfLNLYC5S
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O jogo acalmou e só voltou a animar na reta final da primeira parte, com Moller a cortar com o braço dentro da área e a originar uma grande penalidade para o FC Porto, plenamente convertida por Fátima Pinto, que atirou fora do alcance da alemã (33′). Pouco depois, Diana Gomes desferiu um passe para o ataque, a defesa ficou a dormir e Nycole Raysla aproveitou para atacar o espaço e fazer o 2-1 depois de Cora Brendle se ter adiantado (42′). A fechar, Maria Negrão tentou surpreender de canto com um remate diretamente para a baliza, mas Lena Pauels estava atenta e defendeu (45+4′). Na resposta, Lúcia ganhou espaço na direita e cruzou para o segundo poste, onde Raysla apareceu completamente sozinha a desviar para fora (45+7′).
⚽️ Nycole volta a dar vantagem no marcador!pic.twitter.com/eDUV2jrGHq
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A etapa complementar trouxe um FC Porto mais atrevido e à procura de lançar Fatumata Sissé em velocidade, mas o Benfica continuou mais perigoso e, logo a abrir, colecionou uma grande penalidade por falta de Alice Reto sobre Catarina Amado, numa jogada em que a portista tentou fintar em zona perigosa, perdeu a bola e foi driblada antes de derrubar a internacional portuguesa (55′). Na cobrança do castigo máximo, Marit Lund esperou que Cora Brendle se deslocasse para a esquerda e colocou a bola no lado oposto (57′). Depois do terceiro golo, Ivan Baptista mexeu pela primeira vez, colocando Andreia Norton no lugar de Pauleta. As campeãs nacionais continuaram por cima e, depois de uma jogada de envolvimento pela esquerda, a bola sobrou para a direita, onde Froya Dorsin apareceu a rematar por cima, num lance que deu a ideia de defesa de Brendle (62′).
Marit Lund não falha! ⚽️pic.twitter.com/7QWxZrq6Aa
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Pouco depois, Lúcia Alves foi lançada por Caroline Moller na direita, cruzou de pronto, atrasado, para o remate de primeira da dinamarquesa no coração da área, sem qualquer marcação (66′). Seguiu-se nova oportunidade para Nycole, que rematou para fora (70′) e as entradas de Anna Csiki (saiu Moller), Chandra Davidson (Dorsin), Ziqin Shao (Nycole), Letícia Almeida (Mariana Azevedo) e Lana Golob (Eliza Turner). Depois da pausa para hidratação o Benfica continuou por cima e Norton quase marcou um golaço de fora da área, mas Brendle levou a melhor (78′). Daniel Chaves respondeu com Mylena Freitas no ataque, no lugar de Sissé, mas não conseguiu evitar mais um golo, com Chandra a ganhar espaço na direita e a cruzar atrasado para o desvio de Csiki (81′). Madalena Loução, Angeline da Costa e Ana Teles foram as últimas a entrar, mas o resultado não sofreu mais alterações (5-1).
⚽️ MØLLER FAZ O QUARTO! QUE. JOGADA!pic.twitter.com/ON2XzSPxCf
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⚽️ ANNA CSIKI FAZ O QUINTO GOLO!pic.twitter.com/9BqwMTtviF
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Com esta goleada, o Benfica reconquistou a Supertaça três temporadas depois e tornou-se no clube que mais vezes levantou o troféu (quatro), desempatando com o Sporting (três). Em termos de títulos no futebol feminino nacional, as águias têm agora 19 troféus e são, a par do 1º Dezembro, o clube mais titulado. Contam-se, para lá das quatro Supertaças, seis Campeonatos, três Taças de Portugal, cinco Taças da Liga e uma Segunda Divisão.