Os gangues do Rolex, do Bloco e da Festa do Avante
Estou chocado. E magoado. E mesmo ofendido. E é com a Islândia. Então não é que esses mal agradecidos semi-esquimós, em referendo, confirmaram não ter qualquer interesse em juntar-se à União Europeia!? Portanto, a ver se eu percebi: o país onde o clima é extremo e imprevisível, onde a atividade sísmica é permanente e onde, durante vários meses por ano, há 4 ou 5 horas de luz por dia, olhou para a UE e disse “nã, aí vive-se mal, preferimos continuar isolados nesta espécie de pré-Polo Norte”.
Aliás, para ser rigoroso, nem foi bem isto, porque o referendo na Islândia nem sequer era sobre entrar na União Europeia, era apenas, e só, sobre retomar as negociações de adesão, suspensas há mais de dez anos. É que nem falar do assunto os islandeses querem! Sacanas ingratos, armados em esquisitos, como se tivessem melhores opções. Querem o quê, ser uma Suíça, quando podiam perfeitamente sonhar tornar-se uma mini-Espanha on ice? Há opções que não se entendem.
Porque a União Europeia vai lançada (que seja rumo ao precipício é um parêntesis que não interessa trazer à baila, como é óbvio) e a já referida Espanha leva a camisola amarela, toda orgulhosa, ao comando do pelotão suicida. Liderança mais do que justificada pela gestão de Pedro Sánchez da questão de Ceuta. “Mas espera, isso não estava já resolvido, com toda a gente de volta a Marrocos?” Não exatamente. Afinal está tudo um caos e Sánchez já identificou os culpados pelo granel: Rússia, Israel, extrema-direita, redes sociais, Rei de Espanha e Zorro. Mentira, o Zorro não é culpado: embora, de facto, tenha feito a vida negra a inúmeros espanhóis, fê-lo em nome do anti-colonialismo na Califórnia, pelo que terá em Pedro Sánchez um eterno fã.
Mas quanto à culpabilidade de Rússia, Israel, extrema-direita, redes sociais e Rei de Espanha, não há quaisquer dúvidas. O que não deixa de ser impressionante: tendo em conta a dificuldade que é arranjar nove tipos no trabalho para jogar futebol à quinta à noite, como é que esta turma se terá organizado para tramar o Sánchez? Já sei. De certeza que foi Israel a organizar tudo, num intervalo entre controlar Donald Trump, as forças armadas americanas, a banca mundial, o clima e Hollywood, e a preparação do próximo 11 de setembro. Óbvio.
A propósito de Pedro Sánchez e de malta que odeia judeus — passe a redundância —, por cá o Bloco de Esquerda fez a sua rentrée política, quase tão potencialmente desastrosa como a entrada indiscriminada de imigrantes em Ceuta. Entre outras maravilhas ligeiramente menos engraçadas, o Bloco quer duplicar o adicional ao IMI, o chamado “imposto Mortágua”. O que me parece da mais elementar justiça: havendo duas gémeas Mortágua, não faz sentido, ao nível do equilíbrio da família política, só uma delas ter direito a um imposto. Toca a avançar com nova geringonça e a duplicar esse AIMI!
Como se, para assaltos à mão armada, não nos bastasse já o célebre Gangue do Rolex. Um gangue que, sejamos sinceros, acaba por ser prestigiante: ter no nosso país um sindicato do crime especializado em alta relojoaria praticamente nem conta como criminalidade, é quase cartão de visita. Como o cartão de visita que receberam as organizações terroristas que marcarão presença na Festa do Avante, ali ao lado dos nossos cantores de intervenção, a entoar loas à liberdade na festa da ideologia mais assassina da história, que o Parlamento Europeu, em 2019, equiparou ao nazismo. Vai ser bonita, a festa, pá!
Enquanto isso, os Neves, também eles sempre em festa, asseguram que Portugal é seguríssimo: relógios tirados dos pulsos, AIMIs tirados das carteiras e terroristas a tirarem-nos do sério. Por este andar, não tardará vermos o Gangue do Rolex substituído pelo Gangue do Timex.
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