Os robôs da China invadiram o mercado de tal forma que os EUA se assustaram
Casa Branca está preocupada com a segurança nacional e por isso decidiu agir
A China, que fornece a grande maioria dos robôs humanoides do mundo, foi subitamente excluída do seu maior mercado de exportação, à medida que o governo dos EUA se esforça por reduzir a sua dependência de tecnologia estrangeira.
Esta terça-feira, a administração Trump proibiu a importação de novos robôs humanoides e quadrúpedes de fabricantes estrangeiros, alegando que representam “riscos inaceitáveis” para a segurança nacional dos EUA. A proibição inclui também conversores de energia utilizados para ligar infraestruturas de energia renovável e baterias à rede elétrica.
As novas restrições, que excluem os modelos já em uso, são a mais recente tentativa de Washington de reforçar e salvaguardar as suas indústrias nacionais e a sua cadeia de abastecimento, no meio de uma rivalidade cada vez maior com a China para dominar a tecnologia avançada e a inteligência Artificial.
Embora a China tenha ficado atrás dos EUA no desenvolvimento de modelos de IA de ponta, o lançamento de modelos chineses cada vez mais poderosos nos últimos meses tem preocupado Washington e Silicon Valley.
Os analistas afirmam que a China também consolidou a sua liderança em aplicações de IA para o consumidor e em hardware com IA integrada, como robôs, graças à sua escala de produção e à capacidade de comercializar produtos rapidamente.
“Estes dispositivos podem criar vulnerabilidades na cadeia de abastecimento que podem prejudicar a segurança económica e nacional dos EUA, além de representarem um risco de cibersegurança que ameaça a infraestrutura crítica americana”, afirmou a Comissão Federal de Comunicações (FCC) em comunicado.
A CNN contactou o Ministério do Comércio da China, bem como os principais fabricantes chineses de robôs humanoides, incluindo a Unitree, Agibot, UBTech e Galbot, para obter comentários.
Esta não é a primeira vez que a FCC proíbe tecnologias estrangeiras, com um foco particular nas empresas chinesas. Em dezembro passado, a agência introduziu restrições semelhantes contra os drones fabricados no estrangeiro, excluindo efetivamente outro gigante tecnológico chinês, a DJI, do mercado americano.
Em poucos anos, a indústria de robôs humanoides da China floresceu e tornou-se um dos setores estratégicos mais promissores do país, com mais de 140 fabricantes e uma cadeia de abastecimento em rápida expansão.
Num relatório divulgado pela plataforma de investigação jurídica LexisNexis, seis das dez principais startups de robôs humanoides do mundo, classificadas pela força das suas patentes, eram chinesas. Os fabricantes chineses dominaram os cinco primeiros lugares, seguidos pela Figure AI, sediada em San Jose, e pela alemã Agile Robots.
No ano passado, as empresas chinesas foram responsáveis por 90% das remessas mundiais, enquanto os concorrentes americanos como a Tesla e a Figure AI tiveram dificuldades em iniciar a produção em massa. Os EUA - o maior mercado consumidor do mundo - foram também o maior destino estrangeiro de robôs fabricados na China no ano passado, de acordo com a empresa de investigação tecnológica Interact Analysis.
No mês passado, a gigante tecnológica norte-americana Nvidia anunciou uma parceria com a Unitree, um dos principais fabricantes chineses de robôs humanoides, para investigação e desenvolvimento. Contudo, nesse mesmo mês, a Unitree foi considerada pelo governo americano como um potencial risco à segurança nacional, devido às suas ligações com as Forças Armadas chinesas, e proibida de assinar quaisquer contratos com o Departamento de Defesa dos EUA.
Lian Jye Su, analista-chefe da empresa de investigação Omdia, especializado em Inteligência Artificial e robôs humanoides, afirma que a proibição irá provavelmente afetar as vendas de robôs chineses nos EUA a curto prazo. No entanto, prevê que o impacto global será "mínimo", tendo em conta as tensões geopolíticas de longa data entre os EUA e a China.
“Foram realistas quanto às oportunidades no mercado americano e a atual proibição reflete as suas expectativas”, diz, acrescentando que muitos fornecedores chineses consideram a Europa o seu principal destino.
“Dada a atual escassez de alternativas, é improvável que a proibição prejudique a sua trajetória de crescimento”, acrescenta Su.
Fred He, da CNN, em Pequim, contribuiu para esta reportagem