Palestinianos pedem ação internacional contra abusos sexuais em prisões israelitas

🗓️ 2026-07-15 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O Ministério dos Assuntos dos Detidos e Ex-Detidos da AP, o Clube de Prisioneiros Palestinianos, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), o Centro Hurryyat (Defesa dos Direitos e Liberdades Civis) e a Associação Addameer anunciaram a campanha num evento na Câmara Municipal de Al Bireh, em Ramallah (Cisjordânia), em que várias alegadas vítimas descreveram abusos sexuais e violações coletivas nas prisões israelitas.

"Amarraram-me as mãos e os pés. Vendaram-me os olhos e colocaram-me numa cela estreita, obrigando-me a deitar no chão depois de me rasgarem as calças e as cuecas, e depois começaram a inserir um pau no meu reto", descreveu o ex-recluso Yusef Amaira.

Manifestando ainda sua intenção de depor perante o Tribunal Penal Internacional de Haia, apesar do risco, Amaira detalhou como o guarda prisional riu e gritou durante o abuso, e como uma guarda prisional lhe apertou os testículos e puxou o pénis "com muita força".

"Não me importo se pagar com a minha vida por estas palavras", frisou.

Entretanto, o jornalista Sami al Sai, que alega ter sido violado por um grupo de "quatro a seis guardas prisionais durante 20 ou 25 minutos", protestou contra o tratamento do seu testemunho como mercadoria e exigiu que o Estado palestiniano os reconheça oficialmente como vítimas.

"Não somos uma história para ser contada para despertar emoções durante alguns minutos e depois a cortina fecha-se para que possamos voltar às nossas camas, carregando sozinhos o peso do tormento", realçou o homem que terá estado detido durante 16 meses sem acusações ou julgamento.

O jornalista manifestou o seu respeito pelos detidos e prisioneiros em Gaza, que, segundo ele, estão expostos violência sexual e a maus-tratos ainda maiores do que os da Cisjordânia.

Em março de 2025, o Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos publicou o relatório "Mais do que um Ser Humano Pode Suportar", que documenta o uso sistemático de violência sexual e de género por Israel desde outubro de 2023, quando este país foi atacado a partir de Gaza pelo movimento islamita Hamas. A Amnistia Internacional também denunciou o sucedido noutro relatório no mesmo mês.

Em novembro, um relatório do Centro Palestiniano para os Direitos Humanos (PCHR) apresentou testemunhos de violação e tortura sexual sistemáticos, e a Addameer --- uma das organizações participantes na campanha --- publicou 37 casos documentados sob o título "Genocídio Através do Corpo".

Israel não permite desde outubro de 2023 que o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) se encontre com prisioneiros palestinianos como testemunha independente, confirmou à agência Efe o porta-voz da organização para o Médio Oriente, Hachem Osseiran, apesar de uma decisão do Supremo Tribunal de 03 de junho ter acolhido uma petição contra esta restrição.